Dream Theater: A banda se perdeu em si mesma

Resenha - Dream Theater - Dream Theater

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Por Igor Z. Martins
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Ao escutar o último disco do Dream Theater, lançado neste ano e intitulado com o nome da banda, a conclusão a que se chega é que a banda se perdeu em si mesma. Eu sou absolutamente fã da banda e considero os músicos os melhores do planeta, na área do rock, em termos técnicos – exceto por James LaBrie, que continua um chorão com um timbre extremamente enjoativo.
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O problema do Dream Theater é que, ao longo dos anos, aconteceu uma somatória de firulas técnicas, solos malucos, um tecladista fanfarrão que adora fazer um barulhinho (desnecessário) aqui e outro ali, um baixista que não se decide se quer ser um guitarrista ou um baixista e toda aquela novela em torno do finado Mike Portnoy, que transformou a banda num monstro indecifrável. Mesmo sendo fã da banda, chega uma hora em que todos aqueles “bu-lu-lus” vão dando nos nervos. Você está no embalo da música – porrada total! – e, de repente, do nada, surge um treco que te joga um balde de água nas costas num dia de -2 graus; algo tipo um teclado fazendo o som de arminhas a laser do Jiraya ou Jaspion, ou um dedilhado forjado para a entrada das fadas no palco.

Veja bem, caro leitor: técnica não significa musicalidade. Significa, apenas, que você é um estudioso do assunto. Talento, espontaneidade, energia e instinto são coisas bem distintas de um diploma em música. E esse é o problema do Dream Theater atual. Não que os caras não sejam talentosos, mas substituíram todo o “punch” de fazer música numa coisa extremamente chata, como as aulas de matemática que todos tivemos no segundo grau. Exponencial disso, raiz quadrada elevada ao quadrado daquilo, métrica daquele outro e escala em dó ultra diminuto com um ré ligado em escala de si bemol sustenido.

John Petrucci nunca foi tão “wanker” como nesse disco. É um exagero que denota que o sujeito entra no estúdio e pensa: “Eu tenho que ser o mais rápido do mundo – não importa se vai soar legal; Eu tenho que inventar escalas meta-isso-aquele-ali para que todos me considerem um maestro da guitarra – não importa se vai soar legal”. E pensam da mesma forma Myung, Rudess e Mangini.

O rock (ou metal) progressivo, por excelência, não é linear, mas quando isso começa a soar como pingos de chuva num rio, sem sentido, ritmo, direção, coerência, começa a perder totalmente o rótulo de música, se transformando apenas em barulheira desenfreada. O que os caras do Dream Theater fizeram nesse disco foi uma competição de peidos: quem peida mais alto e mais fedido. Eles competem uns contra os outros e fica tudo virado num palheiro desorganizado. Aí, param com toda a masturbação, e aparece um sonzinho ambiente que te leva ao Elísio. Lá, você chega e pergunta: “Como vim parar aqui?”.

Não cito sequer uma música desse disco, porque nenhuma tem uma identidade. Pegaram todas as notas que compuseram para o álbum, jogaram num liquidificador e gravaram. Aí, saiu esse Frankenstein que temos em mãos. Olha, qual o maldito problema em fazer um acorde em 1ª, 5ª e 8ª? É para fracos? Por que precisa fazer isso em 1ª, 10ª, 20ª com um fá diminuto ligado a um si sustenido menor num compasso 19/13? O que é isso senão tentar soar “sou o cara mais técnico do mundo.”? Esse álbum do Dream Theater é o claro exemplo de música sendo deixada de lado e a auto-ostentação tomando lugar. Chato até dizer chega. Não digo sem pé e nem cabeça, porque, para rotular algo assim, precisa-se de uma estrutura mínima, que é uma coisa que o Dream Theater perdeu totalmente.

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Sobre Igor Z. Martins

Jornalista do interior do Paraná, Igor entrou no mundo do rock pesado em 1998, com "The X Factor", do Iron Maiden. Posteriormente, cairam em seus ouvidos Metallica, Guns N'Roses, Dream Theater, Megadeth, etc. Eclético, consegue escutar Oasis, Death, Pantera e Pink Floyd em sequência! Gasta mais da metade do que ganha com CDs, sendo, assim, chamado de "burro" por aqueles que acreditam que "é só baixar da Internet". Quer lhe dar um presente, fazê-lo feliz? Dê-lhe um CD! Comportar-se como criança diante de um CD novo e sentir o cheiro de encartes são marcas de sua paixão louca pela música!

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