A História Impopular dos Rolling Stones - Parte 08 - Satisfaction

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Por Márcio Ribeiro
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Brian já é um alcoólatra e viciado em anfetaminas, o que é uma combinação perigosa e não ajuda sua tendência nata de aumentar as coisas fora de proporções.

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Reativan

Anfetaminas são geralmente remédios farmacêuticos. São estimulantes, que na gíria americana são chamados de "uppers" (levantadores) ou "speed" (velocidade) e na inglesa chamados de "leapers" (pulantes), graças ao seu poder de acelerar seu ritmo e te deixar "quicando". Dentre os leapers, um dos mais populares era Drinamyl, também conhecido como purple hearts.

Muito popular entre pessoas do show business, especialmente do cinema ou música, que são exigidos durante longas horas de trabalho, sempre tendo que se mostrar alegres e despertos. Para qualquer um com problemas de fadiga, anfetaminas eram um remédio esplêndido. Por exemplo, durante seu período inicial de viuvez, Jacqueline Kennedy era receitada injeções quase diárias contendo anfetaminas com vitaminas. Leapers se tornaram extremamente populares entre os mods. O efeito era de deixar a pessoa extremamente agitada. Abusar a medicação porém tendia a estressar o seu sistema cardíaco, provocar muito suor e perda da coloração da pele.

A Terceira Excursão Americana

Andrew e Mick passaram a selecionar mais os jornalistas aptos a entrevistar e escrever sobre os Stones. Afinal, se a banda Rolling Stones é um meio de vida, então a sugestão implica que a mesma ou será tratado com o devido respeito ou o jornalista não terá acesso a ela. Quesitos essenciais eram conhecimento relativo da música que a banda toca, uma tendência a falar favorável e principalmente serem jovens. Jagger mais do que qualquer outro desconfia de gente com mais idade, concluindo de antemão que não terão uma mente aberta para ouvir sem preconceitos.

A batalha campal entre segurança e público assim como a necessidade de controle austero por parte dos organizadores, invariavelmente estraga a festa com cortes na força e encerramentos precoces. Em Ottawa, o dono do estabelecimento concluiu para a imprensa que faltou um fosso com crocodilos para poder conter o público de querer subir no palco. Num dos hotéis, o porteiro precisou tomar quatro pontos, resultado de suas brigas para conter as meninas querendo entrar.

Keith e Bill
Keith e Bill

Groupies

Foi por volta desta época que Bill Wyman solta a pérola de que a razão pelo qual ele toca com seu baixo quase em pé é para usar o braço do instrumento para tampar os holofotes da vista e assim, poder enxergar melhor as meninas na primeira fila. Ao prestar atenção no Bill durante uma apresentação dos Stones, você poderá notar ele sorrindo para as gatinhas e passando o número do seu quarto.

Também cresce a horda de meninas sempre disponíveis e dispostas a fazer qualquer coisa para ter um relacionamento de ocasião com algum membro de algum grupo de música. Logo, não é tão surpreendente que tenha sido o sexualmente desassossegado Bill Wyman quem cunha o termo 'groupie' para identificar este tipo de fã. Bill mesmo não se recorda de ser especificamente ele o primeiro a usar o temo, mas Keith garante e credita a palavra a Bill. Depois os Stones passaram a se referir as meninas como 'groupies' e o termo rapidamente se espalhou se tornando gíria em todo mundo e dando vazão a outros termos como roadie e druggie, este mais tarde substituído por junkie.


De Toronto, eles iriam para Chicago para gravar algumas coisas mas Brian já estava extremamente deprimido e descontente com a excursão. Ele voa para Nova York e se hospeda na casa de outro amigo, o DJ Scott Ross, permanecendo lá por três dias, reclamando muito da sua situação dentro da banda. Fala abertamente que foi ele quem criou a concepção do grupo e agora, estão tramando contra ele. Volta a Chicago retornando com a banda a Nova York, tocando dia 26 de Abril no Ed Sullivan Show pela segunda vez.

A noite, Brian, Keith e Mick sobem o Harlem para assistirem Wilson Pickett no Apollo Theater. Na manhã seguinte, Andrew Oldham e Eric Easton chegam de Londres, assistindo dia 02 de Maio, mais uma apresentação no Ed Sullivan Show. Depois todos foram para uma festa no Playboy Club em homenagem a Tom Jones, artista da London Records, representante da Decca na América. Pelo caminho, um conversível com alguns rapazes emparelharam com o carro que levava a banda, seguindo até o clube enquanto insultava os Stones chamando-os de "viados". Ao chegar, Brian imediatamente grita para os demais, "Vamos pegar os colonos!" e pula do seu carro para dentro do conversível, seguidos por Mick e Keith. O pessoal cai na porrada legal enquanto Charlie, Bill e Stu vão para festa.

Flórida

Na manhã seguinte estão gravando o Clay Cole Show, e depois arrumando as malas, seguindo para Georgia. Continuam então em rumo para Flórida, onde tocam em algumas cidades, a última sendo Clearwater, show marcado para o dia 06. Cada Stone amanhece no dia 07 com uma groupie do lado e uma disposição de apenas descansar e não ter pressa para nada, curtindo sem pressa o dia de folga. Enquanto Bill, Mick e mais alguns da equipe, estão descansando à beira da piscina do hotel, aparece uma das meninas cheia de hematomas. Brian havia espancado a garota sem misericórdia. Um dos roadies, Mike Dorsey, indignado, caça Brian e prontamente enche ele de porrada, com aprovação geral, quebrando duas de suas costelas no processo. O incidente foi abafado mas era evidente que Brian estava perdendo a noção das coisas.


Brian parecia fazer questão de tornar qualquer amizade com ele difícil. Certa vez Ian Stewart o pegou pelo pescoço gritando "Porque você faz tudo para estragar o dia de todos?" Ele vivia se enfiando em brigas, não sabendo como dosar seu comportamento no palco, nem como lidar com criticas. Aos seus olhos, na época em que Mick apenas balançava a cabeça quando cantava, ele já agitava o público pulando e provocando sensualmente e sexualmente com sua guitarra. Agora Jagger fazia o mesmo, roubando a sua cena, imitando sua performance e merecendo mais atenção do público e da imprensa do que ele. Sua inveja paranóica e necessidade extrema de afirmação são a estrada de sua ruína. As drogas apenas pavimentam o caminho.

Satisfação


Mais tarde no mesmo dia, ainda em Clearwater, Keith mostra no violão algo que ele havia criado minutos antes. Ele conta que acordou com o seu gravador de rolo ligado, girando em falso. Não se recordando de ter gravado nada na noite anterior, ele curiosamente procura ouvir o que está na fita. Nela se ouve apenas um riff repetido por alguns segundos e o resto da fita é dele roncando. Keith conclui dizendo que o tema daria um bom folk para ser usado no próximo disco.

Mesmo não vendo o tema como algo comercialmente viável, seu instinto o fez trabalhar bastante na canção e ao chegaram novamente em Chicago no dia 10 de Maio, a canção estava pronta para ser gravada. A versão, oferecia Brian na gaita fazendo o tema principal. Mick Jagger escrevera uma letra com o riff em mente, e a canção passa a ser batizado de "Satisfaction."

Dois dias depois, já em Los Angeles, gravaram novamente a canção, desta vez, com Keith tocando o tema numa guitarra com fuzz-tone (efeito de um pedal), e Charlie tocando em outro tempo. A música funcionou como nunca, e afora Keith e Mick, todos estavam certos que tinham o próximo hit da banda nas mãos. O resto da sessão foi dedicado a "My Girl," "Good Times," "Cry To Me," "I've Been Loving You Too Long," "One More Try," e "The Spider And The Fly."

Mas antes de se encerrar sessão, Bill Wyman apronta uma brincadeira com a galera. Ao ver um pequeno grupo de groupies aguardando na sala de espera do estúdio, ele as convida a entrarem sobre uma condição... De repente Bill está entrando no estúdio propriamente dito, onde a banda e equipe técnica estão reunidos, com um sorriso matreiro na face. Logo atrás dele entram umas seis meninas totalmente nuas. O sangue e outras coisas sobem e Andrew Oldham é o primeiro a escolher uma, levá-la para o aquário (apelido para a parte do estúdio onde fica todo o equipamento de gravação) e sobre a mesa, começa a ter relações.

Depois todos foram para seus hotéis. Todos menos Andrew, Keith, Mick que como de costume, ficam até mais tarde para trabalhar mais nas músicas. Gravam com o auxilio de Dave Hassinger, o engenheiro de som, os overdubs e vocais, antes de mixar o material, só deixando Los Angeles com tudo pronto.

Califórnia

Depois dos shows em San Francisco e San Bernardino, voltam a Los Angeles e após a sua apresentação, quase são mortos ao tentar deixar o local. Já dentro da van com Stu, uma multidão não permite que o veículo saia nem para frente nem para trás. A histeria é tanta que as pessoas começam a ser esmagadas contra os lados da van, sendo obrigadas a subir no teto para buscar ar e proteção. O teto da van sede e todos tentam evitar uma tragédia, sustentando o teto com as mãos como que pilares humanos. Todos menos Bill Wyman que está ocupado demais cantando algumas das meninas para perceber que a razão dele ter que inclinar pro lado é porque o teto esta cedendo. Logo a realidade assustadora fica impossível de ignorar e a banda inteira está deitada de costas com os pés no teto tentando segurar a massa. Os minutos passam e as pernas começam a doer, querendo começar a dar cãimbra. A polícia em pânico, avançou sobre a população com seus cacetetes, espalhando sangue para todo lado. Muitas pessoas foram depois levadas para o hospital. O veículo seguiu então para o aeroporto e chegando lá, admiram do alto da escadaria do avião, o Sedan todo amassado. Estavam chocados mas aliviados de que sobreviveram ao incidente sem maiores ferimentos.

Filhos

Curiosamente, após uma serie de shows em Nova York, a banda chega em Londres e descobre que existe um processo contra Charlie, acusado de ser pai de uma criança de quatorze meses, que teve com Christine White, de 19 anos, filha de um taxista. Charlie seria absolvido, e a acusação, considerada falsa no mês seguinte.

Mas o mesmo não era o caso de Brian. O casal volta a se separar e Linda Lawrence entra na justiça pedindo pensão para seu filho Julian Mark Jones, que atendia pelo nome de Mark. Obrigado a morar com os pais, que tomam conta do menino enquanto ela trabalha, Linda, que havia começado a trabalhar como cabeleireira, agora desenha e cria roupas jovens, sonhando algum dia ter sua boutique.

Não demorou muito e Pat Andrews também estaria na justiça pedindo pensão para o seu filho Mark Julian Jones, que atendia pelo nome de Julian. O advogado dos Rolling Stones, Dale Parkinson, ficou encarregado de cuidar do assunto que se estenderia por vários meses.

Bob Dylan em Londres

Bob Dylan, 1965
Bob Dylan, 1965

Quando Bob Dylan toca no Albert Hall, todos estão lá para assistir, Dylan sendo seguramente o homem mais importante daquele período. Se os Beatles era a banda mais popular do mundo, Bob Dylan era quem todas as bandas respeitavam. Estavam lá todo mundo, os Rolling Stones, os Beatles, os Animals, os Bluesbreakers, etc.

Allen Ginsburg também presente, estava em um estado misto de alívio e admiração. Alívio que nasceu alguém da nova geração que pudesse seguir o trabalho de contestação intelectual iniciado pela Beat Generation a que ele representava, e admiração por Bob Dylan fazer isto tão bem em um período histórico tão propício.

Satisfaction

(I Can't Get No) Satisfaction é lançado inicialmente nos Estados Unidos, rapidamente se tornando No.1 nas paradas da Billboard. Na Europa, a canção vaza através de copias importadas e transmissões em rádios piratas. Ela é rapidamente assimilada pela crescente população jovem como hino contra as regras desta sociedade em que crescem mas não abraçam. Os Rolling Stones se tornam definitivamente a voz da juventude contra a opressão adulta. Adultos (pessoas nascidas muito antes de 1940), são vistos como uma estirpe com códigos de condutas antiquadas, ineficientes e moralmente questionáveis, dada ao cinismo social visivelmente em prática.

Em meio ao vácuo entre as gerações que a cada dia aumenta, escuta-se falar em desejo de paz, mas os governos investem cada vez mais em armamento bélico; dividem a Europa em duas, uma capitalista outra comunista; França faz cada vez mais testes nucleares no pacifico sul e divide com Inglaterra e Bélgica, políticas opressivas em suas possessões na África. Nos Estados Unidos, sua política externa manda cada vez mais tropas para Vietnã, Laos e Camboja, em uma guerra não declarada, enquanto dentro do pais, rechaça violentamente os universitários que exercessem seus direitos constitucionais de protestar contra o envio de mais jovens para a guerra.

Paralelamente, o sistema procura com extrema sutileza, manter a população negra oprimida sobre o domínio do homem branco. Assim, a constituição americana afirma que todos os homens têm direitos iguais, mas a concepção da lei, na prática, exclui o homem negro. (I Can't Get No) Satisfaction portanto é associada à insatisfação de várias injustiças sociais e com o cinismo existente, de onde estas injustiças se escondem. Moralidade cínica onde a castidade de suas filhas é fundamental para a honra da família, mas ao homem é permitido e incentivado buscar prazeres fora do lar. Onde Deus abençoa todos os homens mas está do lado apenas de quem acredita nele da forma que certas facções religiosas entendem.

A canção se torna a mensagem da geração de sessenta, diretamente para o clero, para os empresários, para os políticos, enfim, para as autoridades do mundo em geral, afirmando que o que chamam de "O Mundo Livre", (termo associado aos países capitalistas, em oposição a "Cortina de Ferro", termo associado aos países comunistas), é uma mentira e que os jovens desta geração não estão caindo na conversa. Não desejam perpetuar a farsa. Percebem que o mundo que encontram, agora que chegam à idade da razão, negligencia uma liberdade autêntica de expressão, nega a sexualidade de cada indivíduo, e aprisiona o povo em uma ética regido por conceitos de séculos atrás. Assim, cria-se uma população voltada quase que exclusivamente para a produção em massa, meta maior nesta sociedade tecnocrata.

A canção Satisfaction toca no subconsciente geral dos jovens que através dela estão dizendo que a juventude desta geração enxerga pelas fendas deixadas pela hipocrisia. Que nesta sociedade que supostamente deveriam defender, a liberdade sexual ou liberdade de escolher seu estilo individual de viver a sua vida, não é possível. Portanto não há nada livre neste chamado mundo livre. A canção espelha bem a insatisfação geral entre "a nova geração", e cada vez mais os jovens passam a perceber e tomar consciência de seus pontos em comum. A unidade fundamental para qualquer movimento finalmente nasce e com ela, viria em poucos meses, o movimento hippie e a chamada contracultura.

E o Dinheiro?

Para a surpresa de todos, enquanto o EP ao vivo Got Live If You Want It estava vendendo bem nas lojas, as contas bancarias não estavam exatamente cheias. A banda começa a indagar e perceber que o dinheiro não está entrando, mas o bom credito permite que eles se endividem comprando ou alugando, cada um, uma residência nova.

Brian se mudou para uma casa luxuosa em Chelsea, passando a pagar um aluguel salgado de £272. Apesar do ar aristocrático, seus modos caseiros continuavam os mesmos dos tempos de Edith Grove, tendo somente suas guitarras e seus discos visivelmente cuidados e arrumados. Charlie e Shirley em Julho compram uma casa valorizada em £8.850, construída no século XVI em Lewes, Sussex. A casa já fora do Arcebispo de Canterbury e além de muita área espaçosa, tinha estábulos. O casal, conhecido pela admiração que tem por cavalos, não poderia ter escolhido residência mais apropriada.

Mick e Keith, que moravam juntos em um apartamento no primeiro andar, estavam cansados de chegarem em casa e descobrir a residência invadida por fãs que eventualmente levavam pertences pessoais como souvenirs. Keith passa a procurar um lugar para morar com Linda Keith, sua namorada. Alugou então um apartamento em St. John's Wood, perto de Abbey Road. Mick alugou provisoriamente um apartamento em Marble Arch. Antes de se mudar, Mick morou algumas semanas na casa do fotógrafo David Bailey. Certo dia, Bailey estava fotografando uma modelo desconhecida quando Mick entra no quarto. "-Mick, estas fotos não estão acontecendo. Chega aqui um instante, por favor. Jacqueline, pula nas costas dele." E foi esta foto, que iniciou a carreira de Jacqueline Bissett.

Mick e Chrissie

Embora o casal tenha afeto sincero um pelo outro, Mick e Chrissie invariavelmente estão brigando. As vezes nem sabem porque. Mick odeia cenas mas Chrissie é excessivamente sincera; portanto grita e fala tudo que lhe vem à cabeça. Ao mesmo tempo, ela vai aprendendo até onde uma tática funciona conforme o desejado ou não. O casal briga, se separa, mas acabam voltando pouco depois. As amigas de Chrissie não entendem como ela pode deixá-lo; Mick Jagger, o grande símbolo sexual! Como se, o que mais poderia ela querer?

Esta idéia a incomodava, como se ela não pudesse sobreviver sem um homem. Chrissie começa a criar sua própria proteção, aprendendo conforme vai apanhando. Quando Mick a fez prometer nunca aceitar drogas de ninguém, ela concordou orgulhosa da proteção dispensado e do discernimento do namorado em não cair nas armadilhas do sucesso. Depois em uma festa no the Scotch of St. James Club, promovido por Andrew para todo o escritório dos Rolling Stones Ltd., ao ser oferecida um baseado, ela nega a oferta explicando que Mick não aprova. Nisto as pessoas riram da sua ingenuidade e ela é informada que ele é visto fumando o tempo todo. Complementam informando de que ele estava há pouco "doidão" numa roda, fumando com os demais da banda. Estas coisas doem, mas com a dor, Chrissie aprende.


Ela percebe como as mudanças que a ambição e o desejo pelo estrelato afetam Mick. Antes, ele levava para o palco a sua personalidade honesta e crua. Depois, ele criou e aperfeiçoou uma persona de palco e outra na vida real. Agora, ela assiste o persona de palco invadir sua personalidade por completo. Chrissie flagra secretamente Mick se observando no espelho, movendo a cabeça e mexendo o corpo, estudando o que funciona melhor. Sua triste conclusão é que o seu namorado cedeu lugar para esta outra persona. Ele está virando um estrela.

Quando Keith comprou um Austin 1100 para sua mãe depois que ela tirou uma carteira de habilitação, Mick procurando carros com o amigo aproveita e compra um Austin Mini branco para Chrissie. Mas ela já sabe sobre Tish, namorada americana de Mick, que está passeando em Londres. A briga escala, ela grita e esperneia em um ataque histérico. Jagger odeia atitudes 'un-cool', odeia cenas, e portanto simplesmente vai embora e passa uma semana com Tish. Chrissie então pega o seu passaporte e vai para a América com o cantor PJ Proby que a vem cantando sempre que tem uma oportunidade. Aproveita a passagem em Nova York e aceita o convite da revista teen americana Tiger Beat, para ser uma colunista, reportando o que se passa na Swinging London.

Mick, em retaliação, coloca Tish morando com ele enquanto ela estiver no país, mas assim que Chrissie volta e o procura, ele está chorando pedindo perdão. Encontram-se no apartamento de Chrissie e ela o obriga a ligar dali, para sua casa e pedir a Tish que se retire. Ela sabe que se não for agora, Mick é capaz de perder a coragem e ficar enrolando indefinidamente. Tish é informada que a lua de mel acabou e Mick em seguida pede a mão de Chrissie em casamento. Pega de surpresa, passam uma noite extremamente romântica. Ela então está autorizada a procurar uma casa bonita para morarem. A cerimônia é planejada para provavelmente a primavera do ano que vem. Quando Mick anuncia os planos de casamento para Andrew, o produtor entra em crise de choro.

Allen Klein
Allen Klein

Andrew Contrata Klein

Apesar de dois anos de excursões extensas, quatro discos de ouro, o último com o recém lançado "Satisfaction," já No.1 no Reino Unido e logo em boa parte da Europa, a banda continuava recebendo a mesma mixaria semanal de £50 referentes a vendas dos seus discos. Mick e Keith ainda contavam com uma soma referente aos direitos autorais, o que ajudava, mas todos na banda imaginavam que o dinheiro demoraria para entrar, mas inevitavelmente entraria.

Enquanto isso, Eric Easton questiona Norman Weiss, o agente que cuida das excursões americanas da banda, sobre os contratos de um milhão de dólares que ele consegue para Epstein com os Beatles e o porque que os Stones não recebem oferta igual? Seu sócio Andrew Oldham por outro lado, toma medidas mais drásticas e contrata Allen Klein e seu advogado Marty Machat.

Allen Klein é um advogado Nova Yorquino com uma vasta clientela em Londres. Ele é odiado por praticamente todos com quem já tenha negociado. Klein joga duro e fez todos os artistas a quem ele representou mais ricos, ganhando com isso uma considerável porcentagem.

Ele chegou a Londres pelas mãos de Mickey Most, produtor e empresário de várias bandas, que o convidou a representar os seus artistas. Seu sucesso em melhorar os contratos de tantos artistas, levou Andrew a contratá-lo como consultor financeiro. Klein agora passa a representar Oldham e todos os negócios que Oldham representa. Easton e Oldham que desde o ano anterior já não conseguem trabalhar como um time, se dividirão de vez.

Porcentagens e Promessas

Oldham & Jagger
Oldham & Jagger

Durante Julho, as negociações intensificaram. Novos contratos teriam que ser assinados. Mick e Keith, acompanhados por Andrew, conversaram e negociaram praticamente todos os detalhes antes de apresentá-los para o resto da banda que sequer ficam sabendo da maioria destas reuniões. No dia 26 de julho, no escritório de Andrew, a banda está reunida para formalmente ser apresentada a Klein, que passaria a receber 20% de tudo que ele negociar.

Três dias depois, em reunião para assinatura de contratos, a banda toma ciência de que a Decca estava pagando 14% de royalties à Impact Sound (Oldham e Easton) enquanto estes repassavam apenas 6%, como fora acordado, sendo que tendo ainda direito a 25% destes 6%. Recebem na hora um cheque de £2.500 libras cada um, como garantia pela mudança de gerenciamento de Oldham para Klein. Ficaram também prometidos dez pagamentos anuais de $7000 dólares vindos da Decca inglesa, portanto cobrindo de julho de 1965 até julho de 1974. Em seguida foram entregues cópias a cada um de uma carta oficializando a passagem de responsabilidades de gerenciamento da banda, que antes cabiam ao Oldham, agora para Klein, representante de Oldham.

Antes de entrarem na sala de reuniões com os advogados da Decca para renegociarem outro contrato com a gravadora, Allen Klein distribui óculos escuros para os cinco membros e instrui para que eles permanecem quietos e impassíveis durante a negociação. Keith Richards comentou anos depois de como foi impressionante assistir aqueles advogados aceitarem todas as exigências de Klein. Os Stones até então haviam faturado um estimado £100.000 libras pelas vendas dos seus discos pela London, representante da Decca nos Estados Unidos, e £150.000 da Decca na Inglaterra. Klein imediatamente transformou isso em um adiantamento de £1.000.000 de libras pela Decca e outro £1.800.000 da London, referente ao mercado americano e canadense. Os Stones estavam ricos e com o melhor contrato de todos, ganhando bem mais até do que os Beatles, mesmo não vendendo tantos discos quanto eles.


Aquele primeiro contrato em que Brian Jones assinou sozinho, respondendo pela banda Rolling Stones não tem mais validade. Novos percentuais de royalties por disco gravado são designados. Em suma, os cinco Rolling Stones dividem entre si 50% do valor dos royalties devidos enquanto a Impact Sound (Eric Easton e Andrew Oldham) mais Allen Klein, dividem os outros 50%.

O detalhe interessante é que Eric Easton sequer foi convidado à reunião. Klein e Oldham passam a fazer todo o possível para Easton não ter condições de continuar a trabalhar dentro da equipe e inevitavelmente ele saiu em definitivo. Saiu mas apenas de cena. Seu contrato com a banda continuaria válido por mais alguns meses. Easton aguardaria a melhor oportunidade para então processar Andrew Oldham, Allen Klein e os Rolling Stones em uma batalha judicial que iria se prolongar por muitos anos. Dia 28 de Agosto, novos contratos entre Allen Klein, Andrew Oldham e os cinco Stones foram assinados.

Toda Semana Tem

Tanto Brian Jones quanto Bill Wyman estavam com certas reservas em relação a Allen Klein, mas com um cheque gordo já depositado nas contas, ninguém teve muito argumento para contestar o andamento das coisas. Mesmo porque a interminável vida na estrada também contribui para manter a banda ocupado demais para ficar fazendo muitas perguntas. Mick e Keith, sentindo-se devidamente protegidos pela asa de Andrew Oldham, estavam irradiantes com as possibilidades que surgiam para o ano.

Durante todas as negociações, a banda continua se apresentando ao vivo. Quando não estão tocando na Inglaterra, estão na Escócia, Noruega, Finlândia Dinamarca e Suécia. Em Copenhagen, enquanto testando o som, Mick Jagger toma um choque violento do microfone, assim como também Bill Wyman ao tentar auxiliá-lo. Foi Brian Jones quem salvou o dia, puxando a tomada da parede. As mãos de Mick sofreram queimaduras, mas à noite tocaram para 2.000 pessoas. Em outro show, de molecagem ou rebeldia, a guitarra do Brian está extremamente alta, o que não permite a Mick se ouvir.

Outras Idéias

Peter Frampton
Peter Frampton

Bill Wyman acaba fundando sua própria firma, a Freeway Music, que cuidaria de toda sua carreira relacionada a atividades musicais fora dos Rolling Stones. Produziria e empresaria duas bandas, The End e Moon's Train, lançando entre Agosto e Setembro um álbum de cada banda, além do compacto de estreia de outro grupo contratado, The Preachers. Sua equipe de sessionmen (músicos de estúdio), contaria com Tony Chapman e um jovem virtuoso, ainda adolescente, que chama muita atenção de Bill. Seu nome é Peter Frampton. Wyman produziria ainda um dos primeiros trabalhos da banda Groundhog, o compacto "I'll Never Fall In Love Again".

Immediate Records

Andrew Oldham também tinha outras idéias para seu pequeno império. Ele acreditava que para uma banda como os Rolling Stones, é mesmo necessário uma grande estrutura de uma grande gravadora. Porém para os seus outros artistas menos badalados, ele concluíra que uma gravadora menor poderia cuidar melhor, dando um tratamento quase familiar ao artista pequeno ou médio. Com este raciocínio inovador, ele funda o selo Immediate Records que teria seus lançamentos distribuídos pela Phillips Records.

Andrew Loog Oldham
Andrew Loog Oldham

A estrutura inicial da firma contaria com Oldham para achar e contratar as bandas; o seu sócio e parceiro, o executivo Tony Calder para cuidar de contratos e outras papeladas; um jovem e talentoso guitarrista de estúdio, Jimmy Page, que cuidaria de produzir as bandas; e mais a assistência da dupla de compositores, Jagger e Richards. Oldham, Jagger e Richards fundam a produtora We Three Productions, para cuidar destes trabalhos em que os três estão envolvidos.

A festa de inauguração da Immediate foi no dia 20 de Agosto e teria presença dos Stones e de amigos como Eric Clapton, Mike Clark dos Byrds e Nico, atriz, modelo e cantora que ainda iria fazer um nome para si ao lado do Velvet Underground, mas antes, teria um compacto seu pela Immediate. O compacto tem em "I'm Not Saying", seu lado B, a participação de Brian Jones tanta nas guitarras como nos backing vocals. O lado A teria a curiosa co-autoria de Oldham-Page chamado "The Last Mile", sem Brian mas com Jimmy Page na guitarra. Nico e Brian também teriam um relacionamento relâmpago.

O pequeno selo independente seria precursor em um empreendimento que ganharia força na decada de setenta, durante a era punk. A Immediate deixaria suas maiores marcas ao lançar as bandas Small Faces, Nice e Humble Pie. Mas no ano de seu lançamento, além de contribuir com composições, Keith Richards grava guitarra no EP de Chris Farlow, chamado In The Midnight Hour, produzido a três mãos por Andrew Oldham, Mick Jagger e Keith Richards (We Three Productions).


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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

Mais matérias de Márcio Ribeiro no Whiplash.Net.

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