Black Sabbath: Um grande e inspirado trabalho

Resenha - 13 - Black Sabbath

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Doctor Robert
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Muito se debateu sobre o fato da reunião dos pais do heavy metal ter sido feita sem a presença de todos os membros originais – se você é fã do grupo e não viveu fora do planeta durante o último ano, sabe muito bem que o baterista Bill Ward ficou de fora da empreitada. Cada parte alega seus motivos, mas o que mais intriga é que houve gente dizendo que “isso não poderia ser considerado Black Sabbath, pois não estão os quatro integrantes lá, bla bla blá...” - então “Heaven and Hell”, “Mob Rules”, “Born Again”, “Headless Cross”, “Dehumanizer”... e tudo mais que foi feito sem Ozzy e/ou Bill Ward não é Black Sabbath?
1576 acessosBlack Sabbath: Ward está vendendo mais de 200 peças de equipamento5000 acessosOut: os 100 álbuns mais gays de todos os tempos segundo a revista

Pois bem, são cerca de onze horas da noite do dia 03 de junho de 2013. Navegando pela internet chega a bomba: “13”, o mais do que aguardado novo álbum do Black Sabbath, foi parar na rede mundial de computadores. Tão logo a notícia de que as oito músicas estavam disponíveis via iTunes “apenas para audição” e em pré-venda, logo começaram a pipocar links pela internet disponibilizando o download para os mais famintos que não agüentariam aguardar o lançamento oficial do CD, apenas alguns dias depois. Para um acontecimento tão aguardado como este, o resultado não poderia ser outro, e assim temos todos nós fãs a oportunidade de enfim ouvir o primeiro registro em estúdio do Black Sabbath com Ozzy Osbourne desde o longínquo 1978, quando “Never Say Die” fora lançado (e a grande maioria dos leitores deste site nem sabia o que era Black Sabbath, deveria estar nas fraldas ou sequer havia nascido).

E o que esperar? Para quem já vinha acompanhando o “Black Sabbath com Dio” (ou “Heaven and Hell”, se você preferir), havia a certeza de boa música por nascer deste encontro. Poderia até haver alguma desconfiança por conta da presença de Ozzy Osbourne, já que seus últimos discos solo não agradaram a todos. Houve ainda quem alegasse que “God Is Dead” e “End Of The Beginning” não eram lá tudo isso (sério mesmo?)... Mas tudo vem por terra ao se colocar “13” para rodar.

Ok, talvez o Sabbath não tenha acertado em lançar como a primeira faixa do disco uma faixa que não seja a melhor do disco (algo que já tinha acontecido com o Van Halen, em seu recente lançamento também de retorno, “A Different Kind Of Truth”), mas a já citada “End Of The Beginning” é sim muito boa, assim como “God Is Dead” – todos os elementos clássicos do Sabbath estão ali: os riffs do mestre Tony Iommi, o ambiente soturno, as variações de ritmo e clima... E, convenhamos, não é melhor que nos surpreendamos ao ouvir o que ficou pra depois? Estratégia? Erro? Vocês decidem...

Dito isto, vamos às demais canções que seguem, e já de cara vem a porrada “Loner”, que cativa logo na primeira “ouvida” – impossível não gostar desta que é uma das melhores do álbum. Mais um ótimo riff, além dos solos igualmente ótimos de Iommi, Geezer brilhando no baixo e uma levada empolgante, demonstrando em seus pouco mais de 4 minutos porque o Sabbath ainda é referência e influência após mais de 40 anos. Se neste momento você já está exercitando seu head-banging que andava enferrujado, é hora de pisar no freio e curtir a irmã mais nova de “Planet Caravan”: “Zeitgeist” começa com uma risada ao mesmo tempo sacana e sinistra de Ozzy (que canta com vários efeitos nos vocais), e reúne um pouco de folk e uma pitada de blues no solo. Diferente e interessante, pra dizer o mínimo.

Começa “Age of Reason” e vem o pensamento “cara, agora a p... ficou séria!”: o baterista Brad Wilk manda ver, praticamente “duelando” com a guitarra de Tony Iommi em uma faixa pesada, que prende a atenção do começo ao fim, mais uma vez com suas variações de ritmos como o Sabbath costumava fazer em sua fase áurea. Wilk continua a todo vapor em “Live Forever”, outra faixa curta, pesada e direta. “Eu não quero viver para sempre, mas não quero morrer” canta Ozzy, enquanto Iommi nos presenteia com mais um grande solo. Ótima para um “air guitar” e pra bater a cabeça.

“Damaged Soul” é a mais séria candidata a melhor faixa do álbum. Enquanto Ozzy fala sobre a batalha entre Satã e Deus (mais Sabbath, impossível), ouvimos uma música de quase oito minutos, onde o show fica por conta novamente de Tony Iommi. É daquelas que tão logo você acaba de ouvir, já fica com vontade de colocar pra tocar outra vez, para se atentar aos seus muitos detalhes. “Dear Father” é a cereja do bolo, encerrando de forma triunfal o disco com Iommi e Geezer mostrando seu entrosamento ao longo desta que é mais um dos destaques deste grande lançamento, encerrando-se com o som de chuva que nos remete ao começo do primeiro álbum do então quarteto, gravado em 1970. Seria mera conexão com o passado ou o fim de um ciclo? Deus queira que não seja esta segunda opção...

Todas essas considerações foram feitas após a primeira audição do álbum, que merece várias e várias outras mais cuidadosas – sem falar que em seu lançamento oficial, ainda poderemos contar com mais três faixas bônus na chamada versão “de luxe”. Mais uma coisa é fato: é um álbum que tanto nos remete aos anos 1970, quanto soa atual. Não é um mero caça-níqueis, uma desculpa para um “retorno da formação clássica e turnê”. Um grande e inspirado trabalho, muito bem produzido pelo figuraça Rick Rubin, daqueles para disputar a posição de melhor lançamento do ano, fácil fácil.

Resumindo: é Black Sabbath! Ponto final.

Black Sabbath - 13

1. End Of The Beginning
2. God Is Dead?
3. Loner
4. Zeitgeist
5. Age Of Reason
6. Live Forever
7. Damaged Soul
8. Dear Father

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de 13 - Black Sabbath

4566 acessosBlack Sabbath: Se for o final, eles fecharam com chave de ouro2810 acessosBlack Sabbath: o bom e talvez último registro dos dinossauros2075 acessosBlack Sabbath: "13" é um disco muito bom e consistente5000 acessosBlack Sabbath: "estes dias estão próximos do fim!"2976 acessosBlack Sabbath: o melhor álbum diretamente relacionado à banda2345 acessosBlack Sabbath: depois de 20 anos, uma segunda primeira vez2422 acessosBlack Sabbath: "13" é pra se ouvir alto no som3916 acessosBlack Sabbath: provando que ainda são muito relevantes5000 acessosBlack Sabbath: um presente para os fãs que esperaram 34 anos5000 acessosBlack Sabbath: Um disco para se escutar em alto volume5000 acessosBlack Sabbath: não foi apenas um xarope antirreumático...5000 acessosBlack Sabbath: o ciclo de Ozzy na banda foi fechado em 19795000 acessosBlack Sabbath: fiel às suas origens e ainda assim soando atual5000 acessosBlack Sabbath: firme, consistente e com a pegada da era Ozzy5000 acessosBlack Sabbath: Metal Hammer inglesa resenha 13 e se impressiona5000 acessosBlack Sabbath: primeira resenha completa do álbum "13"5000 acessosBlack Sabbath: primeira resenha do novo álbum, 13

Black SabbathBlack Sabbath
Ward está vendendo mais de 200 peças de equipamento

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Black Sabbath"

Rock In PeaceRock In Peace
As mortes mais marcantes do Rock/Metal

Black SabbathBlack Sabbath
Ícones do metal nacional se despedem da banda

Vinny AppiceVinny Appice
O playlist pessoal do lendário baterista

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Black Sabbath"

OutOut
Os 100 álbuns mais gays segundo a revista

Legião UrbanaLegião Urbana
Ex-baixista Renato Rocha é encontrado morto.

A História Impopular dos Rolling StonesA História Impopular dos Rolling Stones
Livro 2 - Mick Taylor

5000 acessosSlipknot: Mick Thomson esfaqueado em briga com irmão5000 acessosMMA: os lutadores que curtem Rock e Heavy Metal5000 acessosDonald Trump: os roqueiros que apoiam o presidente eleito5000 acessosCuriosidade: 13 estranhos objetos relacionados à música4247 acessosPhil Anselmo: "cantar afinado é como uma obrigação"5000 acessosSuicide Silence: Lucker deixava claro gostar de velocidade

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

Mais matérias de Doctor Robert no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online