Black Sabbath: firme, consistente e com a pegada da era Ozzy

Resenha - 13 - Black Sabbath

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Por Diego Camara
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Como já anteriormente informado, o Whiplash.Net teve acesso exclusivo ao novíssimo disco do BLACK SABBATH intitulado “13”, que terá suas vendas iniciadas no dia 11 de junho no Brasil, terça-feira da próxima semana. Os redatores do site Diego Camara e Otávio Augusto Juliano nos representaram e tiveram a chance de ouvir o disco na integra, música a música, e trazem agora suas impressões.

Leia uma outra resenha no link abaixo.
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1. “End of the Beginning” (8m07s)

Música de abertura e já tocada ao vivo pela banda. Mostra um som bastante lento e cadenciado, além de ter o velho tom macabro do Sabbath. O vocal de Ozzy foi bem minucioso aqui, palavra a palavra, e a guitarra de Iommi é simples e bastante efetiva. No meio há um salto interessante e a rapidez entra em cena, sem perder o bom e velho toque da década de 70. Destaque é o ótimo solo de guitarra de Iommi e a suprema melodia, que prende o ouvinte a cada reviravolta.

2. “God Is Dead?” (8m54s)

O single, já tocado e disponível no YouTube. Também bastante lenta e com vocais arrastados. O refrão é sem dúvidas o ponto alto da música, e a letra extremamente crítica dá o tom de todo o disco. O vocal de Ozzy abre como clareiras em um som bastante consistente e se entende porque a música foi selecionada como o single, apesar de estar bem longe de ser a melhor do disco.

3. “Loner” (5m06s)

Música com uma pegada bem rock and roll, dando uma pequena quebra no disco. O som ligeiro torna a música bem rápida e faz fácil quem ouve bater cabeça. Mais curta que as anteriores, a música é valorizada com dois fantásticos solos de guitarra de Tony Iommi, que mostram toda a técnica de um dos maiores guitarristas de todos os tempos. O som do baixo de Butler não some, e sua aparição no conjunto com Iommi torna esta música extremamente pegajosa.

4. “Zeitgeist” (4m28s)

Sem dúvidas para mim a segunda melhor do disco. Extremamente sombria, com uma abertura apenas no violão e tambor. O vocal de Ozzy se encaixa perfeitamente neste tom e a sua voz arrastada puxa em um acústico que se conflui em uma construção excepcional. O baixo de Butler aparece também no meio da música, concorrendo com uma guitarra dedilhada que arranca suspiros. Um tom de desolação que nunca foi visto anteriormente no Sabbath.

5. “Age of Reason” (7m02s)

O destaque nesta é para a firmeza da bateria de Brad Wilk. A cadência da música é firme e repetitiva no início. A guitarra de Iommi funciona bem aqui, tanto na base quanto no solo, duelando com as baquetas. Com o duelo vemos giros na música e mudanças drásticas, a modificação da passada dos instrumentos torna esta canção bastante interessante e consegue prender os ouvintes: uma boa música, mas nada especial se compararmos com o resto do disco.

6. “Live Forever” (4m49s)

Entrada bem firme, puxada pela força das baquetas de Brad Wilk, que mostrou ter feito a lição de casa. O refrão é muito pegajoso, fazendo esta música ser perfeita para ser tocada em shows e cantada junto pela plateia. O solo de guitarra coroa essa música e se encaixa perfeitamente, como uma luva. A música é curta, simples, direta e efetiva.

7. “Damaged Soul” (7m46s)

No meu ver a melhor canção do álbum. Abertura já rápida e as guitarras marcaram forte esta música. As cadências e mudanças bruscas de som dão o tom da música: fica difícil classificar a música e até mesmo dividir “em quantas músicas” ela se estrutura. Geezer Butler também está presente: o baixo domina uma parte central da música, não deixando o público cansado das guitarras e mostrando porque é um dos grandes músicos do metal. O solo é emocionante e faz o ouvinte voltar à década de 70. Fica difícil até falar sobre a música, pois parece que qualquer coisa que se diga nunca chega a sua grandeza e completude.

8. “Dear Father” (07m06s)

Esta música tem bem o estilo Black Sabbath de ser. A letra forte domina toda a música e se impõe sobre o som dos instrumentos. O baixo e a guitarra costuram a música de maneira inteligente, fazendo desta uma das músicas mais firmes e completas do disco. Geezer Butler novamente é um ótimo destaque, e as baquetas de Brad Wilk não se perdem na música. O corte seco no final se completa com o som da chuva, que remete a música “Black Sabbath” do álbum com o mesmo nome, lançado na década de 70: a banda, assim, parece estar declarando o fechamento de um ciclo: o de sua própria existência?

Considerações finais:

“13” é um álbum bastante firme, consistente e que tem uma pegada do BLACK SABBATH na era-Ozzy: som lento, os aspectos sombrios e as jogadas de baixo que apenas o lendário Geezer Butler poderia produzir. Porém, a música é cheia de reviravoltas e foge da simplicidade. Ou seja, é um BLACK SABBATH da era-Ozzy que não quer mais ser um BLACK SABBATH da era-Ozzy. É um disco forte quando não tentamos olhar para o passado e ver os grandes sucessos da banda: devemos entender que nunca o SABBATH poderia produzir um disco como os da década de 70. “13” é um disco moderno, com todo o poder de produção da atualidade com um pé na década de 70, mostrando que os pais do heavy metal ainda podem inovar e tem ótimas ideias na mente. Este é sem dúvidas um disco levado a sério pela banda, não um mero caça-níquel como tantos que vemos por aí, e os fãs do bom e velho heavy metal devem levar ele a sério, limpar os ouvidos, evitar pensar na década de 70 e ouvir este disco algumas boas vezes, pois ele merece ser considerado antes de se jogar fora, como muitos andaram fazendo ouvindo apenas o single – que está longe de ser a melhor música do álbum.

Informações básicas:
Gravadora: Universal Music
Lançamento: 11 de junho de 2013 (no Brasil)
Duração total: 53m18s
Todas as letras escritas por Geezer Butler, melodias por Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler.

Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi – Guitarra
Geezer Butler – Baixo
Brad Wilk – Bateria
Rick Rubin – Produtor

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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