Resenha - Dream Theater - Dream Theater

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Resenha - Dream Theater - Dream Theater


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Escrever uma resenha sobre um disco ao ouvir pela primeira vez é um desafio e não está imune aos deslizes de qualquer jornalista ou crítico, mesmo os mais experientes. Mesmo assim, topei resenhar o disco do DT chamado de "Dream Theater", o 12º material da banda. O trabalho acontece 28 anos depois da fundação do grupo, sob o nome Majesty, com o logotipo do M característico na capa escura, revelando algo parecido com um astro no espaço ou um planeta.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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O disco chegará no dia 24 de setembro oficialmente. Pude conferir o som deles no SoundCloud Roadrunner USA pela Rolling Stone.com.

No primeiro single, "The Enemy Inside", lançado em agosto, a banda já revelou que o lado pesado seria predominante no disco, muito provavelmente. Esta é a impressão que passa na primeira faixa, "False Awakening Suite", com uma percussão consistente e uma atmosfera sombria. Parece que estamos, novamente, na fase "Train of Thought" da banda. No entanto, a entrada de John Petrucci na guitarra elétrica, guiando a melodia a banda, dá um aspecto grandioso que não víamos normalmente em trabalhos anteriores recentes.

"The Enemy Inside" continua com as investidas pesadas da guitarra, com uma letra que trata sobre inimigos internos, uma realidade muito comum nos Estados Unidos. A composição funciona bem como single e melhor ainda como uma segunda faixa de abertura. É uma das melhores criações do Dream Theater nos últimos anos, com James LaBrie cantando sem forçar os agudos, um refrão grudento com o teclado de Jordan Rudess e todos os instrumentos em sintonia. Mesmo nos solos mais elaborados, a banda não exagera muito e conclui passagens com fraseados expressivos de guitarra elétrica.

"The Looking Glass" dá uma boa desacelerada no andamento, justamente porque "The Enemy Inside" é uma música mais frenética, mais focada em mostrar a energia do novo Dream Theater pós-Mike Portnoy, sem um dos fundadores originais do grupo. O teclado não tenta dominar a guitarra na música, mas oferece complementos que deixam a voz de LaBrie melódica. Os instrumentos também dão um respiro ao vocalista, transformando esta faixa em uma forte candidata a uma balada pesada. As viradas de Mike Mangini, o baterista novato no grupo, não são apenas rápidas, mas bem articuladas, com cada batida bem encaixada. Com uma letra sobre visão das coisas e das pessoas, essa terceira faixa dá um tom mais otimista ao material. John Petrucci continua dominando o disco com suas frases no instrumento de seis cordas, tocando muito à vontade.

Jordan Rudess mostra seus dons no teclado, como o "mago" da banda, em "Enigma Machine", acompanhado por uma guitarra saturada, no melhor estilo do Metallica, uma das influências de Petrucci. Fortemente instrumental, os sons eletrônicos dialogam nesta faixa do Dream Theater, lembrando composições como "Erotomania", do disco Awake, mas sem uma bateria tão marcante. Não é que Mangini não seja um baterista de destaque nesta música, mas as estrelas, ao ouvir os sons, são Petrucci e Rudess. Há solos fritados, rápidos, mas que se intercalam até com o baixo de John Myung, que normalmente não ganha muito destaque. As mudanças de tempo vão agradar os fãs mais fiéis da banda. É a música feita para fãs de rock progressivo.

"The Bigger Picture" é aquela faixa que oscila entre passagens pesadas e leves justamente para dar forma a uma letra que aborda o contexto das pessoas e de suas vidas. Guitarra limpa e teclados sem efeitos elaborados contrastam com fraseados que afirmam com força a característica de hard rock e de heavy metal do Dream Theater. Mesmo com variações, é uma música fácil para o ouvinte de primeira viagem da banda. John Petrucci capricha nos riffs, dando uma atmosfera de Images and Words e Scenes From a Memory na música, o que vai atingir em cheio o fã que não acreditava que o DT pudesse recuperar suas origens.

Com um começo muito diferente, leve e com muitos efeitos sonoros, "Behind The Veil" começa efetivamente com porradas da bateria e da guitarra. A letra cantada por LaBrie fala sobre o além e conceitos sobre vida e morte. Novamente, a banda investe na dicotomia entre sons mais densos e outros mais suaves. O teclado tem uma entrada muito diferente da guitarra, formando poucos diálogos, mas a música, mesmo assim, é agradável para ser ouvida.

"Surrender to Reason" tem um andamento mais quadrado, mas conservando o peso de todo o disco. Uma característica marcante de "Dream Theater" são longas entradas e intervenções instrumentais, ressaltando os dons dos musicistas envolvidos, mas sem soar embolado ou como um som burocrático. "Surrender to Reason" é a faixa que melhor apresenta a velocidade de Mangini em suas baquetas, sem as viradas características de Mike Portnoy, mas com uma percussão criativa e em sintonia com a banda. A letra lida com o embate entre a racionalidade e o que é irracional ou fantasioso, como os anjos.

Segundo single liberado, no dia 9 de setembro, "Along For The Ride" é uma música mais calma, no entanto é também a menos inspirada do disco todo. Não tem o embalo de uma "Forsaken" ou o otimismo contagiante de "I Walk Beside You", mas é uma boa música de respiro, sem um ímpeto forte de distorção nos instrumentos como em faixas anteriores. Existe um peso na composição perto de sua conclusão, mas nada que seja equivalente ao que já tinha sido tocado.

"Illumination Theory" é o ápice do disco, com 22 minutos e 16 segundos. O início da música é grandioso e parece somar a longa trajetória do material até aquela conclusão. Os fraseados de guitarra são crus e muito inspirados em Thrash Metal, com distorção saturada, acompanhada por um vocal de LaBrie tão impositivo quanto o lado instrumental da banda. Nesta faixa entra os arranjos parecidos com "trilha-sonora de cinema" que John Petrucci mencionou em entrevistas anteriores. A orquestração ajuda a suavizar e prolongar o clímax das partes calmas e menos tensionadas da composição. Mesmo com esses diferenciais, o Dream Theater ainda soa como Dream Theater quando a banda reassume a melodia. O piano encerra um disco fortemente inspirado na vida, na razão, nos sonhos, nos temores e no fato de cada um dos integrantes ser um pedaço distinto do universo do DT.

Pode ser ainda precipitado dizer, mas "Dream Theater" parece ser o trabalho autoral mais criativo da banda desde "Six Degrees of Inner Turbulence", de 2002. As poucas críticas em cada faixa dão ainda mais grandeza ao nome da banda estampado no novo álbum de estúdio. Com a saída do amigo Mike Portnoy, John Petrucci parece ter assumido a liderança da banda, nos negócios e nas composições melódicas. Sua guitarra está em destaque, carregada de influências e, sobretudo, com combinações que fazem parte de seu DNA como músico.

James LaBrie parece ter se encontrado como um vocalista em sintonia ao não abusar dos agudos. Jordan Rudess é um ótimo tecladista, sobretudo quando ele consegue dialogar criativamente com a guitarra e não começa a solar sozinho, apenas com seus efeitos eletrônicos. John Myung ainda faz poucas intervenções, mas é uma base sólida. Já Mike Mangini é um baterista mais discreto, mas que abre espaço para as melodias dos demais, com velocidade e empolgação.

Dei 10 para o este disco. Não porque ele é perfeito ou imune às falhas, mas sim porque me parece um novo clássico da banda. É o primeiro material realmente marcante do Dream Theater nesta década e é um forte candidato a melhor álbum dos anos 2000 até o momento.

Veja a track list completa de "Dream Theater", com nove faixas:

01. False Awakening Suite
I. Sleep Paralysis
II. Night Terrors
III. Lucid Dream
02. The Enemy Inside
03. The Looking Glass
04. Enigma Machine
05. The Bigger Picture
06. Behind The Veil
07. Surrender To Reason
08. Along For The Ride
09. Illumination Theory
I. Paradoxe de la Lumière Noire
II. Live, Die, Kill
III. The Embracing Circle
IV. The Pursuit of Truth
V. Surrender, Trust & Passion

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Sobre Pedro Zambarda de Araújo

Nascido em 1989. Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, Pedro foi apresentado ao heavy metal através da banda Blind Guardian, em meados de 2004. Ouve e aprecia outros estilos do rock, como o punk, o indie e vertentes mais variadas. Gosta de assistir e cobrir shows.Toca muito mal guitarra, mas aprecia vários tipos de instrumentos musicais.

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