Jethro Tull (Auditório Araújo Vianna, Porto Alegre, 10/04/2024)
Por Guilherme Dias
Postado em 19 de abril de 2024
Após longa espera, o Jethro Tull, finalmente, apresentou-se em Porto Alegre novamente. O show deveria ter acontecido em 2020, mas devido à pandemia do Covid-19, ele foi adiado diversas vezes. O grupo, formado em 1967, excursiona com a turnê chamada "The Seven Decades". Na capital gaúcha, o local escolhido foi o Auditório Araújo Vianna, onde o líder da banda, Ian Anderson, realizou apresentações solo nos anos de 2013, 2015 e 2017. O Jethro Tull já visitou Porto Alegre em diversas oportunidades, a primeira delas foi no ano de 1988 no Ginásio Gigantinho e a última havia sido em 2007, no Teatro do Sesi.
Por volta das 21 horas, um aviso apareceu no telão, informando que o show iria começar e que seria proibido tirar fotos e fazer vídeos. No centro do palco, a estrela da noite, Ian Anderson (vocal e flauta), ao seu lado Jack Clark (guitarra) e David Goodier (baixo) e, nas laterais do palco, John O’Hara (teclados) e Scott Hammond (bateria). A primeira música da noite foi "My Sunday Feeling", do primeiro lançamento do Jethro Tull, "This Was", lançado em 1968, já a segunda, "We Used to Know", do segundo disco, "Stand Up" (1969). Dois clássicos do disco "Heavy Horses" (1978) apareceram em seguida, sendo elas a faixa-título e, também, "Weathercock". Viajando para a década de 1990, foi a vez da pesada "Roots to Branches", com uma presença significativa dos riffs e solos de Jack Clark em dueto com a flauta de Anderson.

Bastante comunicativo, Anderson apresentou a animada e instrumental "Holly Herald", dizendo que ela está presente no disco "The Jethro Tull Christmas Album", e que é uma mistura de música folk, música sacra e composições de sua autoria; o destaque ficou com os teclados de John e a flauta de Anderson. Nos últimos anos, Ian Anderson lançou dois discos pelo Jethro Tull e aproveitou para apresentar algumas composições na turnê, sendo elas "Wolf Unchained" e "The Navigators", de "RökFlöte" (2023), e "Mine is the Mountain" e "Mrs. Tibbets", de "The Zealot Gene" (2022). A primeira parte do show foi encerrada com a instrumental "Bourée", versão de uma composição de Johann Sebastian Bach, que foi lançada como single e também está presente no disco "Stand Up". Anderson anunciou uma pausa e avisou que voltariam em 15 minutos.

O retorno do intervalo veio com a oitentista "Farm on the Freeway" ("Crest of a Knave", 1987) e ainda teve "Warm Sporran" e "Dark Ages", ambas de "Stormwatch" (1979). O público se manteve calmo durante toda a apresentação, refletindo a tranquilidade transmitida por Ian Anderson, porém quando a clássica "Aqualung" foi anunciada pelo cantor, os simples aplausos e gritos discretos foram substituídos por gritos e cantos muito mais altos. No telão, uma nova mensagem, dessa vez, permitindo o registro de fotos e gravação de vídeos. Nesse momento, o público que ficou sentado no seu lugar durante todo o espetáculo, motivou-se a ficar em pé, a levantar os celulares para fazer registros e, inclusive, a aproximar-se do palco, transformando as primeiras fileiras de cadeiras em uma pista, sem lugar definido para ninguém. Esse clima acompanhou "Locomotive Breath", clássico absoluto de "Aqualung" (1971), a última do repertório.

O show durou aproximadamente 1 hora e meia e, apesar do intervalo, foi simples e direto. O volume dos instrumentos e das vozes estava muito agradável e nítido, assim como a iluminação, alternando as cores de acordo com as imagens do telão. O telão no fundo do palco mostrou vídeos e imagens conforme a temática de cada música, criando uma ambientação magnífica. Ian Scott Anderson não é mais um jovem e mesmo com os seus 76 anos de idade, cantou bem, se movimentou bastante, interagiu com o público e, em alguns momentos, fez a sua tradicional pose com sua flauta com uma das pernas levantadas. Em entrevistas recentes, Anderson disse que não tem vontade de parar de tocar e, quando for o momento certo, irá anunciar uma turnê de despedida, então, podemos esperar por mais retornos do Jethro Tull em terras brasileiras.
Fotos por: Guilherme Dias

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