Metallica: "Hardwired..." é mais um "ás" na manga da banda
Resenha - Hardwired... To Self-Destruct - Metallica
Por Denner Maxwell
Postado em 25 de dezembro de 2016
A grande sacada em esperar um disco novo do Metallica sair do forno é a de que, ao contrário de bandas como o Slayer e o Iron Maiden, que primam pela nostalgia ao escolherem sempre gravar seus discos com a pegada mais clássica —e, portanto, possuírem a garantia de uma aceitação maior por parte dos fãs—, existe um certo friozinho na barriga em relação ao que se está por ouvir. Como eles não costumam se repetir entre um disco e outro, a pergunta que sondava a cabeça de todos era se o próximo disco nos conduziria a obras monumentais como o "Black Album" e o "Load", ou se seria uma surpresa no pior sentido como no "St. Anger", disco que apesar de possuir riffs e vocais sensacionais afunda constantemente num abismo musical, pela fraquíssima produção, a 'bateria broxante' de Lars Ulrich e os solos fantasmas de Kirk Hammett.
Lembrando que o último disco de inéditas do Metallica, o majestoso "Death magnetic", saiu em 2008, e que de lá para cá, exceto pela coletânea "Beyond Magnetic"— que são quatro músicas costuradas a partir das sobras das sessões do "Death Magnetic" —, e pela colaboração com Lou Reed em "Lulu"— disco curioso e espetacular no qual o Metallica foi a banda de apoio de Reed — o Metallica se contentou apenas em lançar shows parecidíssimos entre si, como o Orgullo, passion & gloria, Quebec Magnetic, e, é claro, o Big four live from Sofia, Bulgaria, ao lado dos companheiros e comteporânios do Slayer, Megadeth e Anthrax. Todos excelentes registros, diga-se!
O fato é que não dava para saber qual seria o próximo passo. Que tipo de álbum eles fariam? Em "Hardwire... to Self-Destruct", parece, o Metallica decidiu ser tudo aquilo que sempre foi mas de uma vez só. Ele está pesado como nos anos 80 de novo, só que bem-produzido como na década seguinte. O disco possui pique frenético do "Kill 'Em All", a destreza do "Ride the Lightning" e, as vezes, os dedilhados suaves e melódicos do duo "Load/ReLoad". Tudo encaixado com a super-produção do Death Magnetic.
James é a máquina de riffs por trás das pauladas 'Spit out the Bone' e 'Altas, rise!' Elas trazem o peso e a velocidade do thrash da santíssima trindade "Kill 'Em all", "Ride the Lighting" e "Master of Puppets", sendo que a primeira é conduzida no mesmo caminho de 'Fight fire with fire' e 'Disposible heroes'. Assim como 'Hardwired', que é curta e grossa, como o punk. As vezes, os refrões soam como os de alguma banda de NWOBHM, (veja 'Moth into flame').
Em 'Halo on Fire', 'Here comes Revenge' e 'Dream no More' James canta bem no estilo Load, só que os arranjos soam bem mais pesados do que nas canções do album dos anos 90. 'Murder One' traz na introdução aquele clima psicótico sensacional de 'Welcom Home (Sanitarium)', é mais fácil de gravar e possui uma animação em homenagem ao padrinho do metal Lemmy, que só poderia ser espetacular. Quem também dá as caras nessa animação é o Jimi Hendrix, além do próprio Lemmy Kilmister. 'ManUNkind' é tão vibrante quanto 'Sad but True', assim como a densidade de 'Now that We're Dead' também a colocaria facilmente dentro do "Black Album". Em 'Confusion', assim como em 'One', James personifica um soldado em guerra. Desta vez ele não perde os sentidos, mas a sanidade.
Após o lançamento de "Hardwired... to Self-Destruct" todas as impressões que ficam a respeito do futuro do Metallica são boas. O disco soa muito mais como um "Death Magnetic" do que como um horroroso "St. Anger". O que há nesse álbum é a boa e velha arte do peso. Eles ainda conseguem soar tão bem como há trinta anos, mas de uma maneira totalmente diferente— sem ser uma cópia descarada de si mesmos, como tantas outras preferem soar. Aliás, não é comum que bandas de heavy metal renovem seu som. Para a maior destas bandas "fator surpresa" é uma piada— o que não os torna necessariamente ruins, apenas previsíveis. O fato é que o Metallica está numa categoria mais ampla na história da música; uma categoria sem eira nem beira, com sonoridade de rumo incerto— uma espécie de terra-de-ninguém da música—, reservado a bandas do calibre de Led Zeppelin, Queen e Deep Purple. E este é um mérito que deveria ser reconhecido por mais gente ainda.
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