Metallica: Um auto resumo musical do Hardwired faixa por faixa
Resenha - Hardwired... To Self-Destruct - Metallica
Por Herick Sales
Fonte: Herick Sales Guitar
Postado em 15 de dezembro de 2016
Demorou 8 anos, mas eis que o membro mais famoso do Big 4 lança seu álbum: Hardwired…to Self-Destruct. De cara, não fui impactado como fui ao ouvir o Death Magnetic, que é mais urgente, e demonstrava uma necessidade do Metallica em provar que ainda poderia ser ícone do thrash que ajudou a criar, após o horrendo St. Anger. Ao ir ouvindo com calma, pude notar que o álbum é violento, bem trabalhado, e traz passagens que remetem a todas as fases da carreira, porém com outro tipo de maturidade. Uma observação: eu não sou fã do Load e Reload. Ponto. Acho que se juntassem os dois, teria até dado um bom álbum, mas a pegada soa meio diluída a meu ver. Bem… é apenas o que sinto, porém, o que esses álbuns trouxeram, foram elementos melódicos aos vocais de James (que cantou muito nesse Hardwired!), que não ouvimos nos primeiros álbuns do Metallica. Ou seja, é um álbum que seja intencionalmente ou não, faz um resumo do que de melhor o Metallica fez em seus mais de 30 anos de carreira, e com uma timbragem certeira!
Hardwired: a mais direta, seca e Kill ‘Em All de todas. Riffs simples, e com palhetadas precisas, o arranjo ficou perfeito para o vocal agressivo de James. Só achei um pouco brochante o solo, que me soou muito parecido com outros que Kirk já fez.
Atlas, Rise!: Com uma intro que remete às convenções de Dyers Eve, do And Justice for All, essa canção possui linhas melódicas dobradas e refrão grudento, que ganha força cada vez que é escutada, remetendo bastante ao trabalho de guitarras do já citado And Justice;
Now That We’re Dead: o groove do riff inicial, junto dos bumbos que Lars imprimiu na canção, te remete imediatamente ao clima do And Justice for All (pense na Eye of the Beholder). Um detalhe: isso ocorre muitas vezes durante o álbum, porém, o clima é mais "pra cima" do que no And Justice, e podemos ouvir tranquilamente o baixo, que dá uma baita encorpada no som. Puta musicão!
Moth Into Flame: nessa dá pra notar o mix que citei no início: riffs thrash, que remetem aos primeiros álbuns, aceleradas raivosas, porém, as melodias no refrão remetem um pouco ao senso melódico encontrado nos álbuns Load e Reload;
Dream No More: Puta que pariu! A minha favorita do primeiro álbum, é uma espécie de Sad But True dos novos tempos, mas com uma pegada meio Sabbath e Alice in Chains, e com um vocal diferenciado de James: mais agudo e com certa angústia e raiva. Sensacional! O peso e timbragem da bateria ficaram sensacionais, e tais características permeiam o álbum todo (dessa vez tu acertou Lars, até que enfim!);
Halo On Fire: uma intro típica do Metallica dá vazão a um dedilhado suave, porém, uma vocalização bem diferente do que costumamos ouvir. Talvez essa seja a que mais se aproxime de uma balada, daquelas ao estilo da banda, que vão crescendo. O final com um riff melódico na guitarra e quase épico soou muito bonito, tal qual fizeram em canções como Fade to Black;
Confusion: quase saiu uma Am I Evil aqui (brincadeira). De cara não curti essa canção, mas com algumas audições fui passando a gostar um pouco mais, e notar elementos que remetem a The Day That Never Comes, porém muito melhorada, e sem os exageros da citada. Além de ser mais pesada.
Manunkind: eu simplesmente me amarrei nessa música! O Metallica fazendo rock n’ roll! Riffs setentistas e levada blues/rock, com um peso extra e umas belas quebradas de tempo, fazem dessa uma das mais legais do álbum! E ainda tem o clipe com referências ao black metal, que ficou sensacional!;
Here Comes Revenge: Após uma intro que remete ao clima de Leper Messiah, a canção ganha um groove que me remete um pouco ao Death Magnetic e toques do Black Album até, alterando em vocalizações mais melódicas (outro momento que me remeteu ao Load/Reload), até chegar num refrão bem legal;
Am I Savage?: a intro te engana que vem uma balada, mas a canção entrega o track mais Black Sabbath do álbum (ouça só Lord Of This World, e note o espírito), além de um dedilhado no meio que me deu a sensação que James deu uma escutadinha no Rust in Peace do Megadeth (não vejo problema algum!), e o final pesado com toques modernos na guitarra, com harmônicos naturais, é de bater cabeça!;
Murder One: a bela homenagem ao Lemmy, começa com belo dedilhado a lá And Justice for All, mas deságua num puta rock n’ roll, extremamente pesado! Lars parece que tocou com uma bigorna!!! Além de possuir o melhor solo do álbum, o que me soou interessante é que a canção tem um toque de Motorhead, mas soa como Metallica! Bela homenagem!;
Spit Out The Bone: acredito que essa seja a canção que muitos esperavam deles desde o fim dos anos 80, pois possui tudo que o fã de thrash gosta: riffs rápidos e pesados, vocais raivosos, várias partes que se encaixaram perfeitamente e bumbo duplo em vários trechos. Spit Out The Bone fecha o play da melhor forma possível!
Por fim, é muito gratificante ver o Big 4, num período de um ano, lançar álbuns muito bons e maduros, algo que merece palmas numa época em que o metal fica cada vez mais infantilizado, bobo, e não-orgânico.
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