Black Sabbath: "13" é pra se ouvir alto no som
Resenha - 13 - Black Sabbath
Por André Prado
Postado em 30 de junho de 2013
O advento da simplicidade é cada vez mais cultuado no mundo atual. Seja na tecnologia, cinema, música ou qualquer outro tipo de mídia e até a própria personalidade. Ser básico e direto faz brilhar mais os olhos que uma super-produção forçada. Saca o velho jeans, camisa e all-star? É assim com o que ouvimos o tempo todo, é assim com a capa legalzuda. É uma delícia ouvir a guitarra de Tony Iommi.
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Bom, é evidente que por mais que os integrantes neguem de pés juntos, os louros do heavy metal se devem a eles. Tanto as harmonias, riffs, pegada, e a soturnidade cadavérica que algumas das suas faixas conseguiam encontrar nos anos 70 ou a energia pulsante que atingia nos anos 80, influenciam até hoje o heavy metal que nós conhecemos.
Se a moda anda em círculos (e anda mesmo) e o que é retrô é atual, novas bandas mundo afora buscam o som de 30, 40 anos atrás como um ode a aquilo que os influenciaram, o puro rock n' roll. Bandas de doom metal são como um Black Sabbath energizado e cada vez mais sombrio e tenso, bandas de stoner metal buscam aquilo que o Black Sabbath ficou famoso por ser. E em 2013 era hora de os mestres voltarem, como os reis saindo de seu castelo, glorificados pelo reino que construíram (ou ajudaram a construir para concordar mais com a humildade deles).
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Produzido pelo conceituado barbudo Hagrid (cof) Rick Rubin, "13" é o 9º álbum da banda com seu vocalista original Ozzy Osbourne e o 19º álbum da carreira do Black Sabbath depois de 17 anos de sem inéditas após "Forbidden". Tony Iommi trocou tanto de formações quanto um time de futebol, mas sempre teve um grande rol de excelentes músicos por trás dele e sua guitarra Gibson SG. Mas momentos como em "Forbidden" que é tão vergonhoso para seus integrantes na época, Iommi, Martin, Murray, Powell e Nicholls, que Iommi acabou por preferir encerrar as atividades da banda.
Salvo reuniões esporádicas, coletâneas e projetos de Iommi - inclusive rendendo o Heaven & Hell com Dio -, a reunião definitiva com o nome Black Sabbath nunca se concretizou. E agora com Iommi com linfoma e Ozzy sendo Ozzy, eles viram que era talvez a última chance de colocar algo na mente de seus fãs, pela última vez, um para apagar o fiasco maluco que foi "Forbidden" e outro para enterrar "Never Say Die". Quem bom que o mundo não acabou!
De seus membros originais, Bill Ward foi o único a não se reunir com a banda. Presumo que era pra banda se reunir com ele, claro. Mas entre desacertos contratuais e falta de capacidade motora de Ward acompanhar o velho Sabbath - tese que acredito piamente dado a idade e a vida de excessos -, a banda decidiu seguir sem ele resolvendo por recrutar Brad Wilk (Audioslave, Rage Against The Machine).
Aproveitando para deixar claro desde o início antes que surja um "mimimi" fanático, além de confessar que sou fã do Sabbath tanto quanto quem lê; por mais que eu tenha esbravejado e cuspido na presença de Brad Wilk na reunião, tenho que dar o braço a torcer e reconhecer que esse não compromete em nenhum momento. Tendo uma pegada direta e simples, sem inventar muito, Wilk entrega um ótimo trabalho. Claro que se o grande Ward estivesse ali tocando em sua plena força, eram outros quinhentos (como diria minha falecida avó), mas dado a sua condição, Wilk o substituiu muito bem.
Iommi mais uma vez é uma máquina de riffs da qual nem tenho mais palavras a elogiar, como disse, é uma delícia ouvi-lo tocar. Não é por menos que nas antigas apresentações do Sabbath, esse por sua vez ficava no centro do palco tendo os outros integrantes em segundo plano. A alma que gira em torno dessa banda se deve muito a ele, e por ele a banda sobreviveu todo esse tempo seja qual fosse a formação, a cara era de Iommi e o Iommi era Sabbath. Os riffs comandam e o baixo pesado de Butler sempre segue o ritmo, audível, sem ser destacado. Discreto e característico como ele é. Já Ozzy, bom... é Ozzy.
Nunca escondi pra ninguém o fato de não gostar de Ozzy. Não de sua personalidade e muito menos de sua contribuição ao rock n' roll como gênero e folclore, e até mesmo na sua voz, tão esganiçada e desconcertada que virou característica de um cara que canta mal e bem ao mesmo tempo. Nisso ele tem a atitude rock n' roll de ser, reconheço. Porém é na sua voz que mora meu principal desagrado.
Eu não escondo também de ninguém que minha fase predileta do Sabbath é a fase Dio, mas reconheço que o Sabbath é o que é muito graças a Ozzy e sua péssima atuação vocal. Entretanto pela idade, muitos vocalistas perdem muito de seu poder, e Ozzy que já não tinha, perdeu mais ainda e no "13" isso fica evidente. Graças aos recursos de gravação atuais, sua voz é muito "maquiada" para se ignorar, e nos shows torço para que ao menos ele se aguente em pé.
Mas vamos ao que interessa, as músicas. O Sabbath buscou beber muito da fonte de seus primeiros álbuns, algo que era até lógico, pois devemos nos inspirar no passado para escrever no futuro (qual o defeito disso aliás?). Sem se copiar, o Sabbath na minha opinião conseguiu fazer um álbum coeso, suficiente para mostrar que os velhinhos estão na ativa firmes e fortes. Em "13" também fica evidente que muito do que o Sabbath fez após a fase Ozzy, e muito da carreira solo do mesmo está presente aqui. Inovações? Não, porém longe de ser falta de criatividade. O álbum soa mais como uma coletânea de bons momentos e inspirações de músicos que não buscavam ser aqueles mesmos de 40 anos atrás, mas apenas velhos músicos revivendo seus gloriosos anos em talvez seu "canto do cisne".
Músicas como a inspiradíssima na "Black Sabbath" que dá abertura ao álbum de mesmo nome; "End of the Beginning" já despeja pesados e lentos riffs nos nossos ouvidos. Assim como a "Loner", melhor do álbum ao lado da "Age Of Reason". A calma e zen "Zeitgeist" se mostra linda e viajante como há muito não ouvia, e a "God is Dead?" se pra mim sendo um single mostrava um Black Sabbath abaixo, no contexto do álbum funciona muito bem e não sai fácil da mente.
Evidente é que o álbum não é recheado de clássicos inquestionáveis pelos fãs de outrora e também acho que não é superior ao que ouvimos no passado, como é também evidente que do Black Sabbath se poderia exigir muito mais. Entretanto é notório que não se buscava nada disso aqui, se buscava imortalizar um álbum, se buscava encerrar dignamente uma história que em "Never Say Die" se encontrava tão incompleta. E como fã digo que eles conseguiram.
"13" é pra se ouvir alto no som, é pra se balançar a cabeça junto; É Black Sabbath, isso já é o suficiente.
Tracklist:
1- End Of The Beginning (8:07)
2- God Is Dead? (8:54)
3- Loner (5:06)
4- Zeitgeist (4:28)
5- Age Of Reason (7:02)
6- Live Forever (4:49)
7- Damaged Soul (7:43)
8- Dear Father (7:06)
Deluxe Set Edition (2 CD):
9- Methademic
10- Peace Of Mind
11- Pariah
Outras resenhas de 13 - Black Sabbath
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