Dream Theater: Pura diversidade diversificada e fragmentada

Resenha - Dream Theater - Dream Theater

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Aloysio França
Enviar correções  |  Ver Acessos


Em setembro de 2013 foi lançado o novo álbum da mais bem sucedida banda de Prog Metal da história, o Dream Theater. O álbum, de título homônimo, é o segundo após a saída do icônico baterista Mike Portnoy. O CD traz uma seleção de músicas de alto nível, provando que a saída de Mike não os impedirá de continuar tocando como deuses, principalmente após o fato divulgado recentemente sobre a colocação do álbum na Billboard; sétima posição, acima até mesmo da trilha de "Through the Never" do METALLICA.

Há 25 anos: Dream Theater lançava o ótimo álbum AwakeIndústria: atrizes pornô começam a seguir mesmo rumo das bandas

Mas com relação à ousadia e inovação, o que podemos dizer? Mike Portnoy era um líder e na minha opinião, era fator determinante para que não ouvíssemos 'mais do mesmo' em álbuns do DREAM THEATER. Neste novo trabalho, os músicos parecem ter inserido elementos de todas as suas eras passadas. Distribuíram timbres, ritmos, fragmentaram todo o percurso, de modo que nada soa repetitivo, mas também não parece ir para lugar algum. Existem novidades sim, mas não são marcantes o suficiente para dar exclusividade ao álbum. "Octavarium", "Metropolis Pt. 2″ e "Black Clouds and Silver Linings" são bons exemplos para esclarecer o meu ponto de vista. São trabalhos de personalidade forte, tenham eles agradado muito ou pouco. Esse toque de inovação é o que não vejo no DREAM THEATER desde que Mike saiu. É como se houvesse uma dispersão criativa, ou faltasse uma certeza em relação ao objetivo da banda, e isso é uma consequência natural causada pela falta de um líder.

Ok, não estou aqui para ficar invocando espíritos de ex-integrantes, e apesar dessa minha óptica negativa, há muito o que elogiar em "Dream Theater", assim como elogiei seu antecessor. O fato de não ser peculiar (pelo menos não tanto quanto eu gostaria) não o torna desinteressante, principalmente se você é do tipo que se apega a timbres. A produção, assinada pelo próprio guitarrista John Petrucci, foi meticulosa, e graças a ela temos uma riqueza de sons distintos que deve agradar especialmente aos mais detalhistas. Me pergunto o quão trabalhoso deve ter sido editar cada pequena partícula deste álbum, preocupando-se em dar um diferencial para cada introdução, cada solo, de forma que tudo ficasse límpido e cristalino.

Uma coisa que o DREAM THEATER sempre fez muito bem foi trazer momentos de reflexão à suas obras. Momentos em que a melodia se sobressai à técnica, e neste álbum tais momentos me agradaram mais do que o seu lado mais pesado. Por isso destaco "Along for the Ride" e "The Bigger Picture" como duas grandes faixas, e embora não sejam diamantes, são bastante preciosas. "The Enemy Inside" é direta como toda primeira faixa deve ser, e traz a empolgação necessária para os shows da turnê. A Instrumental "Enigma Machine" não é o melhor que eles podem fazer, tenho certeza disso. O momento mais alto do CD é sem dúvida "The Looking Glass"; tem os melhores riffs, o melhor refrão, está acima de tudo em "Dream Theater" e é a única que eu apoio para que se estabeleça permanentemente no set list.

Ao contrário do que muitos afirmam, vejo o vocalista James LaBrie em um grande momento de sua carreira. Sua performance tem melhorado a cada álbum. O amadurecimento fez com que ele conhecesse suas limitações e os seus pontos fortes, e a experiência só contribui para que ele entenda como gerenciar isso cada vez melhor. Quanto aos instrumentistas, bom, vou economizar palavras para descrever como estão tocando bem. É redundante falar isso do DREAM THEATER. É óbvio que estão tocando bem e é isso que nós esperamos deles.

O lançamento traz uma grande riqueza de timbres, ritmos e passagens, além de algum experimentalismo, portanto, fica marcado por sua sonoridade diversificada e fragmentada. Embora não tenha atingido um alto grau de identidade, nota-se claramente que a banda sequer cogitou tomar o caminho mais fácil. Da primeira à última faixa o percurso é complexo, e mesmo para músicos de primeira grandeza, a tarefa não deve ter sido nada fácil. Continuam mantendo sua característica mais valiosa: ser técnicos ao extremo e ao mesmo tempo muito expressivos. Seu virtuosismo não é gratuito, pois vem acompanhado de sentimento, e isso é um amálgama muito raro, conquistado por poucos. É importante ressaltar que, uma vez que o trabalho foi criado e produzido com muito esmero, o mesmo esmero deve ser aplicado para ouvi-lo, caso contrário tudo estará sendo subestimado, ou pior ainda, desrespeitado.

Leia mais em www.megalomania-metal.com.br e se gostar do site, curta a nossa fanpage. Obrigado!


Outras resenhas de Dream Theater - Dream Theater

Dream Theater: Banda escorrega em suas virtudes e se repeteDream Theater
Banda escorrega em suas virtudes e se repete

Dream Theater: Nada diferente dos últimos dez anosDream Theater: Equilíbrio alcançado só pelos rarosDream Theater: Ainda capaz de proporcionar poderosas experiênciasDream Theater: Retornando aos holofotes com um bom disco nas mãos

Dream Theater: A banda se perdeu em si mesmaDream Theater
A banda se perdeu em si mesma

Dream Theater: Renovada, banda reencontra criatividadeDream Theater
Renovada, banda reencontra criatividade

Dream Theater: álbum auto intitulado é apoteótico

Dream Theater: um dos discos mais variados de sua discografiaDream Theater
Um dos discos mais variados de sua discografia

Dream Theater: O primeiro material realmente marcante da décadaDream Theater
O primeiro material realmente marcante da década

Dream Theater: álbum não foi autointitulado por acasoDream Theater
álbum não foi autointitulado por acaso




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Dream Theater"


Há 25 anos: Dream Theater lançava o ótimo álbum AwakeDream Theater: James LaBrie espera lançar álbum solo em 2020Em 23/09/1997: Dream Theater lançava o álbum Falling Into Infinity

11 de Setembro: as tristes coincidências envolvendo Slayer e Dream Theater11 de Setembro
As tristes coincidências envolvendo Slayer e Dream Theater

Em 11/09/2001: Dream Theater lançava Live Scenes From New YorkLars Ulrich: e se ele tocasse em uma banda country?Dream Theater: em 1994, o Dream Theater cravava seu nome na cena

Solos de guitarra estendidos: os melhores feitos em shows ao vivoSolos de guitarra estendidos
Os melhores feitos em shows ao vivo

Dream Theater: banda lança vídeo animado de Barstool Warrior; assistaDream Theater
Banda lança vídeo animado de "Barstool Warrior"; assista

Guns N' Roses: A crítica de Portnoy ao trabalho de Matt SorumGuns N' Roses
A crítica de Portnoy ao trabalho de Matt Sorum

Portnoy: racha do Queensryche foi pior que do Dream TheaterPortnoy
Racha do Queensryche foi pior que do Dream Theater

Dream Theater: arte de famoso álbum foi reciclada de outra capa?Dream Theater
Arte de famoso álbum foi reciclada de outra capa?


Indústria: atrizes pornô começam a seguir mesmo rumo das bandasIndústria
Atrizes pornô começam a seguir mesmo rumo das bandas

Megadeth: Perguntas e respostas e curiosidades diversasMegadeth
Perguntas e respostas e curiosidades diversas

Nirvana: Perguntas e respostas e curiosidadesNirvana
Perguntas e respostas e curiosidades

Total Guitar: os 20 melhores riffs de guitarra da históriaTotal Guitar
Os 20 melhores riffs de guitarra da história

Nirvana: Kurt Cobain era meio pau no cu, diz produtorNirvana
"Kurt Cobain era meio pau no cu", diz produtor

Billy Idol: fã processa cantor porque ele não passou a noite com elaBilly Idol
Fã processa cantor porque ele não passou a noite com ela

Nikki Sixx: detonando comentários idiotas de Gene SimmonsNikki Sixx
Detonando comentários "idiotas" de Gene Simmons


Sobre Aloysio França

Nascido em 1980, ex-guitarrista e vocalista de Thrash Metal, atual artista gráfico e podcaster no site Megalomania-Metal. É também um leitor orgulhoso de Tolkien e Cornwell. Não discrimina gêneros, mas sim música boa de música ruim.

Mais matérias de Aloysio França no Whiplash.Net.

adClio336|adClio336