A banda mais influente do rock progressivo, de acordo com Geddy Lee
Por Bruce William
Postado em 07 de janeiro de 2026
Quando o assunto é rock progressivo, quase todo mundo cai naquele circuito automático de nomes óbvios, discos clássicos e debates intermináveis sobre "quem inventou o quê". Só que, às vezes, aparece uma fala curta de alguém do meio que muda o foco: em vez de discutir virtuosismo, a conversa vira quem realmente empurrou a linguagem do gênero para a frente.
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Geddy Lee entrou nessa linha ao lembrar de uma discussão ligada ao Rock and Roll Hall of Fame e a quem, na cabeça dele, merecia reconhecimento ali. Ele cita o Jethro Tull como um candidato natural, mas logo abre espaço para outro grupo que, segundo ele, deveria ter recebido esse tipo de "carimbo" bem antes.
Antes de dizer o nome, vale o pano de fundo: no começo do prog, muita banda foi alongando músicas, esticando seções, colocando mudanças de andamento e abrindo espaço para arranjos mais ambiciosos. Sim, Yes e Genesis aparecem sempre nessa história, mas a fala do Geddy não está indo pelo caminho "quem tocava mais" e sim por quem trouxe uma postura diferente, mais exigente, menos domesticada.
Aí ele solta o que realmente interessa. Para Geddy Lee, King Crimson está acima do resto no quesito influência. E ele não disse isso de forma neutra: "A outra banda que me vem à mente é o King Crimson. Quer dizer, King Crimson, porra - a banda de rock progressivo mais influente de todos os tempos!"
A ideia, ressalta a Far Out é que, desde "In the Court of the Crimson King", o Crimson já soava como algo que não estava tentando agradar rádio, nem correr atrás de formato. Tinha uma intenção mais dura, mais esquisita mesmo, com texturas ásperas e mudanças que parecem feitas para tirar o ouvinte do lugar - e isso vira referência para quem vem depois, mesmo que a pessoa não copie nota por nota.
O texto que você trouxe também lembra um ponto bem específico do Robert Fripp: a tal afinação "New Standard" (um jeito diferente de afinar a guitarra, pensado para abrir outras possibilidades no braço). Esse tipo de detalhe ajuda a entender por que muita gente olha para o Crimson como se fosse um tipo de "laboratório": não se trata somente de testar repertório, na verdade é um método de trabalho e obsessão com como o instrumento pode render outras ideias.
E aí entra a parte que conecta com o Rush sem precisar transformar isso numa lista de semelhanças sonoras: a influência nem sempre é "parece com". Muitas vezes é o que a banda te dá de permissão mental - a vontade de testar, de mexer no arranjo, de não tratar o estúdio como lugar onde você só repete fórmula. Nesse sentido, dá para entender por que o Geddy coloca o King Crimson nessa posição: ele está falando de mentalidade conceitual, não apenas de timbres ou arranjos inesperados.
No fim, a frase dele funciona porque é simples: você pode gostar de mil bandas do prog, pode ter seus discos sagrados na estante, mas, na hora de apontar "quem mudou o jogo", ele escolheu um nome e bancou com convicção, com direito ao "porra" para deixar claro que não era figura de linguagem.
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