Quando o Rush abriu para uma banda lendária e Alex Lifeson quase desistiu da guitarra
Por Bruce William
Postado em 16 de abril de 2025
Antes do sucesso, o Rush ainda era apenas uma banda local tentando espaço no cenário musical do Canadá. Ao ouvir o primeiro álbum da banda, lançado em 1974, Alex Lifeson enxerga hoje "tanta promessa, tanta empolgação". A lembrança é clara e vívida: "Me lembro bem daquelas sessões. Dá pra ouvir o Led Zeppelin ali, [banda] que a gente adorava. E dá pra ouvir a esperança. A vontade de realizar o que sonhávamos há anos."
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Mas o reconhecimento não veio fácil. Segundo Lifeson, o primeiro momento em que achou que poderia ter chegado a algum lugar foi ao abrir para o New York Dolls no Victory Theater, em Toronto. O lugar era decadente, um antigo teatro burlesco "meio caído" como ele diz, mas que para eles, parecia Wembley. A combinação, no entanto, era improvável: o público estava ali pelos Dolls, não por uma banda de hard rock canadense que ainda dava os primeiros passos.
"Foi empolgante estar perto deles. Eles estavam bêbados antes de subir no palco. Tinham garotas no camarim. Era aquele típico clima de rock'n'roll. Nós, canadenses tímidos, ficamos no nosso canto." O pior veio depois do show. Lifeson e um amigo voltavam para casa de carona. "O casal que nos pegou comentou que tinha ido ao show e disse: 'Os Dolls foram incríveis, mas a banda de abertura... que lixo'. A namorada dele olhou para trás, viu minha guitarra e me reconheceu. Ficou aquele silêncio. Eu pedi: 'A gente desce no próximo quarteirão'. E pensei em jogar a guitarra fora. Foi nossa primeira crítica realmente ruim", lembrou em 2015 durante conversa com a Classic Rock, rindo da situação hoje em dia.
Apesar da timidez, o espírito competitivo existia, especialmente nos primeiros anos. "A gente tocava com várias bandas em shows com dois ou três nomes. Era comum rolar aquela vontade de ser melhor, de deixar a outra banda pra trás." Ele citou um episódio com a banda Heart, ainda em 1975, no Stanley Warner Theatre, em Pittsburgh. "Estava todo mundo falando das irmãs Wilson. A gente queria muito conhecê-las. E aí, nos bastidores, o Roger Fisher [guitarrista] chegou pra mim e disse: 'Vamos detonar vocês no palco hoje, se liga'. Achei aquilo tão estranho... mas acabei tocando com ainda mais garra naquela noite."
Quando o entrevistador pergunta se Roger Fisher venceu aquela batalha, Lifeson é sucinto: "Acho que, no fim das contas, não".
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