Metallica: os 25 anos de Load, um disco amado, odiado e bom demais
Resenha - Load - Metallica
Por Mateus Ribeiro
Postado em 04 de junho de 2021
No dia 4 de junho de 1996, o Metallica lançou "Load", o seu sexto trabalho de estúdio, que é amado por uns e esculachado por outros. Tanto o ódio quanto o amor que o álbum em questão costuma despertar nos ouvintes são oriundos da mudança de sonoridade apresentada no disco, que está completando 25 anos, ou então, para quem gosta de pompa, um quarto de século.
O trabalho, que sucede o ótimo "Black Album", passa longe do thrash metal, estilo que consagrou a banda nos anos 1980. A velocidade e a agressividade apresentadas em "Ride The Lightning", "Master Of Puppets" ou "...And Justice For All" foram substituídas por uma sonoridade que se aproxima muito mais do rock alternativo do que do metal.
Como se a mudança no som não fosse suficiente, James Hetfield e sua turma cortaram o cabelo, como é possível notar nas fotos que estampam o encarte que acompanha o disco. A mudança visual também assustou algumas pessoas, que por um momento, podem ter esquecido um fato importante: em 1996, os integrantes da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó ostentavam belas cabeleiras e nem por isso tocavam heavy metal.
Voltando a falar a respeito do aspecto musical, "Load" é um disco diferente de tudo o que a banda havia feito até ali. Talvez (veja bem, TALVEZ) o único trabalho anterior que "Load" lembra seja seu antecessor, que também foi criticado pela mudança no direcionamento musical.
A sonoridade mais acessível e palatável que caracteriza "Load" é muito bem representada pela ótima "Hero Of The Day", que é não apenas uma das composições mais legais do disco, mas também, um dos grandes momentos de toda a carreira do Metallica.
Outra excelente faixa é "Until It Sleeps". Apesar de seu início cadenciado e lento, a música tem um refrão explosivo e carregado de raiva, bem como o seu pesado clipe, que pode chocar as pessoas que são adeptas do Cristianismo.
As duas faixas citadas nos parágrafos anteriores são os principais destaques do disco, porém, não são os únicos. A agitada "King Nothing", as descontraídas "Ain't My Bitch", "Cure", as profundas "The House Jack Built", "Bleeding Me" e até mesmo a country "Mama Said" são ótimas composições, feitas com alguns "ingredientes" que o Metallica parece ter perdido tempos depois: sentimento, alma e a capacidade de Kirk Hammett em fazer solos de guitarra.
Vale destacar a (literalmente) grande "The Outlaw Torn", que encerra "Load" com muita dignidade e é capaz de prender a atenção do ouvinte durante os seus quase dez minutos de duração.
No final das contas, trata-se de um álbum muito bom e versátil, que mostra uma cara do Metallica que até então era desconhecida. Todos os músicos também envolvidos desenvolveram ótimos papéis, mesmo escrevendo e tocando um estilo musical diferente do que faziam. Até mesmo o baterista Lars Ulrich, alvo constante da corneta de muitos fãs (inclusive este que vos escreve), mandou bem.
Comparado ao passado, "Load" pode ser fraco, mas em comparação com todas as coisas que a banda escreveu dali em diante, é uma obra-prima, que deve ser ouvida e reverenciada. Aperte o play e tire suas conclusões.
Álbum: "Load"
Artista: Metallica:
Data de lançamento: 4 de junho de 1996
FAIXAS
"Ain't My Bitch"
"2x4"
"The House Jack Built"
"Until It Sleeps"
"King Nothing"
"Hero Of The Day"
"Bleeding Me"
"Cure"
"Poor Twisted Me"
"Wasting My Hate"
"Mama Said"
"Thorn Within"
"Ronnie"
"The Outlaw Torn"
FORMAÇÃO
James Hetfield: guitarra e vocal
Kirk Hammett: guitarra
Jason Newsted: baixo
Lars Ulrich: bateria
Outras resenhas de Load - Metallica
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