Paul Di'Anno em 2005 sobre Bruce Dickinson: "Não tem a voz para me substituir"
Por André Garcia
Postado em 23 de abril de 2024
Há bandas cuja preferência da fanbase é eternamente dividida entre fases marcadas por dois grandes vocalistas. Fãs de Black Sabbath se dividem entre Ozzy Osbourne e Dio; dos do AC/DC se dividem entre Bon Scott e Brian Johnson; os do Van Halen se dividem em David Lee Roth e Sammy Hagar.
O Iron Maiden não é uma dessas bandas: embora Paul Di'Anno e Blaze Bayley tenham gravado com uma um par de discos cada um, a maioria esmagadora dos fãs têm uma indiscutível preferência por Bruce Dickinson.

Afinal de contas, foi com ele que nos anos 80 o Maiden ficou mundialmente famoso com sua mais arrasadora sequência de álbuns: "The Number of the Beast" (1982), "Piece of Mind" (1983), "Powerslave" (1984), "Live After Death" (1985) e "Somewhere in Time" (1986).
Conforme publicado pela Blabbermouth, em entrevista de 2005 a Jeb Wright (então editor da Classic Rock Revisited) Di'Anno se comparou a Bruce Dickinson.
"Sim, eu já admiti que Bruce é melhor vocalista do Maiden do que eu. [...] Meu sentimento é que eu jamais poderia ter deixado minha marca nos álbuns do Maiden que vieram depois de 'Iron Maiden' e 'Killers', porque a voz de Bruce é muito mais adequada para aquele material do que a minha voz jamais poderia ser."
"No entanto, deixando isso de lado, também não estou comparando nossas vozes, pois acho que, por mais que eu não consiga cantar as músicas do Bruce no Maiden, Bruce definitivamente não tem — e nunca teve — a voz para me substituir nos dois primeiros álbuns clássicos."
"[...] Bruce soa incrível em muitas faixas posteriores do Maiden, como 'The Trooper', 'Number Of The Beast' e '2 Minutes To Midnight', mas vamos admitir (sem querer soar arrogante aqui, estou só dizendo o que todo mundo já sabe) quando Bruce tenta me imitar em clássicos como 'Remember Tomorrow', 'Running Free', 'Wrathchild', 'Killers' ou qualquer coisa dos dois primeiros álbuns do Maiden… ele simplesmente não tem as ferramentas para o trabalho, pois a agressividade não está lá.
"Minha voz é, e sempre será, mega agressiva e foi isso que ajudou a fazer daqueles dois primeiros álbuns clássicos o que eles são. Por outro lado, a voz aguda e [...] operística de Bruce é o que ajudou a dar aos álbuns seguintes um caráter diferente."
"Sua voz pode dizer muito sobre seu passado. A minha mostra o tipo de passado rude e de classe baixa que eu tive; já a voz de Bruce dá a impressão de que ele foi um garoto de escola particular", concluiu.
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