Black Sabbath: Um grande e inspirado trabalho
Resenha - 13 - Black Sabbath
Por Doctor Robert
Postado em 04 de junho de 2013
Nota: 9 ![]()
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Muito se debateu sobre o fato da reunião dos pais do heavy metal ter sido feita sem a presença de todos os membros originais – se você é fã do grupo e não viveu fora do planeta durante o último ano, sabe muito bem que o baterista Bill Ward ficou de fora da empreitada. Cada parte alega seus motivos, mas o que mais intriga é que houve gente dizendo que "isso não poderia ser considerado Black Sabbath, pois não estão os quatro integrantes lá, bla bla blá..." - então "Heaven and Hell", "Mob Rules", "Born Again", "Headless Cross", "Dehumanizer"... e tudo mais que foi feito sem Ozzy e/ou Bill Ward não é Black Sabbath?
Black Sabbath - Mais Novidades
Pois bem, são cerca de onze horas da noite do dia 03 de junho de 2013. Navegando pela internet chega a bomba: "13", o mais do que aguardado novo álbum do Black Sabbath, foi parar na rede mundial de computadores. Tão logo a notícia de que as oito músicas estavam disponíveis via iTunes "apenas para audição" e em pré-venda, logo começaram a pipocar links pela internet disponibilizando o download para os mais famintos que não agüentariam aguardar o lançamento oficial do CD, apenas alguns dias depois. Para um acontecimento tão aguardado como este, o resultado não poderia ser outro, e assim temos todos nós fãs a oportunidade de enfim ouvir o primeiro registro em estúdio do Black Sabbath com Ozzy Osbourne desde o longínquo 1978, quando "Never Say Die" fora lançado (e a grande maioria dos leitores deste site nem sabia o que era Black Sabbath, deveria estar nas fraldas ou sequer havia nascido).
E o que esperar? Para quem já vinha acompanhando o "Black Sabbath com Dio" (ou "Heaven and Hell", se você preferir), havia a certeza de boa música por nascer deste encontro. Poderia até haver alguma desconfiança por conta da presença de Ozzy Osbourne, já que seus últimos discos solo não agradaram a todos. Houve ainda quem alegasse que "God Is Dead" e "End Of The Beginning" não eram lá tudo isso (sério mesmo?)... Mas tudo vem por terra ao se colocar "13" para rodar.
Ok, talvez o Sabbath não tenha acertado em lançar como a primeira faixa do disco uma faixa que não seja a melhor do disco (algo que já tinha acontecido com o Van Halen, em seu recente lançamento também de retorno, "A Different Kind Of Truth"), mas a já citada "End Of The Beginning" é sim muito boa, assim como "God Is Dead" – todos os elementos clássicos do Sabbath estão ali: os riffs do mestre Tony Iommi, o ambiente soturno, as variações de ritmo e clima... E, convenhamos, não é melhor que nos surpreendamos ao ouvir o que ficou pra depois? Estratégia? Erro? Vocês decidem...
Dito isto, vamos às demais canções que seguem, e já de cara vem a porrada "Loner", que cativa logo na primeira "ouvida" – impossível não gostar desta que é uma das melhores do álbum. Mais um ótimo riff, além dos solos igualmente ótimos de Iommi, Geezer brilhando no baixo e uma levada empolgante, demonstrando em seus pouco mais de 4 minutos porque o Sabbath ainda é referência e influência após mais de 40 anos. Se neste momento você já está exercitando seu head-banging que andava enferrujado, é hora de pisar no freio e curtir a irmã mais nova de "Planet Caravan": "Zeitgeist" começa com uma risada ao mesmo tempo sacana e sinistra de Ozzy (que canta com vários efeitos nos vocais), e reúne um pouco de folk e uma pitada de blues no solo. Diferente e interessante, pra dizer o mínimo.
Começa "Age of Reason" e vem o pensamento "cara, agora a p... ficou séria!": o baterista Brad Wilk manda ver, praticamente "duelando" com a guitarra de Tony Iommi em uma faixa pesada, que prende a atenção do começo ao fim, mais uma vez com suas variações de ritmos como o Sabbath costumava fazer em sua fase áurea. Wilk continua a todo vapor em "Live Forever", outra faixa curta, pesada e direta. "Eu não quero viver para sempre, mas não quero morrer" canta Ozzy, enquanto Iommi nos presenteia com mais um grande solo. Ótima para um "air guitar" e pra bater a cabeça.
"Damaged Soul" é a mais séria candidata a melhor faixa do álbum. Enquanto Ozzy fala sobre a batalha entre Satã e Deus (mais Sabbath, impossível), ouvimos uma música de quase oito minutos, onde o show fica por conta novamente de Tony Iommi. É daquelas que tão logo você acaba de ouvir, já fica com vontade de colocar pra tocar outra vez, para se atentar aos seus muitos detalhes. "Dear Father" é a cereja do bolo, encerrando de forma triunfal o disco com Iommi e Geezer mostrando seu entrosamento ao longo desta que é mais um dos destaques deste grande lançamento, encerrando-se com o som de chuva que nos remete ao começo do primeiro álbum do então quarteto, gravado em 1970. Seria mera conexão com o passado ou o fim de um ciclo? Deus queira que não seja esta segunda opção...
Todas essas considerações foram feitas após a primeira audição do álbum, que merece várias e várias outras mais cuidadosas – sem falar que em seu lançamento oficial, ainda poderemos contar com mais três faixas bônus na chamada versão "de luxe". Mais uma coisa é fato: é um álbum que tanto nos remete aos anos 1970, quanto soa atual. Não é um mero caça-níqueis, uma desculpa para um "retorno da formação clássica e turnê". Um grande e inspirado trabalho, muito bem produzido pelo figuraça Rick Rubin, daqueles para disputar a posição de melhor lançamento do ano, fácil fácil.
Resumindo: é Black Sabbath! Ponto final.
Black Sabbath - 13
1. End Of The Beginning
2. God Is Dead?
3. Loner
4. Zeitgeist
5. Age Of Reason
6. Live Forever
7. Damaged Soul
8. Dear Father
Outras resenhas de 13 - Black Sabbath
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