A História Impopular dos Rolling Stones - Parte 14 - Europa 67

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Por Márcio Ribeiro
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Allen Klein havia preparado uma turnê européia para ver se deixando o grupo ocupado tocando, ele pode gerar publicidade positiva ao mesmo tempo que evitar que eles se metam em maiores encrencas. No dia 24, o grupo estaria viajando para a Dinamarca, onde dia 25 fariam o primeiro show. Anita retorna para a casa de Brian dia 22. Anita e Brian conversam e ela tenta lhe dar apoio, desejando que ele faça uma boa excursão. Mas a conversa descambou, Brian já não acreditando na sinceridade de suas palavras e sentido por saber que ela o está tratando como um bebezão. A conversa deu lugar à violência e assim se encerra qualquer suposta chance que Brian ainda tivesse de voltar a ter Anita. "Estou feliz que você se vá" ele diz, engolindo a dor de vê-la partindo. Quando voltarem a se ver na Itália, ela já será a garota de Keith Richards.

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Europa 67


Ao aterrissarem em Copenhagen a caminho de Malmö, as bagagens dos Stones e de toda equipe foram cuidadosamente examinados. Todos os cinco músicos foram revistados, sendo obrigados a se despirem para que toda a roupa do corpo, inclusive as íntimas, fossem averiguadas. A fama da banda e a divulgação dos eventos ocorridos em Redlands estigmatizou os Rolling Stones, os tornando alvos preferenciais em vários aeroportos em toda a Europa. A brutalidade dos seguranças nos shows continuava. Em Örebro cinco adolescentes e um policial acabaram no hospital. Quando Mick se queixou do uso excessivo de força sobre a garotada, quase apanhou por isso. Na Alemanha, Keith conheceu e passou a ter um caso com uma modelo chamada Uschi Obermeier.

Itália

Depois de uma série de shows na Itália, encontram-se com o amigo Stanlislau Klossowski de Rola, que levou a banda até a vila da família, um pequeno castelo em Roma. De lá, fizeram dois shows no Palazzo Dello Sport, para uma casa cheia. Assistiram a este show algumas Deusas do cinema, como Gina Lollobrigida, Brigitte Bardot e uma atriz ainda por se afirmar chamada Jane Fonda.

Fonda estava na Itália para começar as filmagens de Barbarella, um filme que se tornaria um pequeno clássico cult. Nele, contracenaria com Anita Pallenberg, que faria a vilã Black Queen of the Galaxy, A Rainha Negra da Galáxia. O roteiro é de Terry Southern, que indicou Anita.

Marianne Faithfull, Avril Elgar e Glenda Jackson posando para foto promocional da peça Three Sisters
Marianne Faithfull, Avril Elgar e Glenda Jackson posando para foto promocional da peça Three Sisters

Marianne Faithfull também estava na cidade em uma passagem rápida antes da estréia da peça Three Sisters. De Genova, Marianne e Mick voltaram a Londres para a estréia da peça enquanto a banda seguia para Paris, onde novamente são vistoriados ao extremo pela alfândega. Quando Mick chega de Londres alguns dias depois, ele é igualmente vistoriado minuciosamente. Mick, irritado com a óbvia perseguição, procura um jornalista e começa a falar sobre, o que passa a chamar de "a lista vermelha dos aeroportos Europeus", onde constam os nomes dos Rolling Stones. Quando o artigo chegou nos jornais, rapidamente autoridades negaram a existência de tal lista.

O show no Olympia no dia 11 de Abril foi um sucesso, mas enquanto a banda estava tocando, seus quartos de hotel estavam sendo saqueados por fãs querendo tudo como souvenires. Roupas, dinheiro, rádios e máquinas fotográficas foram roubados, deixando forte suspeitas sobre a equipe de manutenção do hotel. Como o local não aceitou a responsabilidade de repor as perdas, os Rolling Stones nunca mais se hospedariam lá.

Em Le Bourget, na imigração, ao tentarem deixar o país, os ânimos ficaram exaltados e uma tremenda discussão culminou com Keith e Tom Keylock tomando alguns socos na cara e no peito. Mick quase apanha também ao pedir calma. O avião decolou com um atraso de noventas minutos, com destino a Viena. De lá seguiram para Varsóvia, onde os Rolling Stones toparam ser a primeira banda de rock a tocar atrás da cortina de ferro. O dinheiro envolvido era irrisório, mas a banda sabia que tinha fãs por lá e resolveram ir de qualquer maneira.

Polônia

Lá chegando, percebem logo o disparate em níveis de conforto. Cidade cinzenta, não havia televisões nos quartos do hotel, apenas rádios com alcance apenas local. Tentaram andar um pouco pela cidade mas foram impedidos de sair do hotel. Ao redor do Palácio da Cultura, o local do evento, havia uma grande aglomeração de pessoas, cerca de 10.000, protestando. Logo se soube que os ingressos ficaram nas mãos de pessoas do partido e foram distribuídos essencialmente para os amigos destes. O povo, em sua maioria, sequer teve a oportunidade de disputar um ingresso, nem mesmo por preços absurdos.

A polícia havia fechado a praça horas antes da banda chegar. A presença maciça de centenas de policiais prenunciava uma guerra que acabou mesmo acontecendo. Com a chegada do ônibus contendo a banda, o povo do lado de fora começou a forçar entrada na praça. Cerca de 3.000 pessoas avançaram contra as grades tentando invadir o palácio e assistir o show. De capacetes de ferro, a força oficial marchava com cavalos contra a garotada, atacando-os com porretes de borracha. O povo retribuía a gentileza jogando garrafas e pedras na policia. Enquanto o show corria lá dentro, cerca de 2.000 pessoas tentaram invadir o edifício por uma entrada lateral em outro ponto da praça. A polícia contra atacou com gás lacrimogênio, optando por reconquistar o "domínio" da praça com mais um festival de porretes de borracha.

Os Stones dariam duas apresentações e estavam assustados com a opressão selvagem contra o povo, meros adolescentes querendo se divertir em um show de rock. Entre apresentações, viram através de um basculante do vestiário a chegada de dois caminhões munidos com canhões de água se posicionando. Assim, durante praticamente todo o segundo show, jatos d'água passaram a ser atirados na garotada, os mantendo a distancia. Toda redondeza era um campo de batalha com soldados armados de metralhadoras e cães raivosos tentando dissipar a multidão. Apenas 30 pessoas foram presas.


Dentro do Palácio, o público estava relativamente quieto. Qualquer um que se levantasse para aplaudir ou gritar era imediatamente reprimido por um segurança armado que vigiava constantemente os corredores. Por volta da terceira música, Keith manda Charlie parar de tocar e começa a dar ordens apontando para as primeiras filas. "Hey cambada aí da frente com seus dedos nos ouvidos e cheios de jóias. Se mandem! Saiam já daí e deixem a garotada lá de atrás sentar. Saiam já!" Uma porcentagem considerável das seis primeiras filas se levanta, tendo seus lugares imediatamente tomadas pela garotada. Os Stones então continuam seu set até o final.

Ao final da noite, os Stones já estavam enjoados de ver tanta repressão. Com uma caixa com cem compactos, a banda e um motorista embarcaram em uma aventura. Passaram a rodar a cidade em uma van até encontrarem um grupo de jovens. Diminuíam então a velocidade do veículo e jogavam alguns compactos para eles. Rodaram até que a caixa com todos os compactos estivesse vazia, retornando para seus quartos com uma sensação de missão cumprida. No dia seguinte, ao deixar o hotel e o país, descobrem que por uma incrível coincidência, o lucro dos dois concertos da noite anterior cobriu exatamente o valor da conta do hotel.

A pouca imprensa presente para cobrir o primeiro show de rock de um país da cortina de ferro, toda estrangeira, anunciou para o oeste que os Rolling Stones conseguiram o que nenhuma instituição política tenha conseguido até então: causar revolta popular e desobediência civil em um país comunista e de regime militar.


Seguem então para Zurich na Suíça, onde tocam no Hallen Stadium para um público de 12.000 pessoas. No meio do show, um sujeito conseguiu enganar 300 seguranças, subir no palco e avançar sobre Mick Jagger. Mick que estava distraído cantando, foi jogado repentinamente no chão, com o sujeito passando a golpeá-lo incessantemente. Tom Keylock, vigiando do lado oposto, chegou para socorrer Mick antes dos seguranças e acabou quebrando a mão do atacante. Jornais reportariam que o concerto foi a maior demonstração de vandalismo já visto no país.

Depois de shows na Holanda e uma passagem rápida em Londres, seguem para Atenas, Grécia. O show realizado no Estádio de Futebol do Panathinaikos mostrou tons da opressão iguais aos encontrados na Polonia. A violência da policia sobre o público enjôou a banda e acabaram por terminar o show antes do tempo normal, o que deixou o público extremamente descontente.

Férias

Stephen e Astrid
Stephen e Astrid

Ao deixar o país, mais problemas no aeroporto, o que resultou em Keith perder o avião e ter que aguardar algumas horas para o próximo. A banda seguiu para a Inglaterra enquanto Keith seguiu para Roma, para ficar com Anita. Bill Wyman ficou no país, indo para Glyfada, hospedando-se no Astir Beach Hotel, e permanecendo lá por uma semana ao lado de seu filho Stephan e sua namorada Astrid. Dois dias depois, um golpe de estado tomou o governo e a Grécia ficou desconectada do resto do mundo. Levaria uma semana até o casal conseguir sair do país e voltar a Londres. Brian voltou a freqüentar os clubes e acabou se dando bem com Linda Keith, ex-namorada de Keith Richards. Vão para a Broadway, perto de Worcester, onde passam uma semana juntos. É aparentemente óbvio que a relação entre os dois é mais fruto do despeito e dor que ambos sentem por Keith Richards, cada qual por seu motivo.

O Rock e a Política

Mick ficou em Londres dando entrevistas, queixando-se do tratamento nos aeroportos e que o estress não está valendo a pena. Afirma também que os Stones não irão excursionar mais para os Estados Unidos. A banda não tinha mais nenhum show marcado e aguardaria o julgamento antes de se comprometer a se apresentar novamente em qualquer lugar. Os jornais transformam os Rolling Stones em pequenos revolucionários em função dos distúrbios que eles incitaram na Polônia. Mick alimenta a fogueira com declarações politicamente orientadas.

"As pessoas gostam de falar da violência que cerca nossos shows. Existe sim um certo elemento de violência ao nosso redor. Eu vejo este comportamento em diversos países, pois os sintomas são os mesmos. Frustração. E estamos falando de jovens de todos os níveis sociais. Você não consegue resolver o problema os trancafiando. Essa não é a resposta. Você precisa descobrir a razão porque estão descontentes. Ninguém é maluco para querer brigar com a policia por nada." Em particular Mick comenta, "Eles pensam que nos pegaram mas esquecem que podemos contar tudo para a garotada, que por sua vez, irá perder cada vez mais o respeito pela polícia."

Para o Daily Mirror, Mick declara: "Vejo grande perigo no ar. Os adolescentes não estão gritando para a música como antes. Seus gritos surgem por motivos mais profundos. As bandas e a música são apenas uma desculpa para liberarem suas frustrações. No palco, percebo que o público quer comunicar comigo, nem que seja telepaticamente. E a mensagem não é sobre nossa música, mas sobre nosso mundo e a forma que somos obrigados a viver. Adolescentes estão cansados de serem ditados com códigos de comportamentos antiquados, forçados a eles por políticos sem visão, que só enxergam seu modo de pensar. Isto é um protesto contra todo o sistema e eu vejo problemas no horizonte."


Mick Jagger não está brincando de política, ele acredita na revolução jovem que está surgindo. Sinais claros de mudança de comportamento estão por toda parte. Cada vez mais jovens deixam seus cabelos crescerem, questionando o padrão estabelecido para higiene e etiqueta. Nos Estados Unidos, passeatas estudantis surgem por todo o país. Com influências variadas que vão desde o grito de guerra de Timothy Leary para se ligar, se sintonizar e cair fora, ao livro beatnick "On The Road" de Jack Kerouac, somados ao receio eminente de ser convocado para ir morrer em Vietnã, milhares de jovens deixam suas escolas, suas casas e suas vidas conformadas e somem pelo país. Muitos em romaria a San Francisco, que em 1967, se torna a Mecca do movimento hippie. A guerra do Nós conta Eles está declarada.

Youth Revolution

Dentro dos próximos dois anos, esta guerra terá matado e ferido muitos jovens, em números alarmantes. Apesar de toda música boa que geralmente é associada a esta época, era um tempo extremamente perigoso para ser jovem e de opinião própria, declarando-se livre de influências. Principalmente no interior americano, hippies são confundidos com comunistas. E não existe nada mais anti-americano que um comunista. Mentalidade simples, resulta em repulsa, geralmente acompanhada de violência.

Os Banana Splits
Os Banana Splits

O sistema por outro lado tenta absorver as novidades. As bandas com apelo feminino, causando as "manias" iniciadas pela Beatlemania, já foram mastigado pelo sistema que regurgita para o mercado produtos como os Monkees, além de bonecos e desenhos animados, cujos personagens participam de bandas de música (rock) pop. Exemplos mais lembrados provavelmente são os Archies e os Banana Splits, seguidos depois por Josie & as Gatinhas e incontáveis outros. Logo o mercado batizaria a música deste filão como sendo bubble-gum rock (rock chiclete).

As mudanças surgiriam cada vez mais rapidamente. A era das "manias" já passou. Surgem novas bandas, com um som mais pesado, agitados pelo ácido e pela adrenalina. O trio Cream é talvez o mais conhecido entre estes, graças ao seu já famoso guitarrista, Eric Clapton. Levaria ainda outros três meses para o mundo conhecer Jimi Hendrix, embora em Londres seu nome seja uma unanimidade entre outros músicos.

Atiçado pela perseguição, Jagger está tomado pela revolução, acreditando que quando a poeira abaixar, é a policia que será ridicularizada. Tanto Mick quanto Keith estão extremamente otimistas quanto à batalha legal por vir. Marianne Faithfull e Robert Frazer por sua vez, não estão tão certos.

Festival de Cinema em Cannes '67

Brian e Keith tentaram se reaproximar como amigos. Talvez fosse por causa da banda este esforço para uma coexistência pacífica, afinal é muito dinheiro, fama e uma vida de farra, gerados pelos Rolling Stones. Mas no caso de Brian, ele passaria a mostrar cada vez mais esta faceta de sua personalidade. A de se sentir extremamente desconfortável ao perder uma amizade de qualquer espécie. A hipótese lhe causava uma insegurança extrema e ele passaria a demonstrar uma incrível paciência e esforço para manter amizades que nem sempre lhe serão benéficos.

James Coburn, Anita Pallenberg e Ewa Aulin em uma cena de Candy
James Coburn, Anita Pallenberg e Ewa Aulin em uma cena de Candy

Linda Keith percebendo que não havia mais lugar para ela na vida de Keith, sai de cena. Brian se hospeda no mesmo hotel que Keith e Anita em Cannes, onde A Degree of Murder está sendo exibido. Ele tenta uma ultima aproximação com Anita mas ela não está interessada. Keith os deixa a sós para que eles se entendam e no final da conversa, Brian se retira, antecipando sua volta a Londres. O coração de Anita agora pertence a Keith e o casal permaneceria em Cannes, seguindo depois para Roma, onde Anita faz uma pequena participação no filme Candy.

Os Stones no Cinema


A divulgação de "Only Lovers Left Alive", um filme com os Rolling Stones, levanta especulações favoráveis a Brian ser projetado na grande tela. Mick Jagger passou a ter aulas de piano e os demais deveriam começar a ter aulas de dramaturgia, porém apenas Bill Wyman chegou a freqüentar. O sucesso de "A Degree In Murder" fez com que outros produtores procurassem Brian mandando-lhe roteiros para que ele cuidasse da trilha sonora. Que se saiba, Brian folheou os roteiros de The Bedford Incident, Goldwhiskers, Springtime For Samantha, Polygamous Polonius e House of Wax, mas houveram outros.

Intoxicado Por Amor

Para muitos, perder Anita destruiu Brian. Ele supostamente teria dito algo nos moldes de, "Eles tomaram minha música, tomaram minha banda e tomaram meu amor." Eles, evidentemente, são Mick e Keith, já que Andrew perdera o controle e poder que tinha sobre os dois. A notícia de Anita passando das mãos de Brian para Keith se espalhou pela mídia e isto também foi particularmente humilhante. Brian reage em parte, flutuando pelos clubes noturnos e se mostrando disponível. Logo estariam morando com ele duas meninas, Tina e Nikki, com as quais manteria uma relação a três.


Quanto a tóxicos, seus hábitos lhe custavam cerca de £230 por dia. Brian seria visto em diversas ocasiões pegando um punhado de pílulas, sem o mínimo interesse em saber o que são e qual efeito se combinados, simplesmente engolindo tudo de uma vez, como um glutão. Depois viraria a noite toda agitando com a companhia que tivesse. Muitas vezes a menina que estivesse com ele acabaria apanhando. Brian aprendeu a gostar de bater em mulheres. Porém nenhuma deu queixa, como se qualquer coisa fosse válida para se ter um Rolling Stone na cama.

Em certa noite, uma visita testemunha Brian todo energizado tentando apresentar uma gravação sua. Mas quanto mais ele se esforçava para colocar a fita rolo no gravador, mais ele se enrolava, até que finalmente o rolo cai no chão e espalha fita por toda a sala. Brian pateticamente senta no chão e começa a chorar. Depois, em uma fúria desnecessária, pega a fita e com uma tesoura, corta sem cerimonia tudo em diversas tiras e depois amara as tiras com um nó, uma à uma, Ao colocar pra tocar, Brian está extasiado com a incrível música que só ele consegue ouvir, enquanto seus convidados escutam espasmos sonoros que prometiam ser interessantes, se pudessem ser ouvidos decentemente. Conta-se que algumas coisas gravadas por ele foram jogadas na lareira para queimar, em meio a outras crises de angustia. Pouco se sabe realmente do que havia e o que sobrou de seus arquivos sonoros.

Rotina de um Druggie

Brian começa suas manhãs geralmente com umas poucas carreiras de cocaína para despertar. Depois leva Nikki e Tina para comer algo na cidade. As vezes dirigindo doidão, quase causa alguns acidentes pelo caminho. Evidentemente o fluxo de automóveis em 1967 é bem inferior do atual. Sem estar em condições de estacionar o carro, joga seu Rolls Royce contra um muro que desmorona com o impacto. Enquanto Brian leva as meninas para dentro, pede ao amigo Tony, que acompanhava o trio, para estacionar o veículo. Tony está boquiaberto com o que acaba de testemunhar e abismado que o carro tenha ficado apenas com uma leve mossa no pára-choque. Rolls Royce rules!

Brian se distrai e passa muito do seu tempo ocioso fazendo compras. Está constantemente em Kings Road, reduto onde todo o povo hip busca suas roupas. Em tempo ele também passaria a investir seu dinheiro em jóias e bijuterias, coisa incomum para um homem. Brian ajudaria a criar uma moda de homens usando roupas extravagantes e jóias. Algumas pessoas iriam confundir isto com homossexualismo, porém não há testemunho de ninguém que conhecesse Brian realmente de perto, que confirme qualquer tipo de tendência homossexual sua. Muito pelo contrario. Estas teorias de homossexualismo tendem a ser mera especulações, possivelmente com o objetivo de vender livros.

As vezes, durante o dia, Brian gostava de passear de carro pelas ruas de Londres, abaixando seu vidro para ser reconhecido e depois mandando o motorista acelerar para não ser pego pela mulherada. As vezes ele prefere atiçar Tina e Nikki a terem sexo enquanto ele assiste. Muitas vezes ele acaba participando. Apesar das drogas, sua capacidade sexual continua ativa, decaindo apenas em fases de crise asmática (geralmente na estação de polonização).

Hábitos Imundos


Apesar de gostar de transar, sexo não representava muita coisa para ele. Brian aparentemente não associa sexo com sentimentos. E êxtase sexual, nesta fase de sua vida, vem de várias formas. Brian tirava prazer em dormir com várias mulheres diferentes, em um espaço de tempo mínimo entre uma relação e a outra. Ele começa a usar sexo como uma arma. Telefona para uma amiga convidando-a a passar por lá, enquanto outra menina, a quem acabara de ter relações, ainda estivesse no quarto. Quando a nova menina chega, Brian sem a mínima cerimônia, informa à primeira que está na hora dela ir embora.

Relatos mencionam como ele gostava de se gabar sobre a quantidade de virgens que deflorava. Guardava os lençóis manchados de sangue para mostrar aos amigos e comprovar seus feitos. Outros relatos contam como Brian tirava prazer em denegrir cruelmente o desempenho da parceira, de preferência em um volume que a coitada podesse ouvir. Uma espécie de sadismo verbal, onde a perversão passa a lhe trazer prazer. Neste campo, a agressão física em mulheres era uma constância. Brian rapidamente está se tornando um monstro e vários de seus amigos se afastam.

Acusação Oficial

Na segunda semana de maio, Marianne, Mick, Keith e os amigos Michael Cooper e Clifford Baldwin, voltam para Redlands às vésperas de comparecerem ao tribunal ali perto, em Chichester, West Sussex. Mick e Keith estão certos de que o incidente irá acabar com uma multa e nada mais. No dia 10, havia um pequeno grupo de fãs aguardando por eles, alguns aparecendo com cartazes pedindo pela legalização da maconha. Robert Frazer chegou de Londres com Tony Sanchez. Diante do tribunal, Robert Frazer, Mick Jagger e Keith Richards, acompanhados pelo advogado Leslie Perrin, ouvem oficialmente suas acusações e um julgamento é marcado para final de junho.

Stash e Brian Jones deixando a delegacia
Stash e Brian Jones deixando a delegacia

Enquanto isto, em Londres, a policia está invadindo a casa de Brian Jones. Liderados pelo Sgt. Norman Pilchar da Scotland Yard, encontram cocaína, e maconha. Brian confirma a posse da maconha mas nega que seja sua a cocaína encontrada. Ele é atuado como também sua visita, Stanislaus Klossowski de Rola, apelidado pelos amigos de Stash, ambos levados à delegacia. Lá chegando, os fotógrafos e repórteres já estavam aguardando e fizeram a festa.

De lá, hospedam-se no Hilton Hotel, onde também estava Allen Klein. Quando a noticia da prisão chegou à televisão, o gerente do hotel tentou expulsá-los, mas Klein foi decisivo em proteger os direitos de seu cliente. No dia seguinte estão no tribunal para ouvirem oficialmente a acusação. A polícia havia encontrado 50 gramas de maconha e um vidro com remanecências de cocaína dentro. Pagam uma multa de £250 cada e têm o julgamento marcado para outubro. O primeiro ato de Brian foi de mandar um telex para seus pais pedindo que não o julguem com muito rigor. Andrew Oldham com medo de ser o próximo, saiu do país e só voltou quando achou que era seguro. Os demais Rolling Stones se sentiram abandonados por ele e o incidente seria decisivo para Oldham ser dispensado da produção dos futuros discos.

Stress e Crise Nervosa

Brian havia contraído um medo paranóico de ser encarcerado. Ele jamais volta para o seu apartamento e manda sua amiga Suki Potier lá periodicamente para reaver suas coisas. Brian havia sido extremamente gentil e amigo quando Suki estava extremamente vulnerável, após o acidente que sofrera e que resultou na morte de Tara Browne. Agora que é ele que está vulnerável, ela passa a ficar ao seu lado, os dois acabando por se tornar um casal. Como todas as outras namoradas de Brian, ela logo resurge com os cabelos aloirados e cortados curtos como o dele. O padrão de todas as namoradas de Brian se parecerem com ele continua.

Se seu estilo de vida e modos afastaram alguns amigos mais antigos, Brian já anda com uma nova casta de amizades, passando a morar inicialmente na casa de alguns. Quando não, ele está em algum hotel. Está traumatizado e extremamente estressado, preocupado com o que a policia está tramando para pegá-lo. É neste período que Brian começa a tomar Mandrax, um tranqüilizante popularmente chamado de downer. Ele se afasta dos demais Rolling Stones, sob conselho do seu advogado. Porém os seus medos eram compartilhados. A cúpula dos Stones sabe que é Mick Jagger o alvo maior, porém a acusação sobre ele é demasiadamente circunstancial e sem substância. Está claro para Mick que a polícia quer quebrar a banda e colocá-lo na cadeia. Pensando nisto, Mick começa a temer que a policia encontre em Brian um ponto vulnerável para atingir a banda e passam a fazer de tudo para dobrá-lo. O fato de a polícia expedir um mandato de busca domiciliar na casa de Brian no dia da audiência de Mick e Keith já demonstra o cuidado de uma estratégia previamente planejado.

Her Satanic Majesties Request

Em meio a estes eventos sai o lançamento do album Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles, causando um furor no mercado. Várias indústrias passam a apontar seus canhões para o psicodelismo e tudo que é colorido e abstrato passa a vender. O maior furor logicamente foi na industria fonográfica, que passa a ter que gastar fortunas só na capa dos discos. A mentalidade do LP - Long Play, (vinil de 12 polegadas) como afirmação artística, passa a sobrepor a mentalidade antiga dos compactos (vinil de 7 polegadas). Logo estéreo também passará a ser um fator importante, tecnologia já muito disponível Porém ainda largamente ignorada. Mick Jagger quer estar nesta onda, principalmente ao observar todos os jornais musicais cercando os Beatles, relegando aos Stones apenas as colunas policiais. Frustrado, Jagger conclui, "Rhythm & blues está morto e psicodelia é o que o povo quer."

O Olympic Studios passa a ser novamente freqüentado pela banda para a gravação do proximo disco. Aparentemente, o álbum seria inicialmente a trilha sonora para o filme "Only Lovers Left Alive". Pelo menos Klein estava tentando pressionar a banda para criar uma trilha. O próprio titulo inicial, "Her Satanic Majesties", um afronto à Rainha (Her Britannic Majesty), demonstra uma certa relação com o enredo do filme. Mas os problemas dentro da banda lidando com os eventos recentes e seus desdobramentos, afastam cada vez mais a viabilidade de se fazer o filme. Klein por sua vez dá declarações enfatizando viabilidade de lucros com o filme na ordem de $2 milhões de dólares enquanto boatos sugerem que apenas Mick Jagger e não os Rolling Stones estaria atuando nele.

No estúdio, Brian demonstra claramente que ele acha toda esta onda de psicodelísmo uma tremenda bobagem. Discute seguidamente com Mick que este tipo de música não representa a música dos Rolling Stones, uma frase que ele iria repetir algumas vezes. No final de junho seria realizado o julgamento de Mick, Keith e Robert. As sessões de gravação são então suspensas. Todos menos Charlie saíram do país; Mick, Marianne e Nicolas indo para Tangier, Keith e Anita para Paris, Bill e Astrid passeiam pelo País de Gales enquanto Brian vai para Monterey assistir o festival que lá se realizava.

Monterey

Brian cruza o oceano com Noel Redding ao seu lado, ambos tendo tomado um ácido roxo batizado de Owsley. Noel ficou um dia em Nova York enquanto Brian pegou outro avião direto para San Francisco. Nesta segunda viagem, ele por acaso senta ao lado de Al Kooper. Kooper viria a definir o estado de espirito de Brian como de alguém que estivesse provavelmente orbitando nas redondezas do planeta Júpiter. Ele exemplifica sua afirmação dizendo que Brian responderia a um comentário que ele havia lhe feito pouco depois de decolar, quase perto de aterrizarem, permanecendo quase em transe durante todo o resto do tempo.

Em Monterey Brian foi tratado com toda a atenção de um superstar. Uma das pessoas envolvidas no projeto era Derek Taylor, que trabalhara com Brian Epstein e os Beatles enquanto eles ainda estavam excursionando. Taylor havia procurado Paul McCartney tentado sondar a possibilidade de os Beatles participarem do evento, proposta recusada. Mas Paul McCartney havia sugerido Jimi Hendrix, guitarrista da moda em Londres, porém ainda desconhecido na America, recomendação confirmada por Andrew Oldham, com quem Taylor também conversou. Brian ao chegar no festival é convidado para anunciá-lo ao público no show. Enquanto em Monterey, Brian tomou mais LSD com varias pessoas, como os amigos Dennis Hopper e o próprio Jimi Hendrix.


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Virando notícia no TMZ só por causa de um decote?


Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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