Metallica: Disco tem bons momentos, mas longe do excepcional
Resenha - Hardwired... To Self-Destruct - Metallica
Por Igor Miranda
Postado em 17 de novembro de 2016
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Oito anos após "Death Magnetic" (2008), o Metallica voltou a lançar um novo álbum. "Hardwired...To Self-Destruct" é o décimo da discografia da banda americana, que é, indiscutivelmente, a mais famosa e bem-sucedida do heavy metal.
Diferente de outros contemporâneos, o Metallica não é o tipo de banda acostumada a gravar vários discos em série, especialmente depois que despontou de vez para o mainstream com o "Black Album" (1991). O grupo gravou apenas seis álbuns em 26 anos, se desconsiderarmos a colaboração com Lou Reed, "Lulu" (2011), e o disco de covers, "Garage Inc." (1998).
Como o hiato sem material inédito era grande, eu, particularmente, esperava que "Hardwired...To Self-Destruct" fosse um disco arrasa-quarteirões. Ainda mais porque o antecessor, "Death Magnetic", é muito bom. Estava ansioso, também, para saber por qual caminho o Metallica enveredaria em seu novo trabalho, visto que o grupo sempre praticou um heavy/thrash metal híbrido, que agrega influências distintas.
Fiquei surpreso quando percebi, logo na primeira audição que "Hardwired...To Self-Destruct" era o disco mais Black Sabbath da carreira do Metallica. Pouco ousado para uma banda que se aventurou até pelo nu metal (e foi injustamente massacrada por isso) e pouco permaneceu em uma zona de conforto.
"Hardwired...To Self-Destruct" soa doom metal em determinados momentos e NWOBHM em outros - o que favorece algumas canções e compromete outras. Há poucas passagens em que o Metallica coloca o pé no acelerador neste disco. Velocidade foi, inclusive, uma característica que os dois antecessores, "St. Anger" e "Death Magnetic", tinham de sobra.
Por tudo isso, "Hardwired...To Self-Destruct" não é um disco fácil de ser digerido para quem está acostumado com outros discos do Metallica. Até por isso, preferi esperar um pouco e ouví-lo mais antes de escrever sobre. Ainda assim, nota-se que este álbum não reflete um dos melhores momentos da banda.
A música que abre o disco, "Hardwired", é imponente. Um thrash curto (de três minutos), direto e grosseiro, que o Metallica não fazia há um bom tempo. Na sequência, "Atlas, Rise!" soa como uma continuação do que foi feito no álbum "Death Magnetic", com uma verve NWOBHM nas passagens instrumentais - especialmente na segunda metade da canção, que conta com riffs muito parecidos com os de "Hallowed Be Thy Name", do Iron Maiden.
"Now That We're Dead" é boa, mas poderia ser melhor. A faixa, de sete minutos de duração, poderia ser facilmente encurtada. Começa sedutora, mas repete a mesma entrada climática no miolo da canção de forma desnecessária. "Moth Into Flame" é, disparada, a melhor do disco. Riffs bem colocados, refrão poderoso, passagens instrumentais precisas... tudo soa perfeito aqui.
Mais arrastada, "Dream No More" tem uma interessante pegada doom. James Hetfield se destaca com bons vocais. "Halo On Fire" aposta nas mudanças de andamento. Ela começa com um instrumental de impacto, com direito a guitarras cruzadas, cai para um dedilhado nos versos e descamba para um refrão pesado. Boa faixa, apesar de também não justificar seus oito minutos de duração - os riffs se repetem e os solos de Kirk Hammett não empolgam.
O disco perde um pouco de fôlego em sua metade. "Confusion" começa arrasadora e é guiada por bons riffs, mas não se impõe nas partes cantadas. E Kirk Hammett volta a revelar porque falam tanto de seu uso do pedal wah-wah: o recurso aparece até quando não se faz necessidade. A sabbática "Manunkind" tem uma pegada diferenciada. O instrumental dinâmico mostra uma saída vertiginosa da zona de conforto do grupo, especialmente por parte do baterista Lars Ulrich, que manda muito bem aqui.
"Here Comes Revenge" não é ruim, entretanto, transmite a ideia de "já ouvi isso antes". Segue o mesmo campo harmônico de outras músicas do álbum, sem muitas surpresas. A entrada gradual de "Am I Savage?" passa a impressão de que a faixa será uma paulada, mas, na verdade, é arrastada demais. Tive a sensação de que Kirk Hammett poderia dar intensidade com um solo, mas ele parece ser o homem de um solo só: repetiu os mesmos fraseados de outrora. A faixa não compromete a audição, mas não está entre os melhores momentos do disco.
Feita em homenagem a Lemmy Kilmister, "Murder One" é o momento mais decepcionante do disco. Desculpem-me, mas a música é ruim. Não há inspiração alguma. Os riffs chatos e as linhas vocais pouco inventivas ficam ainda piores com o andamento arrastado. "Spit Out The Bone" fecha o disco em um padrão mais elevado. A banda, enfim, coloca o pé no acelerador e capricha nos andamentos. Até Robert Trujillo aparece com algum destaque por aqui, emulando Cliff Burton em um pequeno solo com distorção. Ótima canção.
Não sou, nem de longe, o ouvinte que espera o retorno do Metallica ao thrash oitentista. É besteira aguardar por isso, bem como representa um desrespeito ao que o grupo fez da década de 1990 em diante. "Black Album" (1991) e "Death Magnetic" estão entre os meus álbuns preferidos da banda e digo isso sem o menor receio.
Entretanto, é preciso ter algum senso crítico para reconhecer que "Hardwired...To Self-Destruct" não é o melhor que o Metallica pode oferecer - e era justamente isso o que os fãs esperavam após oito anos sem material inédito. Algumas faixas aqui presentes são incríveis, como "Moth Into Flame", "Spit Out The Bone" e "Manunkind", entre outras. Só que o conjunto da obra não favorece.
Isso se deve ao fato de "Hardwired...To Self-Destruct" ter uma influência descabida de Black Sabbath em seu som. Ao longo da tracklist, o Metallica tenta praticar um doom metal deslocado, com passagens arrastadas que soam fora de contexto e sem propósito.
No fim das contas, "Hardwired...To Self-Destruct" é um bom disco e nada mais. Tem seus ótimos momentos e tem faixas que, dependendo do humor do ouvinte, merecem ser puladas. O texto parece depreciativo em comparação à nota 7 que o disco teve na minha opinião, mas os comentários críticos foram feitos porque a expectativa era de um álbum tão bom quanto (ou até melhor que) "Death Magnetic".
James Hetfield (vocal, guitarra)
Kirk Hammett (guitarra)
Robert Trujillo (baixo)
Lars Ulrich (bateria)
1. Hardwired
2. Atlas, Rise!
3. Now That We're Dead
4. Moth Into Flame
5. Dream No More
6. Halo on Fire
7. Confusion
8. Manunkind
9. Here Comes Revenge
10. Am I Savage?
11. Murder One
12. Spit Out the Bone
Comente: Qual a sua opinião sobre o novo álbum do Metallica?
Outras resenhas de Hardwired... To Self-Destruct - Metallica
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Os oito discos essenciais do thrash alemão, segundo a Ultimate Guitar
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
As 5 maiores bandas da história do heavy metal, em lista da Forbes
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
O que James Hetfield pensa de cantores que dublam nos próprios shows
O pedido que Steve Harris negou a Nicko McBrain no primeiro show com o Maiden
Os dois ex-membros do Black Sabbath que não se davam bem
O vocalista que deu cano em Slash, e o guitarrista descobriu que ele estava com medo
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
Eloy Casagrande anuncia ter finalizado suas partes para o próximo álbum do Slipknot
Eminem iria gravar música do primeiro disco solo de Tony Iommi
O jovem guitarrista inovador que fez Eric Clapton lembrar da primeira vez que viu Prince
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
David Ellefson comenta relação entre "Go to Hell", do Megadeth e "Enter Sandman", do Metallica
A música nostálgica dos anos 2000 que passou 1 bilhão no Spotify e salvou banda do fracasso
Por que Renato Russo desistiu de tratar AIDS: "Foi por paixão; mexe com outras pessoas"
Zakk Wylde: o riff que ele queria ter criado - e a música que ele nunca conseguiu tocar
Metallica: Com Hardwired, enfim, a redenção!
Metallica: leia o review da Metal Hammer para o novo disco
Metallica: O "retorno morno" em Hardwired... To Self-Destruct
Metallica: Uma resenha nada definitiva do "Hardwired"
Metallica: Com Hardwired a banda nos presenteou com uma avalanche de riffs
Rolling Stone publica listas com os 200 melhores rocks do século atual
O baterista que defende Lars Ulrich no caso Napster mais que o próprio Lars
Por que James Hetfield do Metallica foi expulso de sua própria casa, segundo o próprio
Sete músicas inesperadas em álbuns de metal que deram muito certo, segundo a Ultimate Guitar
Metallica divulga performance ao vivo de "Fade to Black"
A notícia traumática sobre o Metallica que Cliff Burton deu a Scott Ian do Anthrax



