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Dream Theater: Retornando aos holofotes com um bom disco nas mãos

Resenha - Dream Theater - Dream Theater

Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Em 10/10/13

Nota: 8

"FINALMENTE ACERTARAM!!" Após a quinta escutada (de 15 ou 16, não sei ao certo) no novo álbum do Dream Theater de 2013, auto-intitulado (e não a toa, diga-se de passagem), este foi o primeiro pensamento que me saltou da cabeça. Uma sensação muito boa palpitou em meu âmago em saber que uma banda da qual já fui admirador confesso no passado volta aqui a me impressionar e me emocionar. Lembro de como foi bom ver o Metallica com seu recente Death Magnetic (2008); a sensação aqui foi a mesma.

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Estagnados já faz algum tempo, com discos que não refletiam em quase nada o brilhantismo do grupo em sua época áurea, época essa que, na opinião deste que vos escreve, acabou em Six Degrees of Inner Turbulence (2002), tendo apenas uma ou duas gemas realmente boas em cada disco lançado após o referido, três gemas se analisarmos o disco de estréia do baterista Mike Mangini, A Dramatic Turn of Events (2011), o novo álbum do Dreater Theater (resenha abaixo), mesmo ainda sendo passivo de deslizes, acerta mais do que erra. E para uma banda do porte desta que tanto gaba-se de ser audaciosa, desconsiderar a progressão é mesmo dar um tiro no pé.

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imagemResenha - A Dramatic Turn of Events - Dream Theater

Talvez isso possa ser atribuído à mudança de baterista que, possivelmente tenha trazido uma nova atmosfera ao grupo, mas a verdade é que o novo disco é sim, muito bom. Mas não é genial. Ele traz novidades? Lamento dizer que não, não traz. E o fator onde peca está justamente nisso. Refiro-me de novo ao termo "progressão", enclausurado na identificação de gênero musical que a banda se classifica. Nenhuma composição da banda neste disco é algo genial, pois gênio é aquele sujeito que te faz ouvir algo que você jamais escutou antes na vida e com essa ação, te encanta. Eles já foram geniais. Não é o caso aqui.

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No entanto, não se pode dizer que o encanto não está presente. Há, aliás aqui algo que eu sentia muita falta que é uma ótima faixa de introdução, a curta suíte "False Awakening" coisa que eu não via na discografia da banda desde o inexpressivo Sistematic Chaos (2007), o famoso "disco sanduíche" da banda, idéia da qual artistas como Frank Zappa e Pink Floyd foram pioneiros. É um disco meio fraco na minha opinião, mas que possui faixas de abertura e fechamento matadoras. E aqui nesta nova empreitada a banda volta a chamar minha atenção na abertura de um disco.

"The Enemy Inside" traz de volta aquela aura presente em discos como Awake (1994), uma das obras mais pesadas e significativas do quinteto (saudades de Kevin Moore!). "The Looking Glass" reafirma pela... pela... perdi a conta, mas enfim... blábláésima vez as fortíssimas e latentes influências dos canadenses do Rush no quinteto, influências essas que estão super presentes no debut do grupo, When Dream and Day Unite (1989), e da qual o grupo nunca negou ter em sua trajetória.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

"Enigma Machine", a mais nova empreitada instrumental do grupo, como sempre, impressiona pela excelência técnica e algumas partes até lembram algo como "The Dance of Eternity", mas sinceramente, achei uma instrumental bem inexpressiva, longe do encanto técnico e classe de uma "Ytse Jam" ou "Hell's Kitchen" por exemplo, duas faixas instrumentais do grupo que adoro ouvir, bem como a própria faixa do álbum Scenes From a Memory (1999) que acabei de citar.

"The Bigger Picture" evoca, em todos os sentidos, a categoria e beleza melódica, bem como a atmosfera majestosa que um álbum clássico como Images and Words (1992) possui. Está, sem dúvida entre as mais bonitas deste novo trabalho. É muito revigorante ver a banda de volta com um apuro melódico e sentimental desta magnitude. Estavam precisando! Os fãs agradecem.

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"Behind the Veil" lembrou bastante, novamente, os tempos áureos de Kevin Moore, mas também remete brevemente à estética sonora do Six Degrees em algumas passagens. É um dos melhores exemplos do Dream Theater sendo quem eles são, com a banda recuperando sua identidade sonora característica de outrora. O mesmo pode-se dizer de "Surrender to Reason", evocando sentimentos bem semelhantes. "Along for the Ride", uma das faixas mais bonitas do grupo em sua trajetória, possuindo aí também uma bela letra, emociona e sensibiliza o fã mais afoito, entrando aí para o hall das grandes faixas curtas épicas da banda, de fato muito bonita e com atmosfera de Images and Words novamente, com grandes chances de virar um grande clássico do grupo. Só não é tão bonita como uma "Surrounded" por exemplo, mas cumpre o que se espera.

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O épico final de 22 minutos de duração, "Illumination Theory", é simplesmente um show à parte!! Só por ele, sozinho e tão somente, já vale a aquisição do álbum. Emocionante, excitante, lindamente escrita e brilhantemente executada, a faixa longa possui uma introdução belíssima, passagens pulsantes e outras bastante intimistas, um entremeio instrumental clássico lá pelos 6:50 que possui arranjos interessantes que evocam algo como "Echoes" do Pink Floyd, aliás destaque mais do que especial ao arranjo de violinos lá pelos 8:35 que ficou maravilhoso e encheu meus olhos, ouvidos, sentidos, sim, lindo, fantástico, tema de filme, peça da Broadway, simples assim, conduzido brilhantemente pelo maestro e arranjador Eren Başbuğ, dando um toque mais do que especial à peça do quinteto, e pra completar, andamento que nunca perde o fio da meada, mantendo-se interessante do início ao fim e um gran finale apoteótico. Com todas essas características, esta faixa de encerramento fecha um álbum acima da média e que a banda estava realmente precisando fazer.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

De volta aos trilhos, com ótima produção, cristalina e, parece-me, com as baterias recarregadas após um período de não tantos acertos, a banda de Long Island retorna aos holofotes com um bom disco nas mãos. E que mantenha o nível a partir de agora e se supere cada vez mais. Vale a aquisição!

Dream Theater - Dream Theater (Roadrunner Records)

01. False Awakening Suite
- I. Sleep Paralysis
- II. Night Terrors
- III. Lucid Dream
02. The Enemy Inside
03. The Looking Glass
04. Enigma Machine
05. The Bigger Picture
06. Behind the Veil
07. Surrender to Reason
08. Along for the Ride
09. Illumination Theory
- I. Paradoxe de la Lumière Noire
- II. Live, Die, Kill
- III. The Embracing Circle
- IV. The Pursuit of Truth
- V. Surrender, Trust & Passion

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James LaBrie - Vocais
John Petrucci - Guitarra
John Myung - Baixo
Jordan Rudess - Teclados
Mike Mangini - Bateria

Discografia anterior:

11. A Dramatic Turn of Events (2011)
10. Black Clouds & Silver Linings (2009)
9. Systematic Chaos (2007)
8. Octavarium (2005)
7. Train of Thought (2003)
6. Six Degrees of Inner Turbulence (2002)
5. Metropolis Part 2: Scenes From a Memory (1999)
4. Falling Into Infinity (1997)
3. Awake (1994)
2. Images and Words (1992)
1. When Dream and Day Unite (1989)

Website:
http://www.dreamtheater.net


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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