Como trajetórias de Raul Seixas e Secos & Molhados se cruzaram brevemente
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de janeiro de 2026
O rock brasileiro dos anos 1970 foi marcado por encontros improváveis, turnês caóticas e personagens que pareciam maiores do que a própria música. Em meio a esse cenário ainda em formação, era comum que músicos transitassem entre projetos, estilos e ideias com uma liberdade que hoje soa quase inimaginável. Foi nesse Brasil "outro", mais artesanal e menos industrial, que trajetórias como as de Secos & Molhados e Raul Seixas acabaram se cruzando.
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Em entrevista ao canal Corredor 5, o baixista Willy Verdaguer, membro histórico do Secos & Molhados, relembrou uma breve - porém intensa - passagem tocando com Raul Seixas. "Foi brevíssima. Fiz uma turnê com ele", contou Willy, destacando que não se tratava de uma grande estrutura, mas de algo muito mais cru e improvisado, típico da época.
A formação que acompanhava Raul era enxuta: John Flavin, ex-Secos & Molhados, dividia baixo e guitarra, enquanto Edu Rocha assumia a bateria. "Era um trio. E o Raul na frente com aquela guitarra toda torta, toda desafinada. E era fantástico tocar com ele", lembrou. Para Willy, o impacto de Raul não estava na técnica, mas na presença: "Ele não tava nem aí pra nada. Só a presença dele já era um show".
Raul Seixas e Secos & Molhados
Os shows, segundo o baixista, já tinham clima de culto muito antes de Raul virar unanimidade nacional. "Tumulto na entrada, tumulto na saída. 'Raul! Raul! Raul!' Já era essa seita naquela época", afirmou. Ainda assim, ele pondera que o público era menor do que se imagina hoje. "Eram nichos. Se fosse hoje, o Raul seria um mito, coisa de lotar estádio. Na época era menos gente, mas completamente louca por ele".
A rotina da turnê ajuda a desmontar a imagem grandiosa que o tempo criou em torno de Raul Seixas. "A gente ia de carro, de uma cidade pra outra. Um carro só: o motorista, o Raul na frente e nós três atrás", contou Willy. Segundo ele, eram cerca de 10 a 15 cidades, principalmente em São Paulo e Minas Gerais, em um Brasil onde o rock ainda circulava longe do glamour.
Questionado sobre o comportamento de Raul fora do palco, Willy fez questão de separar o mito da convivência cotidiana. "Ele era uma graça de pessoa, muito amável, muito gentil, muito fofo", disse, antes de completar com franqueza: "Mas ele gostava de beber. Bebia mesmo. E quando tinha que dar merda… dava merda". Ainda assim, o tom não é de julgamento, mas de quem conviveu de perto com um artista intenso demais para caber em padrões.
Confira a entrevista completa abaixo.
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