Sem Peter Frampton, o "Alive!" do Kiss teria soado mais desafinado, revela o guitarrista
Por Bruce William
Postado em 22 de agosto de 2025
O álbum "Alive!" (1975) costuma ser lembrado como o grande divisor de águas na carreira do Kiss. Foi a partir dele que a banda deixou de ser apenas mais um nome no circuito americano e se transformou em fenômeno mundial, vendendo milhões e lotando arenas, e é considerado pelo próprio Gene Simmons como sendo seu trabalho favorito da banda. Mas, nos bastidores, a produção desse disco envolveu um detalhe curioso: parte do equipamento usado pertencia a Peter Frampton.
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Enquanto o Kiss trabalhava no Electric Lady Studios, em Nova York, para acertar as falhas e overdubs de "Alive!", Frampton estava no mesmo local finalizando "Frampton Comes Alive!", que sairia no ano seguinte e se tornaria um dos álbuns mais vendidos da década de 1970. O guitarrista revelou em entrevista com a Guitar Player que Paul Stanley e Ace Frehley constantemente apareciam em sua sala pedindo guitarras, amplificadores e até baixos emprestados.
"Nós estávamos mixando 'Frampton Comes Alive!' e o Kiss estava ao lado, fazendo o mesmo com 'Alive!'", contou. "Eles vinham até nós e perguntavam se tínhamos guitarras, amps ou baixos, porque estavam arrumando algumas coisas no disco", disse Peter, deixando claro em seguida, para evitar qualquer tipo de mal entendido, que ele não toca absolutamente nada ali. "Então, meu equipamento está naquele álbum - mas eu não!"
Entre os instrumentos à disposição estava a lendária Les Paul Custom preta de meados dos anos 1950, apelidada de Phenix, usada por Frampton em gravações do Humble Pie e imortalizada na capa de "Frampton Comes Alive!". Essa guitarra chegou a ser dada como perdida em um acidente aéreo em 1980, mas retornou às mãos do músico três décadas depois.
O engenheiro Eddie Kramer, responsável pelos dois discos, confirmou que os empréstimos de equipamentos aconteceram. Para ele, não havia mistério: com todo o aparato de palco do Kiss - explosões, fogo, guitarras com foguetes - era inevitável que parte das gravações precisasse de ajustes no estúdio. O resultado, no entanto, justificou o processo: "Alive!" ultrapassou a marca de oito milhões de cópias vendidas e se consolidou como um dos discos ao vivo mais importantes da história do rock.
Ironias do destino, "Frampton Comes Alive!" seguiu caminho parecido. Lançado em 1976, também vendeu milhões e se tornou o álbum mais comercializado daquele ano. Ou seja, sem aparecer fisicamente em nenhuma faixa, Peter Frampton acabou deixando sua marca em dois gigantescos clássicos ao vivo dos anos 1970 - um do Kiss, outro dele próprio. Portanto, é de se pensar que, sem Peter Frampton, o "Alive!" do Kiss teria soado mais desafinado...
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