RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos
Resenha - Getaway - Red Hot Chili Peppers
Por Lucas Matos
Postado em 18 de junho de 2016
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Nota: 8 ![]()
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Há algum tempo o Red Hot Chili Peppers vinha procurando uma renovação no seu já característico som. A fórmula que vinha durando desde o disco Californication (1999) estava desgastada. A prova disso foi o último disco do quarteto, o mediano I'm With You (2011). A busca por uma reinvenção também se deve ao "novo" guitarrista da banda, Josh Klinghoffer (que vem substituindo John Frusciante desde 2009), que desde sua entrada vem quebrando a cabeça pra sair um pouco da sombra de seu antecessor e imprimir um estilo próprio no som dos Peppers.
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A solução encontrada pela banda foi simples: romper com Rick Rubin, produtor que estava com a banda desde 1991, e trazer Danger Mouse (Black Keys, Gnarls Barkley, U2). O resultado foi "The Getaway", décimo-primeiro disco de estúdio da banda, o segundo com Josh nas seis cordas.
O primeiro single, "Dark Necessities", também a primeira música a ser liberada a público, causou um verdadeiro espanto nos fãs da banda, por se tratar de uma música movida pelo... piano (!!!). Apesar da estranheza, a música é excelente e logo causa a vontade de cantar junto após algumas audições.
A faixa-título, liberada logo depois, causou ainda mais estranheza. Uma música calma e minimalista, porém com uma ótima melodia e um lindo refrão, como faixa de abertura do disco?
A funky "We Turn Red", com uma pitada de Black Keys (coincidentemente, ou não, banda produzida por Danger Mouse), acalmou um pouco os fãs, mas ainda se suspeitava o que viria por aí, até o lançamento do disco no dia 17 de junho, no caso hoje, data que essa resenha está sendo escrita.
A primeira impressão sobre "The Getaway" é "surpreendente". É um disco cheio de elementos novos porém o som dos Peppers ainda continua ali. Alguns destaques são:
"The Longest Wave", uma linda balada com uma intro de guitarra caprichada típica de músicas como "Under the Bridge" e "Soul to Squeeze" (ponto para o Josh!) e um Anthony Kiedis emocionado em sua interpretação.
"Sick Love", que mistura um swing malandro e sexy com uma dose de sintetizadores e o piano de ninguém menos que Sir Elton John! De quebra, o mesmo trouxe Bernie Taupin para ajudar nas letras. Definitivamente uma das melhores desse disco.
"Feasting on the Flowers" e "Goodbye Angels" são talvez as que mais lembrem o RHCP antigo. Enquanto a primeira vem groovada e com ótimos riffs de guitarra, a segunda possui a intensidade e a energia que lembra um pouco os tempos do "By the Way" (2002).
"Go Robot" talvez seja a mais "patinho feio" do disco, por ser um eletropop repleto de sintetizadores, que só é perceptível como uma música dos Peppers graças aos slaps de Flea. Mesmo assim, excelente canção!
Mais pro final, "Encore" traz uma melodia profunda com um entrosamento de baixo/guitara intenso de Flea e Josh complementado por um quarteto de cordas ao longo da canção. Destaque para o refrão!
Encerrando o disco, temos a psicodélica e apoteótica "Dreams of a Samurai", com seus seis minutos de duração, tempos quebrados de bateria e até mesmo um coral!
"The Getaway" foi muito mais do que era esperado e trouxe aos Peppers uma verdadeira lufada de ar fresco. Talvez o único ponto negativo foi a presença menos imponente do baterista Chad Smith, perceptível em metade das músicas do disco. Porém, nada que atrapalhe.
Danger Mouse soube extrair leite de pedra de uma banda com mais de 30 anos de carreira, especialmente do novato Josh, que agora mostrou a que veio, mandando excelentes riffs e finalmente "deixando o monstro sair da jaula" e conquistar seu espaço. Vale a audição no carro! Curta sem precedentes!
1 - The Getaway
2 - Dark Necessities
3 - We Turn Red
4 - The Longest Wave
5 - Goodbye Angels
6 - Sick Love
7 - Go Robot
8 - Feasting on the Flowers
9 - Detroit
10 - This Ticonderoga
11 - Encore
12 - The Hunter
13 - Dreams of a Samurai
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