Sepultura: Em 2011, o regresso ao Thrash Metal
Resenha - Kairos - Sepultura
Por João Nuno Simões
Fonte: joaonvno2009
Postado em 09 de abril de 2014
Há muito tempo que eu (e mais pessoas) tinha perdido a esperança de algo mais Thrash dos Sepultura, na onda de um "Arise" e "Chaos A.D."". Até (ao "Morbid Visions") 1986, os irmãos Cavalera e companhia praticavam um Death Metal com algumas influências de Black Metal, decadente e de excelente qualidade. Do "Schizophrenia" ao "Arise" ouvimos uns Sepultura no seu auge tendo uma repercussão a nível mundial incrível com um Thrash Metal divinal e muito próprio deles. Mas é mesmo no "Chaos A.D." (Thrash/Groove Metal) que o nome dos Sepultura percorre todo o mundo, inclusive, foram a primeira banda sul-americana a tocar no Monsters Of Rock, em Inglaterra, no Donington Park. Em "Roots", de 1996, os Sepultura já mostram pequenos sinais de mudança, com um Groove/Thrash mais alternativo, Nu Metal, o que lhe quiserem chamar… Em Dezembro desse ano Max Cavalera abandona a banda e em 1998, já com norte-americano Derrick Green na voz, os Sepultura lançam um novo longa-duração intitulado "Against", que marca o início daquilo que para muitos foi o fim dos Sepultura. Polémicas à parte, a banda ainda lançou bons álbuns como "Against" (2001), o "Nation" (2001) e o "Roorback" (2003), este último na minha opinião, o mais fraco da banda. "Dante XXI" é um grande álbum, com alguma variedade (no bom sentido) e uma atmosfera e um conceito espectaculares. "A-Lex" já mostra que os Sepultura estavam a regressar às sonoridades mais pesadas e agressivas, com malhas estrondosas como "Moloko Mesto" ou "What I Do!", e, num som mais sinfónico temos também "Ludwig Van", um tributo ao grande músico/compositor Beethoven.
"Kairos", com edição a cargo da gigante Nuclear Blast, dá-nos a sensação de uma banda mais unida e coesa, representa um regresso ao Thrash Metal característico de "Chaos A.D." e "Arise" e representa também um abandono parcial do som com algum Hardcore dos últimos álbuns, temos grandes riffs, solos bem compostos, bons padrões rítmicos, a voz do Derrick está muito melhor, a bateria de Jean Dolabella está mais uma vez muito bem trabalhada, as guitarras e os solos têm um peso bastante significativo (pena que ao vivo não seja assim) e a composição do guitarrista Andreas Kisser, merece todo o crédito por este regresso ao passado. Não anseiem uns Sepultura do "Arise", mas também não esperem os Sepultura destes últimos álbuns. Se continuarem assim nos próximos álbuns vai ser bastante bom.
Podemos dividir o álbum em 3 partes bem distintas: as faixas um pouco alternativos como no "A-Lex", aquelas introduções ("2011", "1433" e "4648") que não estão ali a fazer nada, e aquelas mais Thrash/Groove idênticas aos álbuns antigos já referidos. "Spectrum" (a primeira música) e "Dialog" são duas faixas bastante boas, mais Groove, lentas, e bastante interessantes a contrastar com faixas mais rápidas e agressivas como "Relentless" (com aquele início a fazer lembrar uma "Refuse/Resist") ou a "Just One Fix" dos Ministry, um cover muito bem feito com aqueles riffs e solos espectaculares a juntar à voz (mais) agressiva de Derrick. "Mask" é uma das faixas mais pesadas e rápidas e, consequentemente, uma das mais bem conseguidas. "Seethe" é também outra grande música, com aquele solo inexplicável e com alguns efeitos na voz que nem ficam mal de todo. "Born Strong" é na minha opinião a melhor música do álbum, aquela parte inicial (que rapidamente dá lugar aos caos e destruição) está diabólica. "Embrace The Storm" é uma faixa mais Groove/Hadcore mas muito boa também. "No One Will Stand" é a faixa mais rápida e pesada deste registo: é muito violenta e ofensiva, é uma bujarda autêntica! "Structure Violence (Azzes)" é mais uma daquela faixas tribais dos Sepultura bastante boas, mas desta vez, um pouco mais moderna, com mais efeitos, ideal para terminar o álbum.
Vai ser mais um álbum de Sepultura bastante polêmico, apenas pelo facto (da velha história) de não lá estar o Max e o Igor Cavalera. Não vai agradar a todos, e sim, vai haver muita gente a dizer que o álbum está uma mau sem sequer ouvir, mas pelo menos, se são (ou eram) verdadeiros fãs de Sepultura ouçam este novo registo que, como já disse, está bastante bom, e para quem tinha perdido a esperança de ouvir algo mais Thrash têm agora a oportunidade de voltar a "abraçar" o coração dos Sepultura.
Escrito originalmente em:
http://joaonvno2009.blogspot.pt/2011/06/sepultura-kairos.html
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