A música do Guns N' Roses que Myles Kennedy acha mais difícil de cantar com Slash
Por Bruce William
Postado em 08 de janeiro de 2026
Em uma entrevista realizada com a Music Radar, Myles Kennedy resumiu a vida de vocalista com uma imagem bem pouco romântica: "Ou isso é talento, ou eu sou só sem noção o bastante pra entrar na arena... sem juízo o bastante pra subir no ringue", ele disse, antes de completar: "Você tem que ser muito doido pra não saber a hora de parar."
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Na mesma conversa, ele falou de identidade como cantor, de influências e de rotina de estrada. Kennedy citou gente como Stevie Wonder, Jeff Buckley e Thom Yorke, e contou que, com o tempo, passou a ouvir muito cantoras - e que poderia ficar ouvindo Ella Fitzgerald "pra sempre". E quando o assunto é preservar a voz em turnê, ele explicou que muita gente acha que ele é fechado, mas que, no caso dele, falar demais cobra um preço: a voz "fica chata", então ele prefere "guardar" o instrumento.
Na hora de gravar, ele descreveu uma estratégia simples: atacar trechos específicos com intensidade máxima, descansar alguns minutos e voltar, em vez de fazer várias passadas seguidas até a voz gastar. "Você tem uma quantidade finita de potência e controle de afinação", e quando isso começa a falhar, a ideia é parar e retomar depois. Ele creditou esse tipo de dinâmica ao trabalho com o produtor Michael "Elvis" Baskette, com quem já fez vários discos.
A parte mais divertida veio quando perguntaram qual foi a última música que ele cantou em karaokê. A resposta foi direta: "Karaokê me apavora." Kennedy disse que a última vez foi em 2008, no aniversário dele, em turnê, quando os colegas o deixaram "bem bêbado". A canção escolhida foi "Here I Go Again", do Whitesnake - e ele emendou que aquela também foi uma das últimas vezes em que bebeu na estrada: "Foi a última vez que eu A) cantei em karaokê e B) fiquei embriagado enquanto estava em turnê."
Aí chegou a pergunta que interessa pra nota: cantar Guns N' Roses ao vivo, ao lado de Slash, tem um "problema" óbvio chamado Axl Rose. Kennedy reconheceu isso e resumiu o pacote: "Ele tem esse 'overdrive' natural na voz. E a extensão! Uma extensão incrível." Quando pediram um exemplo prático, ele apontou qual música pega mais pesado pra ele no palco: "A mais difícil pra mim provavelmente é 'My Michelle', porque ela é muito intensa." E ainda explicou o motivo de insistir nela apesar do tranco: "Muitas vezes, as músicas que eu mais amo são as mais difíceis de executar. Essa é, com certeza, um desafio."
A entrevista inteira gira em torno desse tipo de bastidor: o que desgasta, o que assusta, o que dá trabalho - e o que, mesmo assim, ele faz porque gosta. No caso do Guns, a conta fecha quando ele admite que o "intenso" é justamente o que o puxa pra música, mesmo quando ela chega no limite do conforto.
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