O significado de "se hoje sou estrela, amanhã já se apagou" em "Metamorfose Ambulante"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de abril de 2025
Lançada em 1973 no álbum "Krig-Ha, Bandolo!", a canção "Metamorfose Ambulante", de Raul Seixas, tornou-se um verdadeiro manifesto sobre a mudança e a fluidez da identidade. Com versos marcantes como "Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou", Raul apresenta uma visão do ser humano em constante transformação — sem verdades absolutas ou sentimentos imutáveis.
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De acordo com o site Letras.mus.br, esses versos mostram como os sentimentos são transitórios: "Hoje é de um jeito, amanhã é de outro; um dia odeia, no outro ama, depois volta a odiar; passa a sentir aversão; faz amor; finge sentir e depois realmente sente." Para o portal, essa instabilidade emocional não é um erro, mas uma característica essencial do ser humano. Assim como uma estrela que um dia brilha e no outro se apaga, o sujeito também vive fases de brilho e apagamento.
Já o site 102.3 clicRBS interpreta a letra como uma recusa a verdades fixas: "Metamorfose Ambulante quer mostrar que nenhuma verdade é absoluta. O que é certo pode estar errado e vice-versa." Quando Raul canta que prefere ser uma metamorfose ambulante a ter "aquela velha opinião formada sobre tudo", ele não está sendo contraditório, mas reafirmando que mudar de ideia é sinal de crescimento — não de incoerência.
Segundo o site Psicanálise Clínica, há ainda uma camada mais profunda na construção desse eu lírico, que dialoga com o inconsciente: "As emoções são fundamentais para o ser humano, pois têm funções e precisam ser externalizadas. […] É importante pontuar que [a identidade] é uma construção onde se vai vivendo a experiência da vida, se descobre a partir da prática." Nesse sentido, quando Raul canta "Sobre que eu nem sei quem sou", ele dá voz a uma angústia universal: a busca pela própria identidade, sempre incompleta, sempre em construção.
Por fim, a análise do site Even3 também aponta para essa multiplicidade do sujeito, especialmente quando Raul canta: "Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor / lhe tenho horror / lhe faço amor / eu sou um ator". Para o portal, essa sequência "expõe o movimento dialético presente na constituição subjetiva de um sujeito híbrido e inconcluso em sua formação". O cantor não está apenas reconhecendo sua contradição — ele está assumindo-a como parte essencial de quem é.
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