Os 5 álbuns que marcaram Poney, do Violator, e a suspensão na escola por tocar metal
Por Emanuel Seagal
Postado em 09 de abril de 2026
O Bangers Open Air 2026 está se aproximando e, além de diversas atrações internacionais, receberá o Violator, um dos grandes nomes do thrash metal brasileiro. No ano passado, o grupo brasiliense lançou o excelente "Unholy Retribution", que figurou aqui no Whiplash como um dos melhores lançamentos do ano.
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Enquanto aguardamos o vindouro show do quarteto, o Whiplash.Net conversou com o frontman Pedro "Poney". O músico relembrou seus primeiros contatos com a música pesada nos anos 90, a descoberta do metal extremo e a influência de gêneros como o hardcore em sua visão artística. Pegue os fones de ouvido e aumente o volume para conferir os discos escolhidos.
"Meu primeiro contato com o rock e os primeiros passos no heavy metal foram dados com o Capaça, guitarrista do Violator, numa aventura bem às cegas. Não tínhamos nenhuma figura de irmão mais velho ou alguém que pudesse guiar e indicar discos e bandas pra gente. É uma história muito comum entre muitos headbangers, né? Nós éramos crianças, somos amigos de infância, todos do Violator são nascidos em 1985. A gente começou a ouvir rock em meados dos anos 90 e heavy metal no final da década.
"Lembro de vibrar muito com a fita VHS que o Capaça gravou do Skol Rock 98, com o Iron Maiden e o Blaze se apresentando. Apesar de acharmos um pouco esquisita e engraçada a performance do Blaze, naquele momento já estávamos vibrando com o Iron Maiden. Aprendemos muito juntos, conhecendo essas bandas clássicas na virada dos anos 90. Começamos a gostar de Iron Maiden, Metallica, depois Slayer. O Capaça descobriu o Sepultura e ficou encantado com o 'Beneath the Remains'.
"Naquele final dos anos 90, não nos identificávamos muito com o metal mainstream, que tinha muito power metal melódico, né? Black metal sinfônico… isso aí a gente não se identificava em nada. Estávamos buscando alguma coisa diferente ali e foi num caminho de autodescoberta que fomos escutando os sons mais extremos e chegando ao thrash metal. Em 2002, montamos o Violator com uma proposta totalmente voltada para o thrash metal old school, quando ainda estávamos no terceiro ano do ensino médio."
1. Iron Maiden - "Best of the Beast" (1996)
"O primeiro disco que me marcou e que selecionei foi essa coletânea do final dos anos 90, o 'Best of the Beast', o primeiro CD do Iron Maiden que tive. Lembro que demorei anos para escutar 'Hallowed Be Thy Name' completa e entender que tinha um 'Iê, Iê, Iê, Hallowed be Thy Name' no final. Como o CD era simples - e acho que o original era duplo -, a música simplesmente era cortada com um fade out no meio do riff. Por anos, achei que terminava assim. Era uma época pré-internet, né? Tudo que eu tinha de acesso ao Iron Maiden eram vídeos que passavam no Fúria, como 'The Number of the Beast', ou então o VHS do Capaça do Skol Rock, ou ficar vendo as fotos do encarte do 'Best of the Beast'.
"Apesar de não sermos tão velhos assim, pegamos a transição do mundo analógico para o digital. É interessante pensar como ficávamos tão grudados com tão pouca coisa. Talvez essa precariedade tenha alguma influência na paixão que sentimos por tudo isso e na forma como nos engajamos. Foi muito marcante. 'Best of the Beast' é uma coletânea sensacional. Tem inclusive dois sons do Blaze que até são maneiros. Eu gosto da fase Blaze, não falo mal. Porém, essa versão em CD peca por não ter nenhuma música com o Paul Di'Anno cantando. Isso é um vacilo, mas foi um disco que me marcou muito."

2. Kreator - "Extreme Aggression" (1989)
"O 'Extreme Aggression', do Kreator, foi o primeiro disco de thrash violento que bateu muito forte em mim. Lembro de ser muito moleque e, na saída da escola, passar na loja Berlin Discos, no Conic, e ver o disco para vender. Já sabia o que era o Kreator por ver as camisas das pessoas e talvez algo na MTV, mas nunca tinha ouvido para valer. Peguei essa 'bolacha', cheguei em casa, coloquei para tocar e fiquei chocado. Bateu muito forte.
"Eu já amava o 'Kill 'Em All' como meu disco favorito do Metallica, mas nunca tinha ouvido nada tão violento. É um disco onde a raiva do Mille Petrozza está muito clara nas letras. Ele fala de certos compromissos e valores que batem muito fundo no que o Violator virou. É uma influência muito importante e direta. Não apenas pela batida e pelos riffs - que por muitos anos foram uma referência central para nós, com essa combinação de riffs complexos, velocidade e vocal rasgado -, mas por toda a política e a sinceridade dos compromissos assumidos ali. É só ouvir 'Love Us or Hate Us' para entender do que estou falando."

3. Death - "Spiritual Healing" (1990)
"O 'Spiritual Healing', do Death, foi o primeiro disco de death metal - e, portanto, da árvore mais extrema do metal - que bateu fundo em mim. Lembro de escutar muito jovem com os moleques, quando já estávamos ensaiando com o Violator. Tocávamos thrash metal, muito influenciados e mergulhados nas bandas do estilo. Quando a gente descobriu esse disco, ficamos encantados. Lembro de fazermos sessões de dublagem, cada um tocando um instrumento com o disco no repeat, lá no quarto do Juan, que foi o primeiro guitarrista do Violator.
"A partir disso, abriu-se uma porta muito importante na minha vida, na forma como passei a entender e a fazer música. O Death, naquela época, parecia a coisa mais extrema possível. Depois fomos descobrir o Napalm Death e, do Napalm Death, o mundo do grindcore, né? Mesmo sendo uma banda de thrash metal, temos muito intercâmbio com o grindcore. Eu, o Batera e o Capaça já tivemos uma banda de grindcore juntos.
"Quando éramos moleques e ouvíamos Death, uma vez reservamos o horário do recreio para tocar. A gente pensou: 'Cara, vamos tocar! Qual é a coisa mais extrema que a gente conhece?' Não conhecíamos Napalm Death na época, então tocamos 'Open Casket'. Foi a maior onda. Os playboys ficaram putos, jogaram maçã na gente. Fui suspenso dois dias depois. É uma história engraçada de adolescente que está na sementinha do Violator. O Death foi fundamental para abrir as portas da música extrema.
"O 'Spiritual Healing' é um discaço sensacional. Depois aprendi a amar ainda mais o 'Leprosy' e o 'Scream Bloody Gore'. Considero a tríade inicial do Death uma obra-prima. Falando especificamente do 'Spiritual Healing', o Chuck Schuldiner está brilhando como vocalista. É um death metal em que você entende todas as palavras, e por conta disso o sentimento fica muito à flor da pele. Muito riff e um timaço, contando com o Terry Butler. Um grande momento do Death."


4. Neil Young - "Everybody Knows This Is Nowhere" (1969)
"Um disco totalmente fora do heavy metal, que conheci quando já era um headbanger formado e me encantei demais, é o 'Everybody Knows This Is Nowhere'. É um disco dele com a Crazy Horse que tem músicas longas, com longas repetições e improvisações, além de belíssimas e curtas canções mesmo, sensíveis assim, né? Foi um disco que me abriu portas para começar a apreciar a música no sentido contrário do que eu disse sobre o 'Spiritual Healing'. É a sensibilidade, as sutilezas e a calma, elementos muito importantes para outras músicas que fiz e continuo fazendo.
"Fiquei encantado com o Neil Young e mergulhei na sua longa discografia. A partir daí, fui passear por Crosby, Stills, Nash & Young e todo esse universo musical dos anos 70 que aprecio e admiro muito. Sou velho, tenho 40 anos, sou pai de família, né, cara? Nem sempre você consegue chegar em casa e botar um LP de death metal para rolar. Com criança pequena, fui desenvolvendo uma longa relação com Neil Young, que virou quase um guru espiritual ao longo da última década.
"Não poderia deixar de citar como um disco marcante. Ele tem um jeito que gosto muito e me relaciono: é um grande músico, sensível pra caralh*, mas ele toca de um jeito solto. Não é um virtuoso, ele sola com puro sentimento. Considero uma abordagem muito inspiradora para a música, aquela simplicidade que você encontra nos Ramones, no Ozzy e em tanta coisa boa, onde o sentimento é a coisa mais importante para imprimir na composição. Neil Young é totalmente inspirador, e o 'Everybody Knows This Is Nowhere' brilha muito com a Crazy Horse."

5. Minor Threat - "Complete Discography" (1989)
"É até irônico que, na hora de responder à entrevista, eu tenha tido um lapso de memória e esquecido justamente desse disco. O Minor Threat foi uma banda muito importante para a minha vida. Na minha lista de discos marcantes, precisava ter um de hardcore. Poderia ser Bad Brains, Black Flag ou Discharge, mas o Minor Threat ressoa mais na minha vida porque, por muitos anos, eu fui straight edge.
"Eu já era um metaleiro careta e, quando entrei na faculdade, conheci esses punks que faziam um monte de coisas que eu achava legal, tinham uma atuação política que eu achava bacana e não usavam drogas. Como eu também não estava interessado em usar, foi uma descoberta maravilhosa. Vivi nisso por muitos anos e sinto que aproveitei o melhor dessa energia juvenil para produzir muito: fiz programa de rádio, lancei livro, montei várias bandas e organizei shows. É uma energia que, depois de velho e com outros focos, a gente acaba não vivendo mais da mesma forma, independente de ser careta ou não. Hoje em dia sou um doido, um maluco, mas guardo esses anos com muito carinho.
"Além disso, o Violator incorporou muito dessa convivência intensa com o hardcore. Tocamos em shows do estilo, viajamos para tocar nas Verduradas e organizamos eventos com a galera do hardcore aqui, o que virou uma coisa só aqui em Brasília por muito tempo. Aprendemos muito sobre a ética do underground e do 'faça você mesmo', o que significa muito para o Violator até hoje. Essa ética punk e hardcore explica muito do que é a banda, apesar de sermos do metal - e hoje em dia, mais heavy metal, mais metal do que nunca. O Minor Threat expressa muito bem essa energia e violência juvenil, que mesmo depois de velhos precisamos saber cultivar de certa forma. Então, coloco como quinto disco o 'Complete Discography', do Minor Threat."

Clique no player abaixo para ouvir todos esses discos em uma playlist no Spotify. Confira também o clipe do Violator para "Chapel of the Sick".
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