Quase dez anos depois de sua última vinda ao Brasil, o Red Hot Chili Peppers subiu novamente ao palco do Rock in Rio (a banda californiana também esteve presente na edição 2001 do festival) neste último sábado (24) para realizar um dos shows mais aguardados do evento. E junto com seu novo guitarrista Josh Klinghoffer, que substitui John Frusciante, Anthony Kiedis (vocal), Flea (baixo) e Chad Smith (bateria) corresponderam às expectativas de cada fã do RHCP que ali esteve presente.
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Se uma década atrás a banda teve sua performance no festival criticada por alguns, desta vez nem estes podem reclamar. Na verdade, podem sim. A duração do show, cerca de 1h40, poderia ser maior. E merecia, pela grande noite. Kiedis e cia estavam animados, afiados e inspirados.
A apresentação começou com quase uma hora de atraso. E o público aguardava ansiosamente. Quando a banda entrou no palco tocando “Monarchy of Roses”, do novo álbum “I’m With You” (2011), as 100.000 pessoas presentes naquele dia, segundo estimativa da organização do Rock in Rio, enlouqueceram.
Com um repertório alternado, que passava por todas as fases da carreira do grupo, o RHCP dominou a multidão com faixas como “Can’t Stop”, “Otherside”, “Dani California”, “Under the Bridge” e “Factory of Faith”. Já os fãs mais antigos da banda puderam pirar com “Pea”, “Me & my Friends”, “Higher Ground” e “Blood Sugar Sex Magik”. Simpáticos, entre a execução de uma faixa e outra, Kiedis e Flea faziam piadinhas e divertiam o público.
A banda, no geral, demonstrou bastante competência no palco. Smith arrebentava na bateria, enquanto Klinghoffer provava aos fãs mais céticos de que ele era um músico à altura de substituir o gênio Frusciante. Mas claro que todos desfariam a troca sem pestanejar. Já Flea hipnotizava os fãs com suas demonstrações no baixo e Kiedis exibia a boa forma de sua característica voz. A sequência de “Californication” e “By the Way” foi o ponto alto da noite. Naquele momento se ouvia de qualquer canto da Cidade do Rock o coro do público como não podia ser escutado em nenhum outro momento da apresentação. E a banda ficou impressionada com aquilo.
Pouco depois o RHCP deixou o palco e retornou para o bis, que começou com um solo de bateria de Smith com direito a um convidado especial: o percussionista Mauro Refosco. O brasileiro, que participou da gravação do último disco da banda, trouxe um pouco do gingado do samba para o Rock in Rio e empolgou o público.
Em seguida o RHCP apareceu vestindo camisetas com o rosto de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, morto no ano passado ao ser atropelado quando andava de skate dentro de um túnel interditado na zona sul do Rio de Janeiro. O Red Hot Chili Peppers era a banda favorita do músico, que completaria 20 anos de idade exatamente naquele sábado. Sendo assim, todos os integrantes, prontamente, toparam prestar a homenagem a Rafael quando souberam do caso e da data marcante. Emoção em pleno Rock in Rio. A música escolhida para o momento especial foi “Around the World”.
Já na reta final de sua apresentação, pouco depois de 3h da manhã, o RHCP tocou “Give it Away” para se despedir da multidão de fãs com chave de ouro. Depois, os californianos se despediram do público enquanto os fãs praticamente imploravam pelo retorno da banda ao palco. Não teve jeito, era o fim de uma noite que ninguém queria que acabasse. Que venha uma próxima exatamente igual, ou melhor, em breve.
Set list:
1- Monarchy of Roses
2- Can't Stop
3- Charlie
4- Otherside
5- Look Around
6- Dani California
7- Under the Bridge
8- Factory of Faith
9- Throw Away Your Television
10- Pea
11- The Adventures of Rain Dance Maggie
12- Me & My Friends
13- Did I Let You Know
14- Higher Ground (cover de Stevie Wonder)
15- Californication
16- By the Way
Bis:
17- Chad Solo de bateria (com Mauro Refosco na percussão)
18- Around the World
19- Blood Sugar Sex Magik
20- Give It Away
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Gabriel von Borell, nascido em 30/03/85, jornalista. Não vive sem música e também não se apega a rótulos musicais. Acredita que todo preconceito é burro, inclusive o musical. Escuta de tudo um pouco, considerando que um jornalista deve estar aberto pra conhecer e comentar sobre qualquer músico ou banda. Pode ser encontrado no Twitter em @gabrielborell.
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