Um dos maiores sucessos dos Stones, descrito como "porcaria" por Keith Richards
Por João Pedro Torres Pieroni
Postado em 14 de fevereiro de 2026
Nos anos 60, Mick Jagger e Keith Richards foram trancados na cozinha por seu então empresário, Andrew Oldham, eles tinham uma missão: escrever uma música que não fosse paródia nem imitação de algum ídolo do Blues, precisava ser algo próprio. Assim surgiu "As Tears Go By", um dos maiores sucessos da banda, desprezado pelos próprios integrantes no começo da carreira.
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Em seu livro autobiográfico "Vida", Keith Richards comenta que no começo da carreira dos Stones o ritmo de shows e de ''estrada'' tomava tanto tempo que a composição de suas próprias músicas era algo que nem lhes ocorria. Os primeiros trabalhos de estúdio eram basicamente covers de outros artistas que a banda admirava, como "Poison Ivy" e "Not Fade Away". A lenda da guitarra afirma que a banda tocava música americana para o público inglês e que faziam esse trabalho muito bem feito. "Já estávamos surpresos e atordoados de ver onde tínhamos chegado,e nos sentíamos muito felizes como intérpretes da música que adorávamos" conclui Richards.
Apesar do gosto da banda por covers, Andrew Oldham insistia que, sem faixas inéditas, as coisas não dariam certo no ramo musical. Foi assim que o empresário trancou Jagger e Richards em uma cozinha em Willesden e disse "Escrevam uma canção." O guitarrista se questiona no livro, o porquê da escolha de trancar os dois para compor e não outro membro, como Brian Jones, ele chega a conclusão de que o motivo foi a proximidade entre a dupla na época.
Keith relembra que ele e Mick ficaram a noite inteira na cozinha comendo o pouco de comida que tinham, urinando pela janela e claro, tentando compor alguma coisa. Enquanto testava alguns acordes na guitarra, Jagger deu duas frases para a música, "It is the evening of the day" e I sit and watch the children play", com o começo da letra e a sequência de acordes o resto foi fácil - "Não quero dizer que tenha sido uma coisa mística, mas não consigo dizer exatamente o que foi. Assim que pinta a ideia, o resto vem que vem."
A intenção não era escrever uma canção comercial, mas foi o que acabou acontecendo, parte pelo desejo do empresário em querer algo diferente do Blues tocado pela banda na época. Richards transparece que a composição de um material próprio foi algo surpreendente: a descoberta de um dom que nem ele reconhecia.
A canção não foi gravada pelos Stones de imediato, antes, em 1964, foi um sucesso na voz de Marianne Faithfull. Richards comenta em seu livro que depois de comporem "As Tears Go By", ele e Mick criaram montes de canções pops para "mocinhas românticas", ao mesmo tempo que Andrew sempre conseguia algum artista para gravar essas composições que a banda desprezava. "Mick e eu nos recusamos a incluir essas porcarias que escrevíamos no repertório dos Stones. Teriam rido tanto da nossa cara que seríamos obrigados a sair da sala."
Fato é que gostando ou não, "As Tears Go By" é um sucesso pop da banda, que abriu o caminho para suas próprias composições. É lembrada como uma icônica balada dos anos 60, seja pela voz de Marianne Faithfull, seja pelo vocal de Jagger e das cordas de Richards.
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