Sepultura: Enfiando pé no acelerador, sem medo de ser feliz

Resenha - Kairos - Sepultura

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Thiago El Cid Cardim
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Se você é uma daquelas choronas viúvas dos irmãos Cavalera, que se derrama em lágrimas porque ambos não fazem mais parte do Sepultura (que, para você, nem deveria ter mais este nome, que é uma indignidade que os atuais membros o continuem usando, e blábláblá), sinto em informar que pode ser difícil ter que engolir “Kairos”. O mais recente lançamento de estúdio da banda é impressionantemente bom. Aliás, mais do que isso: é ótimo, é excelente. É o Sepultura (goste você ou não) em ótima forma, visceral, acelerado, intenso, vigoroso. E fazendo thrash metal puríssimo, no melhor espírito de clássicos como “Arise” e “Chaos A.D.”. Sei que você deve achar um pecado que eu esteja fazendo esta comparação. Mas eu não me importo, já que é a verdade nua e crua – tão crua, aliás, quanto a paulada na orelha que “Kairos” oferece a todo fã de boa música. E no final, é isso que importa: quero ouvir música boa, sem interessar quem diabos está tocando a dita cuja. Música boa sempre vai ser música boa. Não precisa ter o sobrenome “Cavalera”.
58 acessosButeco do Rock Podcast: álbuns de 20175000 acessosBob Daisley: baixista dá detalhes de sua briga com Osbourne

Foto da chamada: Roberta Forster

“Kairos” é mais um álbum conceitual do Sepultura, depois de “Dante XXI” (sobre o livro “A Divina Comédia”) e “A-Lex” (sobre “Laranja Mecânica”, livro que virou o genial filme de Stanley Kubrick). Aqui, no entanto, o conceito sobre o qual a banda trabalhou é rigorosamente outro, muito mais sutil e delicado. “Kairos” é uma expressão grega que quer dizer “momento especial, de grande mudança”. Seguindo por esta linha, o Sepultura analisa a sua própria história, seu passado, seu presente e seu futuro. Aqueles que se debruçarem sobre as letras do novo disco com mais cuidado, poderão facilmente desenvolver uma série de teorias sobre quem são os personagens citados aqui e ali, se Max e Iggor estão sendo mencionados de fato. Não quero, de coração, entrar neste mérito. Deixo esta tarefa para vocês.

O que vale em “Kairos” é perceber que, nesta auto-análise de sua trajetória, o Sepultura (pela primeira vez, trabalhando com a competente produção de Roy Z, que já fez os discos de Bruce Dickinson e do Judas Priest) olhou para as suas origens musicais e foi buscar justamente nas raízes a influência para a sonoridade do disco. Ficaram de lado os flertes com o hardcore e mesmo com um tipo de metal mais experimental, quase nu metal, que andaram rondando os lançamentos mais recentes. Em “Kairos”, o quarteto inspira e respira thrash metal, aquele thrash técnico e raivoso, com a fúria de quem quer mostrar serviço – mas sem soar atado, sem abrir mão de ser um lançamento atual e moderno. E eles conseguem.

O grandalhão Derrick Green já é vocalista do Sepultura há 13 anos, tendo lançado seis discos com a banda. Mesmo assim, continua tendo que aturar as comparações com o trabalho de Max. Sem sentir o peso dos paralelos, ele entrega o que talvez sejam algumas de suas melhores performances no comando do microfone do Sepultura, berrando com os pulmões e com o coração em faixas como “Relentless” e “Born Strong”. Já Jean Dollabella, substituto recente de Iggor nas baquetas do grupo, não fica atrás e mostra a que veio, seja numa cavalgada nervosa como aquela que dá o tom para “No One Will Stand” ou na levada mais ritmada (mas, nem por isso, menos pesada) de “Dialog”.

O grande destaque, no entanto, fica mesmo por conta de Andreas Kisser. O guitarrista, atualmente líder inconteste da banda e seu principal porta-voz, despeja uma coleção de riffs cortantes, intrincados e em alta velocidade, coisa que vinha faltando um tantinho em seus trabalhos mais recentes. Ouvir as aberturas de “Mask” (talvez a melhor música do disco) ou “Embrace the Storm” já dá a exata medida de o que se pode esperar do músico em “Kairos”. É a principal diferença com relação aos lançamentos mais recentes da discografia do grupo e o grande tempero deste álbum.

“Kairos” é o Sepultura enfiando pé no acelerador, sem medo de ser feliz. E a gente espera que continue assim. Com ou sem um sobrenome famoso para servir de assinatura.

Line-up:
Derrick Green – Voz
Andreas Kisser – Guitarra
Paulo Jr. – Baixo
Jean Dollabella – Bateria

Tracklist:
1. Spectrum
2. Kairos
3. Relentless
4. 2011
5. Just One Fix (cover do Ministry)
6. Dialog
7. Mask
8. 1433
9. Seethe
10. Born Strong
11. Embrace the Storm
12. 5772
13. No One Will Stand
14. Structure Violence (Azzes)
15. 4648

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Kairos - Sepultura

2214 acessosSepultura: Em 2011, o regresso ao Thrash Metal3351 acessosSepultura: Kairos é o melhor álbum com Derrick Green2446 acessosSepultura: Vivendo seu momento oportuno em "Kairos"2280 acessosSepultura: Buscando referências no passado sem soar datado3419 acessosSepultura: Evidenciando sobrevida para o ícone do thrash4315 acessosSepultura: "Kairos" é um bom disco. Sim, apenas bom.3708 acessosSepultura: Uma regressão, mas no melhor sentido possível5000 acessosSepultura: Retornando aos bons tempos da era death/thrash5000 acessosSepultura: Definitivamente não é mais uma banda de thrash

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 13 de setembro de 2011

SepulturaSepultura
"Chaos A.D." e "Roots" ganharão versões expandidas

58 acessosButeco do Rock Podcast: álbuns de 20171282 acessosSepultura: completamente diferente, sem medo de arriscar!0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Sepultura"

Max CavaleraMax Cavalera
Por que ele saiu da Roadrunner Records?

Black SabbathBlack Sabbath
Ícones do metal nacional se despedem da banda

Andreas KisserAndreas Kisser
Como ele quase tocou para o Metallica em 1992

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Sepultura"

Ozzy OsbourneOzzy Osbourne
Bob Dasley abre jogo sobre os podres do Madman

Mike TerranaMike Terrana
"Malmsteen foi uma das piores pessoas que conheci!"

Iron MaidenIron Maiden
A tour de Powerslave quase acabou com a banda

5000 acessosMetallica: garoto de 10 anos destrói com Enter Sandman em programa de TV5000 acessosRatos de Porão: O elogio de João Gordo aos garotos do Restart5000 acessosNirvana: Polícia de Seattle libera novas fotos do corpo de Cobain5000 acessosRock Cristão: alguns dos principais discos nacionais do gênero5000 acessosLindemann: Tägtgren salvou vocalista do Rammstein de surra5000 acessosSolos de guitarra: lista dos 50 melhores segundo a NME

Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

Mais informações sobre Thiago El Cid Cardim

Mais matérias de Thiago El Cid Cardim no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online