Black Sabbath: "13" é um disco muito bom e consistente

Resenha - 13 - Black Sabbath

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Luis Fernando Ribeiro
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


É praticamente impossível resenhar um disco de tamanha importância mantendo-se neutro a primeira audição. O lado fã sempre se sobressai tanto negativa, quanto positivamente. Cria-se uma expectativa muito grande quanto ao lançamento, desta forma o disco pode ser ou uma grande decepção, ou pode ser superestimado. Sem gravar um disco com Ozzy Osbourne no vocal desde 1978, quando lançaram “Never Say Die”, o lançamento deste disco do BLACK SABBATH fez com que a ansiedade dos fãs fosse quase palpável.
0 acessosBlend Guitar: em vídeo, Top 10 Heavy Metal Bands5000 acessosGwar: morre o vocalista Oderus Urungus aos 50 anos

Com muita dificuldade e concentração, consegui ouvir o disco sem nenhuma expectativa, desta forma pude acompanhar a paixão com a qual ele foi feito, mas também pude perceber que está longe de ser um clássico da banda, mesmo sendo muito acima da média.

Em primeiro lugar, gostaria de destacar a performance de cada músico no decorrer do disco:

Tony Iommi, como não podia ser diferente, nunca falha. Pode ter gravado um ou outro disco menos inspirado, mas sua capacidade de criar riffs marcantes é indiscutível. Em "13" não é diferente, Iommi despeja toneladas de riffs por todas as músicas e peca em poucos momentos. Seus solos também são emocionantes e nos deixam arrepiados música após música.

Geezer Butler é, em minha opinião, o destaque do disco, dando o sangue em cada nota tocada. O peso de seu baixo é impressionante, remetendo facilmente ao clássico álbum de estréia da banda. Não é um músico absurdamente técnico, mas compensa com um feeling acima da média.

Ozzy Osbourne faz o melhor que pode dentro das limitações que a idade avançada lhe impõe. Empolga em muitos momentos, cantando ora de forma vigorosa, ora de forma melancólica, ora de forma melódica, mas em alguns momentos lhe falta um pouco de pegada. Mas o que realmente não agradou muito no vocal de Ozzy é a gravação quase robótica de sua voz em muitos momentos, que se assemelha muito aos seus últimos lançamentos solo.

Brad Wilk (RAGE AGAINST THE MACHINE, AUDIOSLAVE), que substituiu Bill Ward na bateria, não faz mais que o papel de um mero coadjuvante, não compromete o trabalho, mas também empolga em poucos momentos.

Coloco o disco pra tocar e sou surpreendido pelo absurdo que sai das caixas de som. Já de cara temos a melhor faixa do disco: “End of the Beginning” poderia facilmente figurar nos discos clássicos da banda e remete a músicas como “Black Sabbath” e “War Pigs”, sem soar como uma mera cópia. O andamento soturno da música a deixa extremamente sombria, com riffs poderosos de Iommi, como era de se esperar, um peso absurdo no baixo de Geezer e uma interpretação matadora de Ozzy. Por volta de 5:25 de música já temos um dos momentos mais emocionantes do disco, com um solo inacreditável de Iommi e uma interpretação melodiosa e marcante de Ozzy logo em seguida. De arrepiar. É quase impossível não acompanhar Ozzy cantando "Alright. Okay. Till they set you free..."

“God is Dead?” foi a primeira a ser divulgada do disco e é a música de trabalho de “13”. A faixa é uma sequência natural para a música anterior e novamente somos surpreendidos com o peso, especialmente do baixo de Geezer. Ozzy Osbourne faz uma excelente e melancólica interpretação, encaixando muito bem com o andamento da música e com a letra pessimista, que é uma das melhores já escritas pela banda. É fácil perceber como Ozzy continua sendo um intérprete incrível, sendo um dos principais do gênero, ao lado de caras como Bruce Dickinson, Ronnie James Dio e King Diamond, por exemplo.

A banda não baixa o ritmo. “Loner” é rápida e muito pesada, se encaixaria tranquilamente no disco “Master of Reality”. É uma faixa mais reta e menos elaborada que as anteriores, mas ainda assim é muito boa, mantendo o disco num nível muito alto. Iommi se mostra atualizado com um solo bem moderno.

“Zeitgeist” remete claramente a “Planet Caravan” do disco “Paranoid”, mas sem a mesma genialidade. Não é uma música ruim, mas é facilmente a mais fraca do álbum. Apesar de soar um pouco forçada, Ozzy faz uma boa interpretação e do meio para frente ela se torna mais uma balada do que uma faixa experimental, com um solinho meio blues bem interessante.

O peso volta com tudo em “Age of Reason”. Nesta faixa fica evidente a qualidade da gravação, deixando todos os instrumentos bem audíveis, apesar de que muitos fãs esperassem uma gravação mais suja e saudosista. Os músicos mostram um entrosamento poucas vezes antes visto, todos jogam pelo time, sem querer ficar aparecendo mais que o companheiro. Por volta dos 4 minutos, a música dá uma reviravolta e fica ainda mais pesada. Na parte do solo você começa a se perguntar de onde vem tanta genialidade do mestre Iommi, que não soa repetitivo em nenhum momento, mesmo depois de mais de 40 anos de carreira.

“Live Forever” é uma música empolgante e lembra bastante a época do “Paranoid”. É um pouco menos cadenciada que as anteriores e tem um refrão muito bom. “Live Forever” e “Zeitgeist” são as únicas do track list normal que tem menos de 5 minutos no disco. Uma faixa mais simples e direta, mas muito eficiente.

“Damaged Soul” tem riffs bem ‘americanizados’. A bateria apresenta algumas variações interessantes, sendo a melhor participação de Brad Wilk no disco. Esta é a faixa mais distinta do restante do álbum e mostra o quanto os músicos ainda são criativos e podem se reinventar, sem perder sua essência. Ao final da música temos praticamente uma ‘jam’ com Iommi, Butler e Wilk quebrando tudo.

Encerrando o track list normal do disco, temos “Dear father” com um riff encorpado e com uma evolução nítida, tornando-se mais interessante conforme se desenvolve.

A versão ‘Deluxe’ vem com três faixas bônus, que poderiam e deveriam estar inclusas no set list normal do álbum, pois são do mesmo nível e em alguns casos até superiores às demais.

“Methademic” é a mais rápida do disco e é muito empolgante, mostrando que os músicos ainda têm muito gás pra queimar. Os riffs de Iommi lembram bastante as épocas do “Heaven and Hell” e “Mob Rules”.

“Peace of Mind” segue a mesma linha do restante do álbum com riffs incrivelmente pesados e novamente uma aula de Geezer, tocando com um peso incrível, ouso dizer que é uma das melhores atuações do baixista pela banda.

Fechando o disco, temos “Pariah”, que começa melancólica e com belas melodias, mas logo cresce e se torna uma das melhores faixas do disco. Convida a bater cabeça com riffs oras Hard, oras beirando o Thrash, na linha do METALLICA. Tem um dos mais emocionantes solos do álbum, encerrando-o com chave de ouro.

“13” dificilmente vai estar no TOP 5 de qualquer fã do BLACK SABBATH, mas é um disco muito bom e consistente. A banda não se satisfez em gravar mais do mesmo e soar como uma parodia de si mesmos, nem tampouco vão mudar a história da música com este disco, como fizeram nos anos 70, mas puderam mostrar que ainda tem capacidade e criatividade para lançar um disco de qualidade, fazendo com que esta nova reunião e o lançamento de um novo disco depois de tanto tempo não soe apenas como um ‘caça-niqueis’ para engordar ainda mais a poupança dos músicos.

13 – Black Sabbath (2013 – Vertigo, Universal)

Track List:
1 - End of the Beginning
2 - God is Dead?
3 - Loner
4 - Zeitgeist
5 - Age of Reason
6 - Live Forever
7 - Damaged Soul

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Outras resenhas de 13 - Black Sabbath

4542 acessosBlack Sabbath: Se for o final, eles fecharam com chave de ouro2807 acessosBlack Sabbath: o bom e talvez último registro dos dinossauros5000 acessosBlack Sabbath: "estes dias estão próximos do fim!"2915 acessosBlack Sabbath: o melhor álbum diretamente relacionado à banda2339 acessosBlack Sabbath: depois de 20 anos, uma segunda primeira vez2415 acessosBlack Sabbath: "13" é pra se ouvir alto no som3911 acessosBlack Sabbath: provando que ainda são muito relevantes5000 acessosBlack Sabbath: um presente para os fãs que esperaram 34 anos5000 acessosBlack Sabbath: Um disco para se escutar em alto volume5000 acessosBlack Sabbath: não foi apenas um xarope antirreumático...5000 acessosBlack Sabbath: o ciclo de Ozzy na banda foi fechado em 19795000 acessosBlack Sabbath: Um grande e inspirado trabalho5000 acessosBlack Sabbath: fiel às suas origens e ainda assim soando atual5000 acessosBlack Sabbath: firme, consistente e com a pegada da era Ozzy5000 acessosBlack Sabbath: Metal Hammer inglesa resenha 13 e se impressiona5000 acessosBlack Sabbath: primeira resenha completa do álbum "13"5000 acessosBlack Sabbath: primeira resenha do novo álbum, 13

InglaterraInglaterra
Político acusado de ser nazista por causa do Sabbath

0 acessosBlend Guitar: em vídeo, Top 10 Heavy Metal Bands1968 acessosZakk Sabbath: banda de Zakk Wylde lança EP em junho460 acessosArquivo KZG: Gastão Moreira entrevista o Black Sabbath em 1992598 acessosHeavy Lero: Black Sabbath na edição #100, por Gastão e Clemente0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Black Sabbath"

Total GuitarTotal Guitar
Os 20 melhores riffs de guitarra da história

Ninguém é perfeitoNinguém é perfeito
Os filhos "bastardos" de pais famosos

Heavy MetalHeavy Metal
Os dez melhores álbuns lançados em 1992

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Black Sabbath"

GwarGwar
Morre o vocalista Oderus Urungus aos 50 anos

Rolling StoneRolling Stone
As 500 melhores músicas segundo a revista

Collectors RoomCollectors Room
Coleção de Metallica com 16 versões apenas do "Ride"

5000 acessosSeparados no nascimento: Dave Mustaine e Mika Hakkinen5000 acessosZakk Wylde: guitarrista critica Axl Rose em seu Twitter5000 acessosBaladas do Metal: blog elege as mais bonitas de todos os tempos5000 acessosTemas de games: cinco clássicos em versões Heavy Metal5000 acessosGuitar World: Eddie Van Halen, o melhor de todos os tempos5000 acessosTwisted Sister: Dee Snider detona falecido baterista AJ Pero

Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

Mais matérias de Luis Fernando Ribeiro no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online