Roqueiro doidão não tem mais vez no mercado, afirmam produtores musicais
Por Bruce William
Postado em 24 de abril de 2022
O produtor musical Clemente Magalhães levou para seu podcast, Corredor 5, a também produtora musical e jornalista Mariana Leivas, e lá no meio da conversa o assunto passou a ser o profissionalismo dos músicos quando vão subir ao palco para se apresentar, conforme mostra o corte abaixo.
Primeiro Clemente começa contando que conseguiu agendar um show no Imperator do Rio de Janeiro para uma banda, considerado o melhor lugar para se tocar na cidade. "É nossa chance, vamos fazer um puta show, levei uma equipe de filmagem", conta Guilherme. "Mas daí a galera chegou biritada, e foi um show de merda. E isso acontece muito", diz Guilherme, elogiando o pessoal do Nasa. E a Mariana Leivas comenta: "O pessoal da Nasa era ótimo pois não tinha nenhum doidão", e Guilherme concorda e emenda o raciocínio: "Porque você abria uma porta que é difícil pra caralho... você tem que arrebentar, tocar bem, fazer sua network com as pessoas, não ficar doidão, chegar na hora, não dar trabalho", explicando que as bandas que dão trabalho não são bem aceitas. "Cara, você precisa ser profissional", interrompe Mariana, "É o seu momento de você mostrar que você está pronto, que você merece aquele palco. Esses palcos são merecidos, você conquista aquele lugar. Se te derem aquele espaço e você fizer isso você está queimado".

Clemente conta que ficou triste pelo que aconteceu pois os caras chegaram ali e eram muito bons músicos. "Daí eu cansei, não posso fazer nada por pessoas que sejam menos perfeccionistas que eu", desabafou Clemente, passando a comentar alguns aspectos destas decisões até que a Mariana retoma o raciocínio: "O Rock tem muito dessa ligação com o Rock antigo dos anos 60, lisérgico e tal. Então, muitos músicos são músicos porque eles admiram essa cultura do Rock que foi construída ali, Pink Floyd, Led Zeppelin, e naquela época existia toda essa cultura do doidão que é o 'brabo' da história. Então acho que muitos músicos se perdem um pouco nisso" explica Mariana, contando depois que conheceu músicos incríveis que são verdadeiros artistas, que só precisavam de direcionamento, mas que se perdem porque acham que são artistas quando estão bebendo... "Tem um lugar pra fazer isso, você pode ser assim, mas não naquele momento que você está ali naquele palco importante, que você batalhou muito por aquilo e você precisa corresponder".
Clemente então diz: "É fundamental, acho que não cabe mais o antiprofissionalismo no mercado, era outra época", e Mariana emenda: "No lugar do Rock eu acho, e até por isso que você vai juntando vários fatores que fazem com que o Rock não esteja em alta hoje. Por causa dessa cultura do 'roqueiro doidão', como se isso fosse positivo. Mas o mercado da música não tem lugar mais pra isso não".
Em seguida eles falam sobre o profissionalismo do pessoal do sertanejo, até que Clemente comenta: "Daí você tem dinheiro pra investir numa dupla sertaneja que, se bombar, vai fazer 28 shows por mês. E faz mesmo! E daí pro cara fazer 28 shows no mês ele tem que ser responsável, não dá pra fazer 28 shows por mês se você for doidão, você morre no meio da primeira turnê".
A conversa completa está no player abaixo.
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