O Sepultura voltou. Essa é a conclusão que tive ao terminar a audição do álbum "Kairos", o décimo-segundo da carreira da banda mineira, que será lançado oficialmente no dia 24 de Junho do corrente ano. Não que álbuns como "Dante XXI" sejam descartáveis, na verdade a realidade é bem distante disso, porém é notável - e surpreendente o quanto o novo trabalho é destruidor e REALMENTE empolgante. O álbum na verdade chama a atenção em vários pontos, desde os riffs espetaculares, a bateria bem trabalhada, passando pelo vocal, mixagem, e os solos. Sim, solos. Posso afirmar com toda a certeza que já faz quase 20 anos que o Sr. Andreas Kisser não faz solos em todas as músicas, e principalmente, solos memoráveis, dignos de álbuns como "Beneath The Remains" e "Arise". E agora, tanto tempo depois temos isso novamente. Destacados os primeiros pontos, partiremos para a análise propriamente dita.
Nota: 10 









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"Spectrum" inicia o álbum de uma forma bem cadenciada, e despretenciosa. A música é bem simples, diga-se de passagem, porém já mostra os primeiros sinais de mudança em relação aos trabalhos anteriores. O timbre da guitarra está melhor (Bem melhor), o solo é bom e o vocal é acima da média. Apesar de não ser espetacular a faixa dá mostras do que virá a seguir.
"Kairos", a faixa título, já havia sido liberada há algum tempo, sendo a música já bem conhecida dos fãs. É ai que os riffs abafados, citados no começo da resenha começam a aparecer. A faixa é um thrash "mid-tempo" muito pesada e com sinais de criatividade muito interessantes de Andreas Kisser. O vocal de Derrick nessa música impressiona e a bateria de Jean, mesmo que simples cumpre bem o papel. Boa faixa.
"Relentless", a terceira do álbum, é assim como as outras muito pesada e tem muito groove, porém aqui a velocidade começa a aumentar. É interessante que nesse álbum a velocidade começa lá em baixo até descambar para o que teremos no final... Enfim, prossigamos. Em poucos mais de três minutos a música não tem muitas mudanças de andamento porém a mesma se mostra bem eficiente. E o solo... Ouça e confira. Kisser kicks ass! A primeira intro do álbum ("2011") dá as caras, sem tirar muito a coesão do trabalho, até que "Just One Fix", cover do Ministry soa nos auto-falantes. Há quem tenha odiado a versão, porém eu, que não sou muito fã de Industrial achei a versão do Sepultura bem interessante e adaptada as caracteristicas do quarteto. Boa escolha!
Posso estar errado, mas ao ler as entrevistas de divulgação do trabalho e ter ouvido o álbum depois, eu tive a impressão que o começo do álbum soa como o Sepultura recente voltando faixa após faixa as raízes da banda, porém carregando o melhor obtido nesses anos pós-Max. Sendo assim o começo do álbum, bem lento e com muito groove, vai dando lugar, pouco a pouco a faixas com maior velocidade e peso, remetendo aos bons tempos da era death/thrash. E a sexta música "Dialog" ao meu ver aparece como a divisora das duas eras. A faixa que no início tem uma levada bem contagiante e atual, vai ganhando peso, até que um excelente solo (mais um), serve de porta de entrada para as palhetadas monstruosas de Kisser, e porque não como uma intro para a próxima música, a primeira da sequencia mais brutal do disco.
"Mask" já começa com as guitarras pedindo espaço, anunciando o massacre que está por vir. O que dizer então da bateria pesadíssima e dos blast-beats no refrão? Sinceramente não esperava ouvir isso do Sepultura de novo. Que bom que eu estava enganado. Mais um solo competente e o vocal de Derrick novamente destruindo e temos aqui uma das melhores faixas da banda em anos. Destaque para o final totalmente death. Prosseguindo temos a breve "1433" que dá lugar a 'Seethe", outra faixa que já é conhecida dos headbangers, já que a mesma vem sendo executada a alguns meses nas apresentações da banda. Velocidade e peso é o que temos aqui. Mas quem pediu outra coisa? "Born Strong", que nos remete aos tempos de "Arise", é na minha humilde opinião a melhor faixa do play. Com algumas mudanças de andamento e mais riffs insanos a música se destaca por completo. E ai já percebo que meu pescoço começa a doer. Bom sinal.
"Embrace the Storm", é provavelmente a composição do álbum que mostra a maior coesão dos membros da banda, com um merecido destaque para Jean e Kisser. Mais uma das melhores do álbum. Riffs, riffs e mais riffs! Incrível. Penúltima intro ("5772") e damos de cara com a música mais Thrash do trabalho. Remetendo a algo de Schizophrenia/Beneath The Remains/Arise, "No One Will Stand" destrói tudo. Inclusive o que estiver por perto enquanto você escuta a mesma. Melhor trabalho de guitarra/bateria/baixo do álbum. Bom, nessa altura do campeonato lembro que alegria de pobre dura pouco já que o álbum já está acabando. A 14º faixa "Structure Violence (Azzes)" é a mais experimental do álbum o que não faz a mesma ruim - longe disso. Contando com a parceria do grupo percussivo francês "Les Tambours du Bronx" a faixa se mostra deveras interessante, assim como "4648" que fecha o melhor álbum do Sepultura em muito, muito tempo.
Qual a conclusão disso tudo? Diga-mos que é complicado afirmar que a banda voltará ao topo novamente, mas agora em pleno 2011, se isso acontecer, motivos e merecimento não faltará. Max e Igor sempre serão lembrados como ícones e revolucionários de um estilo, porém a tão sonhada reunião já não faz mais tanto sentido. Não se a banda continuar assim. É, o Sepultura voltou. Kill The Time!
Tracklist:
1. "Spectrum" (4:03)
2. "Kairos" (3:37)
3. "Relentless" (3:36)
4. "2011" (0:30)
5. "Just One Fix (Ministry cover)" (3:33)
6. "Dialog" (4:57)
7. "Mask" (4:31)
8. "1433" (0:31)
9. "Seethe" (2:27)
10. "Born Strong" (4:40)
11. "Embrace the Storm" (3:32)
12. "5772" (0:29)
13. "No One Will Stand" (3:17)
14. "Structure Violence (Azzes)" (5:39)
15. 4648 (00:29)
16. Firestarter (The Prodigy Cover) (04:30)
17. Point Of No Return (03:24)
Postado originalmente em:
http://justkillthetime.com/index.php/cds/94-sepultura/745-sepultura-kairos.html...
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Nascido no Triângulo Mineiro, Arthur Matos trabalha no mercado livreiro e é fundador e editor do site Just Kill The Time. Estudante de Relações Internacionais e administração, teve contato com o Rock desde cedo e logo se viu imerso em um mundo onde não há saída. Fã de (quase) todas as vertentes do Rock, tenta ajudar a cena que tanto gosta de uma forma ou de outra, seja trabalhando com bandas, comprando um CD ou vendendo os mesmos. Acredita que Varg é o gênio do mal mais talentoso do mundo. Também acredita que o Iron Maiden nunca deveria acabar.
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