A música favorita de David Gilmour no Pink Floyd e que uniu a banda sem Roger Waters
Por Bruce William
Postado em 16 de abril de 2025
Durante boa parte da carreira do Pink Floyd, David Gilmour foi o músico mais discreto da banda. Enquanto Roger Waters assumia o protagonismo nos anos 1970, Gilmour se mantinha mais reservado, mesmo sendo um dos responsáveis por solos históricos e por boa parte do som que marcou o grupo. Após a saída de Waters, no entanto, ele passou a ser o principal porta-voz da banda, posição que nunca lhe pareceu confortável.
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Gilmour raramente responde quando perguntam qual é sua música favorita do Pink Floyd. Mas em uma ocasião específica, listou algumas faixas que considera entre as melhores. Estavam lá "Echoes", "Comfortably Numb", "The Great Gig in the Sky" e também "High Hopes", do álbum "The Division Bell", que ele destacou como uma das suas favoritas de todos os tempos da banda.
Lançado em 1994, "The Division Bell" foi o segundo álbum do grupo após a saída de Waters e marcou um momento de união entre os integrantes restantes. Embora Waters tivesse tentado barrar legalmente o uso do nome Pink Floyd, o grupo seguiu em frente. Com produção de Bob Ezrin e letras escritas por Gilmour em parceria com sua esposa, a escritora Polly Samson, o disco mostrou uma banda diferente, mas ainda coesa.
"High Hopes" foi a primeira música a ser esboçada para o disco e a última a ser finalizada. Isso fez com que ela acompanhasse toda a jornada de criação do álbum, funcionando como uma espécie de eixo. Segundo Ezrin, "ela deu ao álbum uma ideia central, algo ao redor do qual os conceitos se organizaram".
A letra traz referências à infância de Gilmour em Cambridge e a perdas que o tempo impõe. Muitos fãs interpretam a canção como uma espécie de despedida, não apenas de um tempo, mas também da convivência com Roger Waters. Ironicamente, porém, a faixa acabou sendo um símbolo de união, consolidando o Pink Floyd pós-Waters, ressalta a Far Out.
"High Hopes" também inspirou o título do álbum. O nome "The Division Bell" foi retirado de um verso da canção, após sugestão de Douglas Adams, escritor e amigo pessoal de Gilmour. E foi essa mesma música que ajudou a coroar o trabalho da banda no palco: em 2007, quando o grupo se reuniu para um último show na O2 Arena, em Londres, o evento recebeu o nome de "Celebration Day", mas o clima de despedida e celebração já estava todo ali em "High Hopes".
Para Gilmour, era a prova de que o Pink Floyd ainda podia funcionar como banda, mesmo sem seu antigo líder. Em vez de tentar reproduzir o passado, eles encontraram um novo caminho. E se "A Momentary Lapse of Reason" (1987) já havia mostrado um Pink Floyd diferente, foi com "The Division Bell" que essa nova fase se consolidou de vez.
Gilmour nunca deixou de reconhecer a importância do passado com Waters, mas em "High Hopes" ele e os demais integrantes demonstraram que ainda havia algo a dizer. A canção se tornou não apenas um símbolo do disco, mas também do renascimento do Pink Floyd em sua última formação.
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