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Ah, o Kiss...

Saudações! Falar de Kiss, Iron Maiden e Metallica no Brasil é perigoso. Principalmente se for mal. A quantidade de e-mails que recebi descendo a lenha em mim pela crítica do Metallica foi impressionante, se bem que quase a mesma quantidade de pessoas me escreveu elogiando, pois viram que o álbum é uma porcaria mesmo e não se iludiram com os bumbos duplos e aquela gritaria sem sentido...

Com a nota que dei sobre o “Alive IV” duas colunas atrás foi pior, porque nem a crítica eu tinha feito e os fãs já se manifestaram. É assim que eu gosto, e não deixe nada engasgado, pode escrever pra cá ([email protected]) e dizer o que quiser. A comunicação com os leitores é o mais importante para essa coluna.

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Mas voltando ao Kiss... bem, terça passada saiu “Alive IV” e... Mesmo sendo um grande fã de Kiss, sabendo de sua importância e relevância para o rock, não dá para engolir. É um lançamento mediano que não se justifica, ainda mais sob o nome “Alive”, que remete a clássicos absolutos.

O que tem de errado nesse cd? Muita coisa. Gene Simmons não tem vergonha alguma de dizer que o que interessa mesmo é dinheiro (como se ele precisasse de mais...), e essa é a única finalidade desse cd duplo, que não traz novidade alguma.

Depois da volta triunfal com formação original em 96 e de bater vários recordes de bilheteria, novamente a banda conseguiu afundar sem explicação e me vem agora sem Ace Frehley num show com orquestra na Austrália, que, aliás, só foi feito lá porque a banda tinha certeza de que lotaria um estádio, o que não aconteceria se fosse nos Estados Unidos, é verdade...

Muito bem gravado, o álbum é divido em três partes, que na verdade são duas: no cd 1 há a banda tocando de forma elétrica e acústica com orquestra. O cd 2 todo é elétrico com orquestra e aí a coisa desanda...

Tudo começa bem na parte elétrica, e não há o que dizer de “Deuce”, “Strutter”, etc. O estranho é que somente “Psycho Circus” do material mais recente do grupo, está presente no trabalho. As acústicas “Goin’ Blind” e “Sure Know Something” ficaram boas ao lado de uma orquestra, mas “Forever” é um peixe fora d’água. Os caras abaixaram tanto a afinação dos instrumentos que ela ficou irreconhecível. Até aí tudo bem, dá pra encarar, mas o resto...

Eu simplesmente odeio cds de rock com orquestra, não tem nada a ver, principalmente se for rock pesado. Acredito que ninguém fará um dia nada pior que o “S&M” do Metallica, e só há bons resultados nesse nicho quando as bandas tocam baladas (quem não se emociona com a versão de “Dream On” com orquestra do Aerosmith de 91?).

O cd 2 é um tormento. A banda destruiu “Love Gun”, “Black Diamond”, mas nada se compara ao que fizeram com “Detroit Rock City” e “Shout It Out Loud”. Dá vontade de rir, na boa. É tudo muito estranho, sem sentido algum aquela orquestra no fundo parecendo tocar outra música ao mesmo tempo.

A única coisa interessante para os fãs foi a inclusão da inesperada “Great Expectations”, uma música bem fraquinha, mas que nunca havia sido tocada pela banda, e para os kissmaíacos é um presentão.

Não é à toa que vão abrir para o Aerosmith no mês que vem e nos Estados Unidos hoje dizem que a banda chama-se Kis, com um “s”, pois falta algo, será Ace Frehley?


Deep Purple no Brasil

Depois de trazer o Rush no ano passado, o Kaiser Music está decepcionando em 2003. Até agora só trouxeram o Silverchair e acabaram de anunciar a próxima edição, que acontecerá em setembro, com Deep Purple, Sepultura e Hellacopters.

O Deep Purple, um nome sempre bem-vindo ao Brasil, mas não para este tipo de festival, foi chamado às pressas por ser um show barato e para tapar o buraco deixado pelo Foo Fighters que só vem em novembro, mas vem. E para a Kaiser, 2003 vai se resumir somente nesses shows, fazer o quê...

O Festival de Brasília já refaz as contas e ao invés de Iron Maiden, pode mesmo é fechar um acordo com o próprio Deep Purple, já que a banda estará no Brasil na mesma época. Mas nada disso é confirmado. Lembra da coluna passada quando disse que era muita gente ao mesmo tempo no Brasil? Pelo visto, como sempre vamos ficar só com o que é barato, de novo...


Coldplay e Metallica

Os shows do Coldplay têm novas datas no Brasil: dia 3 de setembro no Via Funchal, em São Paulo, e 4 no ATL Hall, no Rio. Os ingressos estarão à venda a partir de 4 de agosto.

Conforme esta coluna apurou, realmente há excelentes chances do Metallica desembarcar no Brasil em dezembro. Uma produtora brasileira está quase fechando duas datas por aqui, o que promete ser o show do ano no Brasil.


Evanescence, enfim, chegou ao Brasil

Finalmente, depois de um atraso inconcebível. “Fallen” foi lançado no Brasil com um apoio de marketing maciço. Do nada, “Bring Me To Life” já entrou na programação das rádios rock e da MTV (dá-lhe jabá!!!).

Olha só. Recebi um e-mail de um amigo quarta-feira dizendo para eu assistir o Disk MTV. Achei estranho, mas fui sofrer um pouco e ver a reprise no dia seguinte. E para meu choque estão tentando transformar o Evanescence no Brasil em banda de mauricinho adolescente. Era só o que faltava, uma grande banda como essa, fazendo um som de responsa, revelação do ano disparado, virar febre nacional com aquelas menininhas histéricas. Não, não pode ser verdade...

Enquanto “Bring Me To Life” é novidade aqui, no resto do mundo os caras já lançaram o segundo single “Going Under”...


Sammy Hagar no Brasil

Em cd, meu amigo, não ao vivo, ou melhor, ao vivo também. Entendeu a lambança? Levei um susto danado quando vi o incrível “Live Hallelujah” numa loja de São Paulo e percebi que era uma edição nacional lançada pela Century Media. Bela sacada da gravadora, que podia aproveitar e lançar os últimos álbuns de estúdio do cara também, principalmente o grande “Ten 13”.


Promoção HIM

Cícero Tâmara, de Brasília, levou a última copia de “Tribe” oferecida por esta coluna. E pra quem já estava com saudades do HIM, a promoção da semana é um cobiçado VCD pra ver em DVD ou computador com uma coletânea de clipes e apresentações ao vivo da banda.

Manda um e-mail para [email protected] se tiver a fim de ver coisas como os clipes de “Funeral Of Hearts”, o novíssimo “ The Sacrament”, “Join Me In Death” e até uma apresentação ao vivo e pesadíssima de “Heartless”. Vai perder essa?


Obrigatório

Journey – Greatest Hits Live

Journey sem dúvida é uma das maiores bandas de arena de todos os tempos, e pouca gente conseguiu gerar tantos hits poderosos com apelo pop sem soar banal. E são a maioria desses sucessos que se encontra nesse maravilhoso “Greatest Hits Live”, um disco fortíssimo que quase não foi lançado. Gravado no início dos anos 1980, esse cd só saiu em 1998 por acaso, quando o pessoal da Sony resolveu mexer no baú e encontrou tapes de shows entre 1980 e 1983 com excelente qualidade de gravação.

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Remasterizado e com som impressionante, vários clássicos do conjunto estão presentes como “Don’t Stop Believin’”, After the Fall”, “Who’s Crying Now” e o melhor de todos: “Separate Ways (Worlds Apart)”, numa versão arrasa-quarteirão. Ao todo são 16 músicas agradáveis, daquele jeito que só o Journey sabe fazer com seu rock de bom gosto cheio de baladas.

O interessante é que não ficou parecendo uma coletânea de hits, do tipo que tem intervalos entre as músicas, mas sim um álbum ao vivo de verdade, e daqueles! Mas o melhor de tudo é que ele ainda está em catálogo no Brasil e faz parte da série “Live”, da Sony, que é vendida por um preço justo (dá pra achar por uns 14 reais), e vem com encarte completo (milagre!). É indispensável na discoteca básica de qualquer roqueiro que se preze.

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Sobre Ari Santa Lucia Jr

É jornalista, especializado em música, já tendo trabalhado para a Agência Reuters, Som Livre.com e DGolpe.com.

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