Por que Mutantes não tocavam no Brasil todo nos anos 1970?
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de outubro de 2025
Nos anos 1970, fazer uma turnê pelo Brasil era um desafio logístico que poucas bandas conseguiam encarar. Estradas ruins, falta de estrutura e custos altos tornavam quase impossível levar o show além do eixo Rio–São Paulo. Quem explica isso com propriedade é o tecladista Humberto Barros, que já tocou com Frejat, Heróis da Resistência e Kid Abelha, em entrevista recente ao canal Corredor 5.
"Naquela época, isso aqui era uma selva. O business nem existia direito", afirmou Humberto. "Imagina o quanto essa galera não foi roubada por empresário, por contratante... Os Mutantes não chegaram a Manaus, não chegaram a Fortaleza. Eles ficavam ali, porque não conseguiam levar os instrumentos. Não tinha estrutura. O PA você tinha que levar também."

O músico explicou que as limitações técnicas e financeiras impediam as bandas de circular pelo país, concentrando as apresentações nas capitais do Sudeste. "Você não levava porque não tinha como levar. Então ficava por aqui mesmo", contou. Segundo ele, foi apenas com os artistas da MPB dos anos 1970 que a estrutura começou a melhorar. "A primeira geração que realmente começou a viajar foi a da MPB. Depois veio a nossa, que empacotou o negócio de uma forma que deu certo."
Barros comparou o cenário de então com o atual, observando que o mercado musical só se consolidou financeiramente duas décadas depois. "O business mesmo só foi ter dinheiro de verdade em 1996, 1997 - foi o topo do dinheiro", disse, citando o livro How Music Works, de David Byrne, como referência para entender essa evolução.
Hoje, segundo ele, o setor vive um novo auge, impulsionado pela tecnologia e pela profissionalização. "A gente tá vendo um boom bizarro nos shows, com artistas de todos os estilos, inclusive o sertanejo, que cresceu junto com o agronegócio. A economia do país se transforma em cultura - é tudo conectado."
Confira a entrevista completa abaixo.
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