O melhor álbum do AC/DC de todos os tempos, segundo Lars Ulrich do Metallica
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de janeiro de 2026
Para Lars Ulrich, baterista do Metallica, o AC/DC sempre representou a essência mais pura e direta do rock pesado. Em mais de uma ocasião, o músico deixou claro que a banda australiana domina como poucas a arte de soar simples, brutal e irresistível - algo que funciona tanto para adolescentes quanto para ouvintes experientes. E, quando questionado sobre qual seria o maior disco da carreira do grupo, Ulrich não hesitou em apontar um título específico.
Segundo o baterista, Let There Be Rock é o álbum definitivo do AC/DC. "Este é o disco mais pesado do AC/DC, o mais denso e o mais energético", afirmou Ulrich ao incluí-lo em sua lista pessoal dos maiores álbuns de hard rock e heavy metal de todos os tempos (via Far Out). Para ele, o impacto do disco vai além da sonoridade: trata-se de um registro feito em clima de tudo ou nada, quando a banda estava, nas palavras do próprio entorno do grupo, muito perto de acabar.

Ulrich destacou que esse senso de urgência é audível em cada faixa. Em entrevista à Rolling Stone, ele explicou que boa parte do repertório do álbum se tornou pilar dos shows do AC/DC. "Quatro ou cinco dessas músicas são absolutamente obrigatórias ao vivo", disse, citando faixas como "Let There Be Rock", "Bad Boy Boogie", "Whole Lotta Rosie" e "Hell Ain't a Bad Place to Be". "Eu nem consigo imaginar quantas vezes essas músicas já foram tocadas ao vivo", completou.
Lars Ulrich e AC/DC
Para Ulrich, o disco também marca um momento anterior à fase mais lapidada da banda, antes da parceria com o produtor Mutt Lange. "Isso foi antes de eles começarem a moldar a perfeição da canção de rock de três ou quatro minutos feita para o rádio", explicou. Segundo ele, em Let There Be Rock o AC/DC ainda soa cru, espontâneo e quase indomável, o que reforça sua força como obra definitiva.
Outro ponto ressaltado pelo baterista é o equilíbrio entre as guitarras de Angus Young e Malcolm Young. "Há um equilíbrio perfeito entre as duas guitarras: riffs intermináveis, solos, um guitarrista tocando acordes abertos enquanto o outro segura o riff, até que os dois se encontram e travam juntos", analisou. Para Ulrich, é exatamente nesse encaixe que o AC/DC deixa o blues para trás e ajuda a definir o hard rock como linguagem própria.
Ulrich também fez questão de exaltar a contribuição de Bon Scott, lembrando que suas letras tinham um humor quase cartunesco, cheias de histórias sobre excessos, mulheres e comportamentos proibidos. "Bon entrava com letras safadas, espirituosas e memoráveis, que combinavam perfeitamente com aquela parede sonora", comentou.
Por fim, o baterista ressaltou o caráter quase documental da produção. "É um daqueles álbuns que soam como se você estivesse sentado dentro do estúdio com a banda", disse. "Você ouve amplificadores zumbindo, contagens antes das músicas, conversas ao fundo. É hard rock cru, de base blues, no auge absoluto."
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