Resenha - Coldness, Tergara e Dynamite (Balneário, Forquilha, 09/06/13)

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Resenha - Coldness, Tergara e Dynamite (Balneário, Forquilha, 09/06/13)


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Os custos de uma turnê não são poucos. Como em qualquer viagem, há os custos com hospedagem, transporte, traslado, alimentação das pessoas envolvidas, mais todas as despesas e cuidados necessários com os equipamentos, normalmente materiais delicados e que precisam ser manuseados com cuidado. A ideia de juntar várias bandas para baratear os custos de uma turnê não é nova. Dividindo estes custos, as bandas conseguem minimizar riscos, maximizar os efeitos positivos de uma turnê, além de trocar experiências e aumentar a amizade entre os membros de todas as bandas envolvidas. É claro que nem sempre é assim tão perfeito, mas uma experiência que tem dado certo é a da Cooperativa Rock Tour CE, que reúne três bandas de Fortaleza, capital do Ceará. O texto abaixo (que, aviso logo, é longo) é uma resenha diferente. Aqui não abordaremos apenas os detalhes do show em si, pois fui convidado a acompanhar todo o dia dos músicos e contaremos aqui tudo o que aconteceu "lá e de volta outra vez".

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

As bandas de metal progressivo TERGARA e COLDNESS e a banda de hard-rock DYNAMITE integram a Rock Tour CE e, segundo o formato de cooperativa, já fizeram shows nas cidades potiguares de Assú e Mossoró. Neste domingo, 9 de junho, tinham encontro marcado com a cidade de Forquilha, no interior do Ceará, distante cerca de duzentos quilômetros de Fortaleza e eu tive a honra de ser convidado para cobrir o evento, que seria também a primeira apresentação de Lenine Matos, novo vocalista da COLDNESS. Além das bandas citadas, integra a cooperativa o produtor musical Mailson Buson, ex-baterista das bandas DONZELA e SUNRISE EAST, que está montando um novo projeto chamado SKIN RISK (muito provavelmente a nova banda a participar do conjunto).

Eu, repórter por acaso e ainda nas primeiras aulas de teclado, encontrei com os músicos das três bandas por volta de nove e trinta da manhã de domingo na casa de Gabriel Andrade, tecladista da COLDNESS e um dos cabeças da iniciativa. Lá era o ponto de encontro com a van que nos levaria a Forquilha. Lá, Bruno Colares, tecladista da TERGARA me presenteou com o EP "O Reino do Amanhã pt 1". Confira no link abaixo a resenha deste disco, pelo amigo Leonardo Brauna.

Tergara: banda vem multiplicando qualidade a esse "celeiro"

Éramos dezesseis pessoas com o motorista, os cinco integrantes da COLDNESS, os quatro integrantes da DYNAMITE, os cinco integrantes da TERGARA e este repórter. Instrumentos, equipamentos de iluminação e outros equipamentos iam atrás em um reboque puxado pela van.

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Durante a viagem (que afinal não seria tão longa), como não poderia deixar de ser, ouvimos muito metal e hard-rock, mas quem garantiu mesmo a diversão foi John Naza, vocalista da DYNAMITE, com suas tiradas e sua impagável boca imunda, sempre "elogiando" carinhosamente as genitoras dos membros de sua banda e recebendo outra sorte de elogios carinhosos (vai dizer que não entendeu?), tudo num clima de grande amizade e desconcentração, algo que é imprescindível para que um projeto como esses dure muito tempo.

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Chegamos ao nosso destino já no início da tarde e fomos muito bem recebidos pelo produtor local, Aristóteles Sampaio. Enquanto aguardávamos o almoço fomos "assediados" por duas figuras "com muito sangue no álcool que corria em suas veias" e que também se diziam produtores. Embora a maioria tenha encarado a companhia com bom humor, o estado alcoólico dos rapazes estava incomodando um pouco e até mesmo o irreverente John Naza mudou de lugar na mesa. Mais tarde esses sujeitos sumiram e não os vimos mais naquele dia.

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Almoçamos no clube em que faríamos o show (permitam-me começar a escrever em primeira pessoa) e, logo após o almoço, os músicos começaram a montar os equipamentos e fazer a passagem de som.

O clube fica à beira do belo açude de Forquilha (veja fotos abaixo). Mesmo com a falta de chuvas nesta seca de 2013, como vocês podem ver, a paisagem ainda é belíssima e eu não resisti e entrei na água pelo menos para molhar os pés.

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Enquanto isso, os músicos continuavam montando o difícil quebra-cabeça do som e equipamentos para garantir um evento de grande qualidade mais tarde. Microfones eram testados, parafusos apertados, o mapeamento dos canais era feito na mesa de som, cabos eram conectados, guitarras microfonadas, partes da bateria eram ajustadas à altura dos bateristas ou apenas montadas quando já tinham viajado ajustadas.

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Enfim, um trabalho de engenharia era realizado com todos os membros das bandas se ajudando entre si. E o mais impressionante disso tudo, para quem vê de fora, é que é um trabalho que é feito sempre antes de cada show e cujo tempo empregado excede (e muito) a duração de cada show. Eu, que ali não poderia ajudar em nada, comecei a redigir este texto.

Infelizmente, nem tudo funciona como planejado. Escalada para ser a primeira banda da noite, a local "Blues Boys" não apareceu a tempo. O publico também demorou a chegar, perdendo o grande espetáculo que foi o show da DYNAMITE.

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Se o vocalista Naza já tinha mostrado que era uma figura antes, depois que vestiu o figurino de hard-rocker ficou muito facilmente confundível com uma mulher muito muito feia. Sua voz muito característica é um ponto bastante positivo, junto com sua arrasadora postura de palco. Ao seu lado, estavam Diego Mesquita, dividindo as guitarras, e Tiago Mesquita, galopando no baixo. Gabriel Said, também se garante nas baquetas, apesar da pouca idade.

Apesar de ter um set de músicas autorais poderosas (como a muito boa "Wildness" e a 'sangrenta e virginal' "I Gonna Bleed You") e a ótima faixa homônima é nas Covers que o público mais agita. Assim foi em "I Wanna Be Somebody", do WASP (que contou com a participação do já citado Mailson Buson). Como não poderiam faltar, ainda rolaram "Strutter" e "Rock And Roll All Night" do KISS, fechando o show de boas levadas de baixo, duelos de guitarras e bateria metralhadoras da DYNAMITE.

A próxima no palco foi a COLDNESS e este era um show que eu estava particularmente ansioso para assistir. Tenho acompanhado a COLDNESS já há algum tempo. Gosto muito das composições e do talento de cada um dos seus músicos e estava curioso para ver como o novo vocalista, Lenine Matos, se encaixaria naquele time. Este seria o primeiro show com a sua voz substituindo Diego Celedôneo e eu, particularmente, torcia por esta nova formação.

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O show da COLDNESS com Lenine Matos começou com "On a Great Speed" e o primeiro pensamento que me vem à cabeça é que é impressionante o poder das composições da COLDNESS, com cada membro da banda tendo seu momento de brilhar. Tendo a banda ganho um novo vocalista, é claro que há ajustes ainda a ser feitos, mas o lucro com a entrada de Lenine é inegável.

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Wilton Bezerra não nega no palco a grande admiração por Petrucci e a influência do guitarrista em seus solos, deixando todos impressionados com a sua capacidade de fritar. O primeiro pensamento que me veio a cabeça eu já disse. O que me vem agora não pode deixar de ser: "É assim que se toca, caralho!"

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Neste show, mais um fato novo (pelo menos em todos os shows da COLDNESS que tive a oportunidade de assistir), a inclusão de uma canção cover. A escolhida foi "Sign Of The Cross" do AVANTASIA, na qual Lenine Matos se saiu muito bem.

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O próximo momento marcante foi quando a galera enlouqueceu e fizeram roda com a levada de baixo de "In The Mirror". Lenine, com muito mais segurança de palco que nas primeiras musicas da noite me fez pensar que será muito bom ter um novo CD da COLDNESS com a sua voz.

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Mesmo estando entre amigos é preciso dizer que nas gravações que fiz percebi que os microfones, não a voz, falharam em alguns momentos, mas o veredicto é que a banda mostrou ter crescido para e durante este show. Sem dúvidas, este foi o melhor deles até agora. Uma nova oportunidade de ver a COLDNESS, em 14 de julho no tradicional festival FORCAOS.

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Já tendo se apresentado em Forquilha anteriormente, a TERGARA estava de volta a pedidos dos Forquilhenses. Seu som é um Heavy Metal de grande complexidade e cantado em português. Assim como a COLDNESS, um novo integrante fazia naquela noite o seu show de estreia, o baterista Francisco Jander, que teve muito pouco tempo para absorver todas as viradas, mas cumpriu muito bem o seu papel. Por este motivo, o set list da banda foi bastante reduzido, embora intenso, baseado principalmente nas faixas do EP "O Reino do Amanhã pt 1".

Um destaque no set list foi a belíssima "Baby mistério", que, com lindo instrumental, alcançou a proeza de ficar melhor que a versão do EP.

E durante todo o show, George Ventura, vocal, interage bastante com a plateia, chegando a dividir agudos em alguns momentos. E se em outras bandas, o vocalista aproveita os solos mais longos para tomar uma água, fumar um cigarro, tirar um descanso, George chega a descer do palco e participar da roda lá embaixo. Outro destaque na apresentação é o tecladista Bruno Colares, que passa a maior parte do show usando uma máscara de Guy Fawkes, o Tiradentes/Judas inglês responsável pela dinamite que explodiria o parlamento inglês e ficou bastante conhecido dos brasileiros por causa do filme "V de Vingança". Milhares destas máscaras tomariam as ruas do Brasil alguns dias depois desse show nas manifestações que tomaram conta do país.

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Com o fim do show se aproximando, chega a hora de apresentar os integrantes da banda, papel que cabe, como de se esperar, ao vocalista. O novo baterista, Jander, faz a intro de "Territory" (SEPULTURA) ao ser apresentado. Quem, além de mim, concorda que este é um excelente cartão de visitas? George desce do palco e vai pra roda. "O show é de vocês" e continua apresentado: Bruno Colares, já sem a máscara de Guy Fakes, o baixista, Caio Tavares, que dá uma mini aula de slap, o guitarrista Igor Clodomiro, que apresenta George, dispensando mais um daqueles tratamentos cordiais a mãe do rapaz. É heavy metal apenas, mas a galera está compeltamente ensandecida no final, como se fosse show de punk ou thrash. Eu vi que se quisesse continuar inteiro era hora de sair da beira do palco, mas o guitarrista achou que era hora de descer e tocar lá em baixo, junto com a galera.

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Se aquela noite já tinha trazido muitas emoções até aquele momento, a Rock Tour ainda tinha algumas surpresas que nem eu, que os tinha acompanhado desde o início do dia, desconfiava. Integrantes das três bandas mais o produtor Mailson Buson subiram ao palco para incendiar o balneário e o açude de Forquilha. Mailson na bateria, Wilton, George e Lenine (guitarra, baixo e vocal da COLDNESS), John Nazi (vocal e guitarra da DYNAMITE) e Tiago Mesquita (baixo da DYNAMITE) e George Ventura (TERGARA) se uniram para uma espetacular jam, uma celebração ao rock ao fim de um show de rock (sim, isto é possível), cantando "Rainbow In The Dark", do DIO, "The Wicker Man" do IRON MAIDEN e "Rock You Like A Hurricane", do SCORPIONS.

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SETLIST COLDNESS

On a Great Speed
Justify Your Existence
Live Now
Lost In The Valley of Eternity
Clash of Time
Sign of The Cross (Avantasia)
In The Mirror - No Choices

SETLIST TERGARA

A Fuga
Sina de Um Sonhador
"Baby" Mistério
Gênesis do Gigante Rubro

SET LIST DYNAMITE

Catch on fire
I wanna be somebody - WASP
Wildness
Strutter . KISS
I gonna bleed you
Dynamite
Rock and roll all night - KISS

Line Up - TERGARA

Francisco Jander - Bateria
Caio Tavares - Baixo
Igor Clodomiro - Guitarra
George Ventura - Vocal
Bruno Colares - Teclado

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Line Up - DYNAMITE

John Nazi - Guitarras e vocais
Tiago Mesquita - Baixo Dynamite
Diego Mesquita - Guitarra Dynamite
Gabriel Said - Bateria Dynamite

Line Up - COLDNESS

Lenine Matos - Vocal
Wilton Bezerra - Guitarra
George Rolim - Baixo
Gabriel Andrade - Teclados
Pedro Neto - Bateria

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Para nós, os integrantes da Rock Tour e este repórter intruso, a noite tinha acabado. Tivemos um lanche rápido e rumamos de volta para nossos lares em Fortaleza. A banda BLUES BOYS finalmente tinha chegado e continuou embalando os sobreviventes daquela noite memorável apresentando clássicos do rock nacional. No caminho de volta, todos cansados, desmaiamos quase todos, até eu que só tinha subido ao palco para tirar fotos ruins (o amigo fotógrafo Ghandi Guimarães, cujas fotos normalmente ilustram minhas resenhas, fez muita, muita falta nesse show).

Agradeço aos amigos da COLDNESS, TERGARA e DYNAMITE e ao produtor Mailson Buson pela oportunidade de acompanhá-los nesta empreitada, peço desculpas pela demora na publicação deste texto (nas últimas semanas quase não pude me sentar em frente a um computador), desejo sorte nas próximas e que tanto a Rock Tour quanto as bandas individualmente atinjam o sucesso de que são merecedoras.

Update: enquanto escrevia este texto, o tecladista Bruno Colares da TERGARA passou por problemas de saúde e foi diagnosticado com perda de 80% de sua visão em um dos olhos. A causa do problema ainda não foi diagnosticada, nem se é temporário ou não (esperamos que seja). Desejamos que o músico se recupere rápida e completamente. A banda anunciou que dará uma pausa em suas atividades enquanto aguarda pela recuperação de Bruno.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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