O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de janeiro de 2026
Em entrevista ao programa Corredor 5, o jornalista e executivo do mercado fonográfico Luiz Garcia relembrou uma das experiências mais improváveis de sua trajetória profissional: ter viajado diversas vezes a bordo do avião oficial do Iron Maiden, o lendário Flight 666. Segundo ele, a convivência próxima com a banda durante turnês internacionais revelou um lado pouco conhecido do grupo - longe do palco, do peso e da iconografia sombria que ajudou a consolidar o nome do Maiden como um dos maiores da história do heavy metal.
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"Eu andei umas quatro vezes no avião deles", contou Garcia. "Trabalhava com a banda, então viajei junto. Essa, para mim, é uma história muito boa." Ele explicou que as viagens aconteceram principalmente durante coberturas jornalísticas e compromissos profissionais ligados à divulgação do grupo, incluindo uma sequência intensa de deslocamentos pela América do Sul. "Teve uma época em que foram três viagens no mesmo ano: São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Buenos Aires. Um jornalista estava fazendo matéria e fui acompanhando."
A experiência a bordo do Flight 666, no entanto, ia muito além do simples deslocamento entre cidades. Garcia descreveu um avião completamente adaptado à logística de uma banda do porte do Iron Maiden, tanto em conforto quanto em funcionalidade. "O avião tinha uma coisa especial: só tinha cadeira até o meio. O resto ficava vazio para botar instrumento, equipamento, as paradas da banda", explicou. "E as cadeiras eram todas espaçosas. Toda cadeira era tipo primeira classe."
O cuidado com os detalhes também se estendia à ambientação e aos serviços oferecidos durante o voo, algo que reforçava a identidade da banda mesmo fora dos palcos. "Você chegava e a comida já vinha na tipologia do Iron Maiden. Tudo personalizado. Passion fruit, essas coisas. Era tudo maneiraço", relembrou, rindo. Para ele, aquilo ajudava a desmontar a imagem caricata que muita gente ainda associa a bandas de heavy metal veteranas. "Os caras são pessoas normais, tranquilas, super de boa."
Essa normalidade, aliás, se refletia no convívio cotidiano com os músicos. Garcia contou que chegou a jogar futebol com Steve Harris, baixista e principal compositor do grupo. "Ele tinha um time. Eu trouxe o time para o Brasil, fiquei amigão dos caras", disse. Segundo ele, a curiosidade de muita gente é imaginar os integrantes do Iron Maiden como figuras excessivas ou inacessíveis, quando, na prática, o clima era bem diferente. "Hoje em dia eles estão tranquilões. Rock and roll, mas sem aquela loucura que o pessoal imagina."
A pré-estreia de Flight 666 no Brasil
Um dos episódios mais tensos - e ao mesmo tempo mais emblemáticos - relatados por Luiz Garcia envolve a pré-estreia do documentário Flight 666, que acabou acontecendo no Brasil por decisão da própria banda. O evento foi realizado no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro, e ficou sob a responsabilidade direta de Garcia. "A imprensa internacional falou: 'Luiz, tu que vai cuidar dessa parada'. E caiu tudo na minha mão", contou.
O problema é que, poucas horas antes da sessão, o sistema de ar-condicionado do cinema simplesmente quebrou - em pleno mês de março, com temperaturas próximas dos 40 graus. "Alguém me ligou e falou: 'Luiz, tenho uma notícia pra te dar: o ar-condicionado pifou'. Cara, eu fiquei desesperado. Pensei: 'Esse é mais um dia em que eu vou ser demitido'", brincou.
A solução encontrada foi digna de bastidores de turnê: improviso total. "Arrumaram um caminhão com um tubo gigante, tipo papel-alumínio, que jogava ar gelado para dentro do cinema pela saída", explicou. "Fechamos a porta, apagamos a luz, e as pessoas entravam e saíam pelo mesmo lugar. Dava até pra ver que tinha alguma coisa estranha ali, mas ninguém queria saber. Todo mundo queria ver o filme."
No fim, tudo deu certo. Bruce Dickinson subiu ao palco, falou rapidamente sobre o documentário, a banda apareceu para fotos e deixou o local antes de qualquer complicação maior. "Era exatamente o que eu queria. A banda saiu, o filme passou, a imprensa ficou feliz. Missão cumprida", resumiu Garcia.
Confira a entrevista completa abaixo
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