Dream Theater: Retornando aos holofotes com um bom disco nas mãos

Resenha - Dream Theater - Dream Theater

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


"FINALMENTE ACERTARAM!!" Após a quinta escutada (de 15 ou 16, não sei ao certo) no novo álbum do Dream Theater de 2013, auto-intitulado (e não a toa, diga-se de passagem), este foi o primeiro pensamento que me saltou da cabeça. Uma sensação muito boa palpitou em meu âmago em saber que uma banda da qual já fui admirador confesso no passado volta aqui a me impressionar e me emocionar. Lembro de como foi bom ver o Metallica com seu recente Death Magnetic (2008); a sensação aqui foi a mesma.

Estagnados já faz algum tempo, com discos que não refletiam em quase nada o brilhantismo do grupo em sua época áurea, época essa que, na opinião deste que vos escreve, acabou em Six Degrees of Inner Turbulence (2002), tendo apenas uma ou duas gemas realmente boas em cada disco lançado após o referido, três gemas se analisarmos o disco de estréia do baterista Mike Mangini, A Dramatic Turn of Events (2011), o novo álbum do Dreater Theater (resenha abaixo), mesmo ainda sendo passivo de deslizes, acerta mais do que erra. E para uma banda do porte desta que tanto gaba-se de ser audaciosa, desconsiderar a progressão é mesmo dar um tiro no pé.
5000 acessosDream Theater: É só isso? Tanta tempestade pra isso?

Talvez isso possa ser atribuído à mudança de baterista que, possivelmente tenha trazido uma nova atmosfera ao grupo, mas a verdade é que o novo disco é sim, muito bom. Mas não é genial. Ele traz novidades? Lamento dizer que não, não traz. E o fator onde peca está justamente nisso. Refiro-me de novo ao termo "progressão", enclausurado na identificação de gênero musical que a banda se classifica. Nenhuma composição da banda neste disco é algo genial, pois gênio é aquele sujeito que te faz ouvir algo que você jamais escutou antes na vida e com essa ação, te encanta. Eles já foram geniais. Não é o caso aqui.

No entanto, não se pode dizer que o encanto não está presente. Há, aliás aqui algo que eu sentia muita falta que é uma ótima faixa de introdução, a curta suíte "False Awakening" coisa que eu não via na discografia da banda desde o inexpressivo Sistematic Chaos (2007), o famoso "disco sanduíche" da banda, idéia da qual artistas como Frank Zappa e Pink Floyd foram pioneiros. É um disco meio fraco na minha opinião, mas que possui faixas de abertura e fechamento matadoras. E aqui nesta nova empreitada a banda volta a chamar minha atenção na abertura de um disco.

"The Enemy Inside" traz de volta aquela aura presente em discos como Awake (1994), uma das obras mais pesadas e significativas do quinteto (saudades de Kevin Moore!). "The Looking Glass" reafirma pela... pela... perdi a conta, mas enfim... blábláésima vez as fortíssimas e latentes influências dos canadenses do Rush no quinteto, influências essas que estão super presentes no debut do grupo, When Dream and Day Unite (1989), e da qual o grupo nunca negou ter em sua trajetória.

"Enigma Machine", a mais nova empreitada instrumental do grupo, como sempre, impressiona pela excelência técnica e algumas partes até lembram algo como "The Dance of Eternity", mas sinceramente, achei uma instrumental bem inexpressiva, longe do encanto técnico e classe de uma "Ytse Jam" ou "Hell's Kitchen" por exemplo, duas faixas instrumentais do grupo que adoro ouvir, bem como a própria faixa do álbum Scenes From a Memory (1999) que acabei de citar.

"The Bigger Picture" evoca, em todos os sentidos, a categoria e beleza melódica, bem como a atmosfera majestosa que um álbum clássico como Images and Words (1992) possui. Está, sem dúvida entre as mais bonitas deste novo trabalho. É muito revigorante ver a banda de volta com um apuro melódico e sentimental desta magnitude. Estavam precisando! Os fãs agradecem.

"Behind the Veil" lembrou bastante, novamente, os tempos áureos de Kevin Moore, mas também remete brevemente à estética sonora do Six Degrees em algumas passagens. É um dos melhores exemplos do Dream Theater sendo quem eles são, com a banda recuperando sua identidade sonora característica de outrora. O mesmo pode-se dizer de "Surrender to Reason", evocando sentimentos bem semelhantes. "Along for the Ride", uma das faixas mais bonitas do grupo em sua trajetória, possuindo aí também uma bela letra, emociona e sensibiliza o fã mais afoito, entrando aí para o hall das grandes faixas curtas épicas da banda, de fato muito bonita e com atmosfera de Images and Words novamente, com grandes chances de virar um grande clássico do grupo. Só não é tão bonita como uma "Surrounded" por exemplo, mas cumpre o que se espera.

O épico final de 22 minutos de duração, "Illumination Theory", é simplesmente um show à parte!! Só por ele, sozinho e tão somente, já vale a aquisição do álbum. Emocionante, excitante, lindamente escrita e brilhantemente executada, a faixa longa possui uma introdução belíssima, passagens pulsantes e outras bastante intimistas, um entremeio instrumental clássico lá pelos 6:50 que possui arranjos interessantes que evocam algo como "Echoes" do Pink Floyd, aliás destaque mais do que especial ao arranjo de violinos lá pelos 8:35 que ficou maravilhoso e encheu meus olhos, ouvidos, sentidos, sim, lindo, fantástico, tema de filme, peça da Broadway, simples assim, conduzido brilhantemente pelo maestro e arranjador Eren Başbuğ, dando um toque mais do que especial à peça do quinteto, e pra completar, andamento que nunca perde o fio da meada, mantendo-se interessante do início ao fim e um gran finale apoteótico. Com todas essas características, esta faixa de encerramento fecha um álbum acima da média e que a banda estava realmente precisando fazer.

De volta aos trilhos, com ótima produção, cristalina e, parece-me, com as baterias recarregadas após um período de não tantos acertos, a banda de Long Island retorna aos holofotes com um bom disco nas mãos. E que mantenha o nível a partir de agora e se supere cada vez mais. Vale a aquisição!

Dream Theater - Dream Theater (Roadrunner Records)

01. False Awakening Suite
- I. Sleep Paralysis
- II. Night Terrors
- III. Lucid Dream
02. The Enemy Inside
03. The Looking Glass
04. Enigma Machine
05. The Bigger Picture
06. Behind the Veil
07. Surrender to Reason
08. Along for the Ride
09. Illumination Theory
- I. Paradoxe de la Lumière Noire
- II. Live, Die, Kill
- III. The Embracing Circle
- IV. The Pursuit of Truth
- V. Surrender, Trust & Passion

James LaBrie - Vocais
John Petrucci - Guitarra
John Myung - Baixo
Jordan Rudess - Teclados
Mike Mangini - Bateria

Discografia anterior:

11. A Dramatic Turn of Events (2011)
10. Black Clouds & Silver Linings (2009)
9. Systematic Chaos (2007)
8. Octavarium (2005)
7. Train of Thought (2003)
6. Six Degrees of Inner Turbulence (2002)
5. Metropolis Part 2: Scenes From a Memory (1999)
4. Falling Into Infinity (1997)
3. Awake (1994)
2. Images and Words (1992)
1. When Dream and Day Unite (1989)

Website:
http://www.dreamtheater.net

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Dream Theater - Dream Theater

5000 acessosDream Theater: Banda escorrega em suas virtudes e se repete3583 acessosDream Theater: Nada diferente dos últimos dez anos3501 acessosDream Theater: Equilíbrio alcançado só pelos raros2431 acessosDream Theater: Ainda capaz de proporcionar poderosas experiências2545 acessosDream Theater: Pura diversidade diversificada e fragmentada5000 acessosDream Theater: A banda se perdeu em si mesma5000 acessosDream Theater: Renovada, banda reencontra criatividade4565 acessosDream Theater: álbum auto intitulado é apoteótico5000 acessosDream Theater: um dos discos mais variados de sua discografia5000 acessosDream Theater: O primeiro material realmente marcante da década5000 acessosDream Theater: álbum não foi autointitulado por acaso

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Dream TheaterDream Theater
Saiba por que Petrucci é tão concentrado nos shows

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Dream Theater"

Dream TheaterDream Theater
"Muito mais que Rock Progressivo"

Mike PortnoyMike Portnoy
"Levando um pedacinho do Jimmy comigo na estrada"

Mike PortnoyMike Portnoy
"Quem eu me tornei quando era um alcoólatra"

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Dream Theater"

Monsters of RockMonsters of Rock
A feijoada que quase derrubou King Diamond

VelocidadeVelocidade
Top 10 de músicas de Metal para ser multado

MegadethMegadeth
Fã tem siricutico ao encontrar Mustaine; veja vídeo

5000 acessosHetfield: egos, Mustaine, Load e homossexualidade no Metallica5000 acessosEddie: a foto que supostamente inspirou Derek Riggs5000 acessosMetallica: Hammett e Ulrich escolhem álbuns e músicas da década passada5000 acessosGuns N' Roses: transtorno bipolar, a doença de Axl Rose5000 acessosLinkin Park: Bennington fala sobre alcoolismo e abuso na infância5000 acessosVirais true: vídeos sobre Rock e Heavy Metal que bombaram em 2012

Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

Mais matérias de Ricardo Pagliaro Thomaz no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online