Metallica: Com Hardwired, enfim, a redenção!

Resenha - Hardwired... To Self-Destruct - Metallica

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Por Erick Silva
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Nota: 9

Redenção. Não há palavra melhor para empregar nesse novo disco do Metallica. Depois de amargar anos e anos de duras críticas (algumas merecidas, outras, não), eis que, em pleno 2016, eles surgem com um discaço que, facilmente, é o melhor lançamento do ano em termos de rock. "Só" isso. Claro, quem é mestre, nunca perde sua majestade. Uma banda que já nos brindou com "Kill Em'All", "Ride The Lighting", "Master of Puppets" e o "Black Album", não iria desaprender a fazer boa música. Jamais. Então, o que "aconteceu". Talvez, fama, sucesso, tudo misturado com certa arrogância de pensar: "somos o Metallica. O que fizermos, todos adorarão!" A verdade, porém, foi outra. E, felizmente, eles acordaram. Antes tarde do que nunca.

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Mas, por quê tanta empolgação? Simplesmente, porque "Hardwired... To Self-Destruct" é excelente, do começo até o final (DO COMEÇO ATÉ O FINAL!). Depois da primeira audição, fica difícil dizer qual a "pior" faixa (até porque, todas estão, mais ou menos, no mesmo nível). O que dá pra perceber, de início, é que os músicos estão tocando com mais vontade, com mais "garra", com mais instiga. Duvidam? Pois, coloquem o disco pra tocar, preferencialmente, no último volume, e sintam como se estivessem num show ao vivo, com uma multidão ovacionando a banda. É essa a sensação que o som passa. E, de maneira particular, mesmo que Kirk Hammett continue fantástico, e que Trujillo esteja cada vez mais competente, os destaques desse disco, invariavelmente, são Hetfield e Ulrich. O primeiro, além dos já famosos riffs de guitarra que ele sabe fazer tão bem, aqui, ele ainda sola o seu instrumento de maneira perfeita, sem continuar que continua cantando muito bem. Já, o segundo está mais consistente e pesado em suas batidas, mostrando que, a despeito de seu pedantismo como pessoa, ele é, indiscutivelmente, um ótimo baterista.

As músicas do disco-duplo, em si, possuem uma "pegada" como há muito não se via num trabalho do Metallica, numa conjuntura de fatores muito favorável. Integrantes inspirados, uma produção impecável... Como não ser "fisgado" logo pela primeira faixa ("Hardwired")? Em apenas 4 minutos, a banda se redime de muitos dos seus pecados, bastando, pra isso, um som rápido, certeiro e envolvente. A segunda canção ("Atlas, Rise") é um pouco mais "trabalhada", mas, mesmo assim, não perde o senso de qualidade, com um refrão muito bom. Só que, ao contrário de muitos discos, onde a abertura começa instigada, e depois, vai perdendo fôlego, aqui, temos o contrário: as canções, com o passar do track list vão melhorando. A maravilhosa introdução de "Now That We're Dead" não me deixa mentir. Ao contrário das longas (e, desnecessárias) jams sessions do disco anterior ("Death Magnetic"), a terceira canção desse novo trabalho da banda é um primor de economia e simplicidade, e nem por isso, perde o peso e a energia. Um dos melhores momentos do álbum.

E, pra quem pensa que para por aí, surge mais um (isso mesmo: mais um!) destaque de "Hardwired... To Self-Destruct": a composição "Moth Into Flame", um misto incrível da velocidade de "Kill Em'All" com a cadência do "Black Album". A pergunta que fica é: se eles tinham como fazer músicas assim, por quê não fizeram antes? Divagações à parte, nessa altura do campeonato, o ouvinte contumaz do grupo, certamente, já se esqueceu dos momentos constrangedores de discos anteriores, o que já poderia render medalha de ouro pr Metallica como o melhor lançamento do ano. Felizmente, a banda não só se redime das recentes fases ruins, como também nos presenteia com um tipo de música, espontaneamente, boa. A quinta composição dessa primeira parte do disco ("Dream no More") continua deixando o ouvinte de queixo caído, numa música que lembra, vagamente, "Sad But True" pelo andamento lento e cadenciado. "Halo on Fire", talvez, seja a "decepção" desta primeira parte do álbum, não por ser uma faixa ruim ou abaixo da média, mas, porque é só um centímetro menos empolgante que as demais. Mesmo assim, termina o disco 1 com chave de ouro.

Depois de nos surpreender com seis canções de altíssimo nível, não seria de estranhar, que, nessa "segunda parte" de seu novo trabalho, o Metallica, meio que puxasse o freio de mão, e amenizasse um pouco as coisas. Mas, não é o que acontece. O disco 2 de "Hardwired... To Self-Destruct" é tão excelente quanto o primeiro. Pra quem não acredita, só precisa de uma coisa: 30 segundos iniciais de "Confusion", confirmando, por A + B que a banda inteira está em harmonia, e fazendo um som de alta qualidade, que não precisa, necessariamente, ser enquadrada mais em rótulos desnecessários, como thrash ou hard. É rock, é somente rock. O (bonito) começo de "Manunkind" pode até pegar de surpresa alguns, mas, logo o peso toma conta da composição. Digamos apenas que as composições de "Load" e "Reload" deveriam ter seguido essa linha, quem sabe, não teríamos o Metallica ladeira abaixo nos anos seguintes. A terceira canção dessa segunda parte ("Here Comes Revenge") mostra uma vitalidade incrível, visto que já se passaram mais de 75% do álbum, e a banda, em nenhum momento, "ameniza" no som, muito pelo contrário. Trata-se de uma simbiose perfeita dos melhores trabalhos da banda, e "Here Comes Revenge" evidencia bem isso.

Depois de tanta empolgação, tanta energia, algum "descanso" parece vir com "Am I Savage?", devido ao seu início que denota que ouviremos uma balada. Puro engano! Mais uma vez, o Metallica mostra sua imensa capacidade criativa, numa composição pesada e muito bem trabalhada, tecnicamente falando. "Murder One", penúltima do disco 2, e de todo o álbum, não chega a ser tão boa quanto às 10 anteriores, mas, convenhamos, o Metallica, até aqui, já fez o suficiente, e pode se gabar de ter, depois de anos, dado aos seus fãs mais puristas, o que eles querem, mas, sem perder a essência. O aprendizado com "Death Magnetic", realmente, foi bastante útil. Como era de supor, a última faixa ("Spit Out the Bone"), é a mais veloz do disco, até porque, nesse clima de revival do Metallica das antigas, era necessário relembrar também algo do tipo "Seek and Destroy" ou "Whiplash". Ok, "Spit Out the Bone" não se iguala a estas, mas, ressuscita, com louvor, todo o clima de "final de show", roda punk, músicos destruindo os seus instrumentos, e todo mundo saindo feliz. Missão cumprida.

No entanto, sejamos honestos: mesmo sendo um grande disco, uma das maiores falhas de "Hardwired... To Self-Destruct" é não ter um refrão extremamente pegajoso, que dê pra cantar junto, ou algo do tipo. O que não deixa de ser um erro do Metallica, propriamente dito, mas, da música atual, de uma maneira geral, e em especial, no rock. Os tempos são outros, e temos que admitir que a capacidade criativa anda em baixa, mesmo. Porém, mesmo que não tenha lançado um trabalho 100% perfeito, é inegável que o Metallica, não apenas superou a si, mas também aos grandes medalhões do rock. Medalhões estes, que, ao contrário do quarteto de Los Angeles, só fizeram discos ruins em 2016, sem o mínimo de empolgação ou carisma. Dos "grandes" lançamentos recentes, "Hardwired... To Self-Destruct", sem dúvida, é o melhor. Porém, que não seja demasiadamente comparado com "Master of Puppets" ou com o "Black Album", pois, seria injusto. Que seja, isso sim, apreciado como o que, de fato, é: um excelente disco de rock pesado. E, nada mais.

Link da matéria:
http://blogpunhadodecoisas.blogspot.com.br/2016/11/dica-de-d...

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