A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de janeiro de 2026
Em entrevista ao Corredor 5, Gerson Conrad relembrou, sem rodeios, um episódio pouco conhecido - e bastante curioso - dos bastidores do rock brasileiro no início dos anos 1980. O guitarrista e compositor, ex-integrante dos Secos & Molhados, contou que Lobão chegou a ser escalado como baterista para seu primeiro álbum solo, "Rosto Marcado", lançado pela Warner, mas acabou dispensado antes mesmo de gravar oficialmente.

Segundo Conrad, o projeto solo nasceu em meio a expectativas comerciais e artísticas elevadas após o fim dos Secos & Molhados. Apesar de alguma pressão da gravadora, ele afirma que conseguiu manter o repertório que idealizou. Ainda assim, o processo em estúdio não foi isento de conflitos. Um deles envolveu justamente Lobão, que na época ainda buscava espaço como músico profissional.
"Ele chegou a ser meu baterista", contou Gerson Conrad, antes de emendar a frase que se tornaria o centro da polêmica: "Mas eu botei ele pra fora. Ele era péssimo baterista". A declaração, feita com franqueza característica, arrancou risos do entrevistador, mas deixa claro que a decisão não foi tomada de forma leviana.
Conrad afirmou que a situação ficou insustentável quando percebeu que o material registrado não tinha qualidade técnica suficiente. "O que tinha de registro com ele tocando era um desastre", disse. Diante disso, o músico revelou que precisou chamar um baterista profissional para refazer todas as partes de bumbo do disco, garantindo o padrão que esperava para o álbum.
Questionado se já havia falado isso diretamente para Lobão, Conrad respondeu sem hesitar: "Já falei, sim". Ele ainda contou que, sempre que se encontram, Lobão brinca - ou reclama - do episódio. "Ele diz: 'Sou traumatizado, eu tocava pra caramba e você não me deu valor'. E eu respondo: 'Você devia me agradecer, porque virou o Lobão conhecido exatamente por não ter ficado do meu lado'."
Apesar do tom ácido, Conrad deixou claro que encara o episódio com humor e distância histórica. Para ele, a experiência acabou sendo formativa para ambos. Enquanto Rosto Marcado se consolidou como um trabalho relevante de sua carreira solo, Lobão seguiria outro caminho, tornando-se uma das figuras mais controversas e visíveis do rock brasileiro nos anos seguintes.
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Tony Iommi posta foto que inspirou capa de "Heaven and Hell", clássico do Black Sabbath
Slayer celebrará 40 anos de "Reign in Blood" tocando o álbum na íntegra em dois shows
Os vários motivos que levaram Eric Clapton a não gostar das músicas do Led Zeppelin
O motivo que levou Max Cavalera a brigar com Andreas Kisser durante as gravações de "Roots"
O membro dos Titãs que foi convidado para entrar no Angra três vezes e recusou todas
"Seja como Jimmy Page e o AC/DC": a dica de Zakk Wylde a jovens músicos
A música do Led com instrumental tão forte que Robert Plant acha que nem deveria ter cantado
Brian Johnson no AC/DC: 46 anos de uma substituição que redefiniu o rock
O álbum do Iron Maiden que Bruce Dickinson adora e Steve Harris odeia
O disco que "salvou" o Dream Theater, segundo o baterista Mike Portnoy
As duas músicas do Iron Maiden na fase Bruce que ganharam versões oficiais com Blaze
O maior cantor da história do rock progressivo, em lista de 11 vocalistas feita pela Loudwire
A atitude que Max Cavalera acha que deveria ter tomado ao invés de deixar o Sepultura
A música que nasceu clássica e Ronnie James Dio teve que engolir, embora a odiasse
O único instrumento que Gerson Conrad, do Secos & Molhados, era proibido de tocar
Lobão faz ranking com seus cinco melhores bateristas de todos os tempos
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
Lobão: Detonando Heavy Metal, Bethânia, Chico, Herbert, Bizz e deus e mundo


