Resenha - 13 - Black Sabbath

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Resenha - 13 - Black Sabbath


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É praticamente impossível resenhar um disco de tamanha importância mantendo-se neutro a primeira audição. O lado fã sempre se sobressai tanto negativa, quanto positivamente. Cria-se uma expectativa muito grande quanto ao lançamento, desta forma o disco pode ser ou uma grande decepção, ou pode ser superestimado. Sem gravar um disco com Ozzy Osbourne no vocal desde 1978, quando lançaram “Never Say Die”, o lançamento deste disco do BLACK SABBATH fez com que a ansiedade dos fãs fosse quase palpável.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Com muita dificuldade e concentração, consegui ouvir o disco sem nenhuma expectativa, desta forma pude acompanhar a paixão com a qual ele foi feito, mas também pude perceber que está longe de ser um clássico da banda, mesmo sendo muito acima da média.

Em primeiro lugar, gostaria de destacar a performance de cada músico no decorrer do disco:

Tony Iommi, como não podia ser diferente, nunca falha. Pode ter gravado um ou outro disco menos inspirado, mas sua capacidade de criar riffs marcantes é indiscutível. Em "13" não é diferente, Iommi despeja toneladas de riffs por todas as músicas e peca em poucos momentos. Seus solos também são emocionantes e nos deixam arrepiados música após música.

Geezer Butler é, em minha opinião, o destaque do disco, dando o sangue em cada nota tocada. O peso de seu baixo é impressionante, remetendo facilmente ao clássico álbum de estréia da banda. Não é um músico absurdamente técnico, mas compensa com um feeling acima da média.

Ozzy Osbourne faz o melhor que pode dentro das limitações que a idade avançada lhe impõe. Empolga em muitos momentos, cantando ora de forma vigorosa, ora de forma melancólica, ora de forma melódica, mas em alguns momentos lhe falta um pouco de pegada. Mas o que realmente não agradou muito no vocal de Ozzy é a gravação quase robótica de sua voz em muitos momentos, que se assemelha muito aos seus últimos lançamentos solo.

Brad Wilk (RAGE AGAINST THE MACHINE, AUDIOSLAVE), que substituiu Bill Ward na bateria, não faz mais que o papel de um mero coadjuvante, não compromete o trabalho, mas também empolga em poucos momentos.

Coloco o disco pra tocar e sou surpreendido pelo absurdo que sai das caixas de som. Já de cara temos a melhor faixa do disco: “End of the Beginning” poderia facilmente figurar nos discos clássicos da banda e remete a músicas como “Black Sabbath” e “War Pigs”, sem soar como uma mera cópia. O andamento soturno da música a deixa extremamente sombria, com riffs poderosos de Iommi, como era de se esperar, um peso absurdo no baixo de Geezer e uma interpretação matadora de Ozzy. Por volta de 5:25 de música já temos um dos momentos mais emocionantes do disco, com um solo inacreditável de Iommi e uma interpretação melodiosa e marcante de Ozzy logo em seguida. De arrepiar. É quase impossível não acompanhar Ozzy cantando "Alright. Okay. Till they set you free..."

“God is Dead?” foi a primeira a ser divulgada do disco e é a música de trabalho de “13”. A faixa é uma sequência natural para a música anterior e novamente somos surpreendidos com o peso, especialmente do baixo de Geezer. Ozzy Osbourne faz uma excelente e melancólica interpretação, encaixando muito bem com o andamento da música e com a letra pessimista, que é uma das melhores já escritas pela banda. É fácil perceber como Ozzy continua sendo um intérprete incrível, sendo um dos principais do gênero, ao lado de caras como Bruce Dickinson, Ronnie James Dio e King Diamond, por exemplo.

A banda não baixa o ritmo. “Loner” é rápida e muito pesada, se encaixaria tranquilamente no disco “Master of Reality”. É uma faixa mais reta e menos elaborada que as anteriores, mas ainda assim é muito boa, mantendo o disco num nível muito alto. Iommi se mostra atualizado com um solo bem moderno.

“Zeitgeist” remete claramente a “Planet Caravan” do disco “Paranoid”, mas sem a mesma genialidade. Não é uma música ruim, mas é facilmente a mais fraca do álbum. Apesar de soar um pouco forçada, Ozzy faz uma boa interpretação e do meio para frente ela se torna mais uma balada do que uma faixa experimental, com um solinho meio blues bem interessante.

O peso volta com tudo em “Age of Reason”. Nesta faixa fica evidente a qualidade da gravação, deixando todos os instrumentos bem audíveis, apesar de que muitos fãs esperassem uma gravação mais suja e saudosista. Os músicos mostram um entrosamento poucas vezes antes visto, todos jogam pelo time, sem querer ficar aparecendo mais que o companheiro. Por volta dos 4 minutos, a música dá uma reviravolta e fica ainda mais pesada. Na parte do solo você começa a se perguntar de onde vem tanta genialidade do mestre Iommi, que não soa repetitivo em nenhum momento, mesmo depois de mais de 40 anos de carreira.

“Live Forever” é uma música empolgante e lembra bastante a época do “Paranoid”. É um pouco menos cadenciada que as anteriores e tem um refrão muito bom. “Live Forever” e “Zeitgeist” são as únicas do track list normal que tem menos de 5 minutos no disco. Uma faixa mais simples e direta, mas muito eficiente.

“Damaged Soul” tem riffs bem ‘americanizados’. A bateria apresenta algumas variações interessantes, sendo a melhor participação de Brad Wilk no disco. Esta é a faixa mais distinta do restante do álbum e mostra o quanto os músicos ainda são criativos e podem se reinventar, sem perder sua essência. Ao final da música temos praticamente uma ‘jam’ com Iommi, Butler e Wilk quebrando tudo.

Encerrando o track list normal do disco, temos “Dear father” com um riff encorpado e com uma evolução nítida, tornando-se mais interessante conforme se desenvolve.

A versão ‘Deluxe’ vem com três faixas bônus, que poderiam e deveriam estar inclusas no set list normal do álbum, pois são do mesmo nível e em alguns casos até superiores às demais.

“Methademic” é a mais rápida do disco e é muito empolgante, mostrando que os músicos ainda têm muito gás pra queimar. Os riffs de Iommi lembram bastante as épocas do “Heaven and Hell” e “Mob Rules”.

“Peace of Mind” segue a mesma linha do restante do álbum com riffs incrivelmente pesados e novamente uma aula de Geezer, tocando com um peso incrível, ouso dizer que é uma das melhores atuações do baixista pela banda.

Fechando o disco, temos “Pariah”, que começa melancólica e com belas melodias, mas logo cresce e se torna uma das melhores faixas do disco. Convida a bater cabeça com riffs oras Hard, oras beirando o Thrash, na linha do METALLICA. Tem um dos mais emocionantes solos do álbum, encerrando-o com chave de ouro.

“13” dificilmente vai estar no TOP 5 de qualquer fã do BLACK SABBATH, mas é um disco muito bom e consistente. A banda não se satisfez em gravar mais do mesmo e soar como uma parodia de si mesmos, nem tampouco vão mudar a história da música com este disco, como fizeram nos anos 70, mas puderam mostrar que ainda tem capacidade e criatividade para lançar um disco de qualidade, fazendo com que esta nova reunião e o lançamento de um novo disco depois de tanto tempo não soe apenas como um ‘caça-niqueis’ para engordar ainda mais a poupança dos músicos.

13 – Black Sabbath (2013 – Vertigo, Universal)

Track List:
1 - End of the Beginning
2 - God is Dead?
3 - Loner
4 - Zeitgeist
5 - Age of Reason
6 - Live Forever
7 - Damaged Soul

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Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

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