O gênero musical cujo nome não faz sentido algum, segundo Mikael Åkerfeldt do Opeth
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de janeiro de 2026
Durante décadas, a palavra "progressivo" foi associada a risco artístico, quebra de padrões e liberdade criativa. Mas, segundo Mikael Åkerfeldt, esse significado se perdeu ao longo do tempo. Em entrevista recente ao Prog Project, o líder do Opeth afirmou que o termo hoje já não diz grande coisa - mesmo em um momento em que o chamado "prog" parece mais popular do que nunca.
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Åkerfeldt explicou que, no passado, era mais fácil entender o que tornava uma banda progressiva. "Antigamente era simples definir uma banda progressiva, porque elas misturavam estilos, quebravam regras", afirmou. Para ele, isso mudou drasticamente. "Hoje, 'progressivo' virou sinônimo de solos rápidos de guitarra. Acabou se tornando um som, e talvez nem seja mais tão progressivo assim."
O músico foi ainda mais direto ao analisar o cenário atual do rock e do metal. Segundo ele, há uma contradição evidente no uso do rótulo. "Acho que a música progressiva, especialmente no rock e no metal, se tornou um pouco regressiva", disse. Na visão de Åkerfeldt, a repetição de fórmulas e convenções esvaziou o sentido original do termo, transformando-o quase em um gênero fechado - justamente o oposto do que ele representava.
Essa confusão faz com que o próprio líder do Opeth não se preocupe mais em classificar a banda dentro do prog. "Está cada vez menos importante para mim ser rotulado como progressivo, porque eu sinceramente não sei mais o que isso significa", declarou. Ele acrescenta que essa definição, se é que ainda faz sentido, deveria ficar a cargo do público, não do artista.
Apesar disso, o Opeth segue lançando discos que transitam por diferentes linguagens. O mais recente, The Last Will and Testament (2024), foi elogiado justamente por resgatar elementos mais extremos do death metal, incluindo os vocais agressivos que haviam ficado em segundo plano por alguns anos. Ainda assim, Åkerfeldt rejeita qualquer ideia de planejamento conceitual em torno do "progressivo".
"Quando escrevo música, não penso em ser progressivo", explicou. "É fácil avançar na nossa própria música porque tenho muitas influências diferentes e sou muito apaixonado pelo que faço. No fim das contas, eu só quero escrever música emocional." Para ele, a evolução acontece de forma natural, não como um objetivo teórico ou estético.
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