A forte canção de Raul Seixas que confronta dor, fracasso e esperança de seguir em frente
Por Bruce William
Postado em 17 de abril de 2025
A música "O Homem", lançada no disco "Há 10 Mil Anos Atrás" (1976), é uma das mais carregadas de força simbólica e consciência social da obra de Raul Seixas, relata Jotabê Medeiros no livro "Raul Seixas: Não diga que a canção está perdida" (Amazon). Em meio a um álbum que mistura misticismo, autobiografia e crítica social, essa faixa se destaca por seu engajamento direto e por uma sequência de versos que, aos poucos, revelam um personagem em reconstrução, alguém que decide voltar, ficar, chegar e cantar, mesmo vindo de um lugar de dor e dúvida.

A imagem do "elevador dos fundos, que carrega o mundo sem sequer sentir" é uma das mais poderosas que Raul já escreveu, diz Jotabê. Em poucas palavras, ele sintetiza a vida de quem move a engrenagem do mundo sem reconhecimento, sem afeto e, muitas vezes, sem consciência do próprio valor. É uma denúncia sutil, mas afiada, sobre as camadas sociais que sustentam tudo enquanto seguem invisíveis.
Ao longo da música (youtube), Raul cria uma cadência de verbos no futuro: "vou voltar, vou ficar, vou chegar, vou ferver, vou viver, vou surgir", que transmite não só movimento, mas também afirmação de existência. É como se a canção fosse o recomeço de alguém que passou pela dor e decide não só resistir, mas transformar o mundo ao redor. A repetição vira insistência. E a insistência vira ato político.
Num dos trechos mais sinceros, ele canta: "Esse meu canto que não presta, que tanta gente então detesta / mas isso é tudo o que me resta, nessa festa..." A crítica aqui não é dirigida ao público, mas sim a um sistema que tenta enquadrar sua arte, desqualificando-a como ruidosa ou desordeira. Raul reconhece o olhar torto que seu som recebe de setores conservadores, mas também afirma: esse é o canto que ele tem, e Raul vai usá-lo até o fim.
A sequência final é quase cinematográfica: "Vou surgir / Numa tempestade doida pra varrer as ruas em que eu vou seguir". O homem que volta no início é o mesmo que agora assume seu poder transformador, que se lança como uma força da natureza. Mesmo carregando dores escondidas no peito, ele se ergue para varrer, limpar, recomeçar e seguir em frente.
Então, mais do que uma letra sobre persistência individual, "O Homem" é também um gesto de solidariedade com os marginalizados, os despossuídos e todos aqueles que andam pelos trilhos sem jamais serem vistos. Nela, Raul canta por eles - e com eles.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Metal Hammer e Classic Rock ranqueiam discografia do Metallica do pior ao melhor
Brian May diz que ele e Tony Iommi estão no novo álbum do Capitão Kirk
A canção que Renato Russo escreveu e a Legião Urbana preferiu esconder do público
Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
Tony Iommi recusou gravar último álbum com o Black Sabbath original
Regis Tadeu elege melhores e piores shows do primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 2000 e 2020, segundo a Metal Hammer
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Lito Sousa, do Aviões e Músicas
A canção que Axl Rose gravou sob efeito de cogumelos e que deixou o Guns N' Roses furioso
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
O momento que Duff McKagan considera um dos mais importantes da história do Guns N' Roses
A música que Bruce Springsteen escreveu tentando criar o maior rock de todos os tempos
Por que o último show do Sepultura mudou do Pacaembu para uma casa menor?
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer

A impagável reação de Raul Seixas após tomar sopa de letrinhas da Xuxa
5 clássicos do rock nacional que não seriam lançados hoje
O verso de "Metamorfose Ambulante" que guarda o maior segredo de Raul Seixas
Gravação inédita de Raul Seixas cantando Rolling Stones é lançada oficialmente
7 clássicos do rock nacional com mais de cinco palavras no título
Raul Seixas: cadáver do cantor não havia se decomposto até 2012, segundo biógrafo
As aventuras de Raul Seixas na academia: "Sapato, meia social e bermuda agarradinha"


