Rock In Rio: o melhor, o pior e o mais surpreendente

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Por Igor Miranda, Fonte: Blog Van do Halen
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Com mais de 60 atrações nacionais e internacionais em sete dias, o Rock In Rio movimentou o Brasil nos últimos dias. A quarta edição do festival em terras brasileiras atraiu milhares de pessoas de todo o país e foi transmitida para outras milhões de pessoas pelo mundo afora. A lista a seguir, obviamente baseada em minha opinião, separa algumas das performances em "melhores", "piores" e "mais surpreendentes". Vale lembrar que não estive no festival, mas acompanhei a transmissão.

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1) Melhores shows (em ordem de apresentação):

1.1) ELTON JOHN

Por mais piegas que seu som pareça ser, Elton John tem uma carreira sólida e com hits emplacados pelo mundo inteiro. Dividiu palco com Claudia Leitte, Katy Perry e Rihanna, sofrendo da falta de recepção por parte dos presentes, mas não se importou (até o final, quando recusou fazer bis pela plateia já estar pedindo por Rihanna) e fez uma apresentação memorável, de alguém que é reconhecido pelo seu trabalho musical há mais de quarenta anos.

1.2) RED HOT CHILI PEPPERS

A grande atração do segundo dia do festival não poderia decepcionar - e não o fez. Em um repertório ainda recheado de hits do passado, a ausência do guitarrista John Frusciante foi sentida em alguns momentos, mas seu substituto, Josh Klinghoffer, manda muito bem. Os outros integrantes têm competência comprovada, desde a poderosa cozinha de Flea e Chad Smith até o vocalista Anthony Kiedis, que melhorou sua performance após conquistar a sobriedade alguns anos atrás. Vale lembrar que a banda agora conta com músicos adicionais, que tocam desde percussão até instrumentos de sopro.

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1.3) MATANZA + BNEGAO

A mistura entre Country e Hardcore feita pelo Matanza cativou os fãs que estavam no famigerado "Dia do Metal". A banda ficou responsável pela abertura dos shows, no Palco Sunset, mas os fãs compareceram em peso sem se importar com o tamanho do palco, que realmente ficou pequeno para Jimmy London e sua trupe. A participação de BNegão não comprometeu, mas também não fez diferença na performance animada e coesa do quarteto.

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1.4) MOTÖRHEAD

A apresentação do trio Motörhead, liderado pelo vocalista e baixista Lemmy Kilmister, fez com que a grande maioria dos grupos anteriores parecessem meras bandinhas de garagem. A crueza e a força do som dos caras ao vivo é incrivelmente cativante. Clássicos foram destilados do início ao fim sem complicações e falhas perceptíveis. O guitarrista Phil Campbell, mais empolgado do que de costume, garantiu o diferencial da performance. Destaque para a participação de Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, no fechamento com Overkill.

1.5) METALLICA

Potente e pesado, o Metallica fez o maior show desta edição do Rock In Rio - em termos de estrutura e repertório, com quase duas horas e meia de Heavy Metal digno de headbanging. Canções de toda a carreira da banda figuraram no repertório, que ainda teve Orion em homenagem a Cliff Burton, cujo falecimento teria seu 25° aniversário alguns dias depois do show.

1.6) LENNY KRAVITZ

Apesar da recepção morna do público, Lenny Kravitz fez um show muito bom. O repertório escolhido estava envolvente e recheado de boas músicas. O cantor e guitarrista, que estava acompanhado de uma banda excelente, impôs respeito e convenceu até mesmo quem estava lá por conta das outras atrações, como Shakira e Ivete Sangalo. Só pecou pela pouca interação com a plateia, que gerou a recepção morna anteriormente citada.

1.7) SYSTEM OF A DOWN

Parece que o System Of A Down nunca se separou. Ainda com muita química, a apresentação do quarteto no Rock In Rio foi consistente e energética. O repertório de 28 músicas foi praticamente todo acompanhado pela plateia, ensandecida com o show dos caras. Mais uma prova de que o grupo se distinguiu de um estilo musical genérico e conseguiu abraçar fãs de inúmeras vertentes com som e performance únicos.

1.8) GUNS N' ROSES

É necessário muito saudosismo para criticar a atual formação do Guns N' Roses. Afinal, ela é composta por músicos extremamente competentes, tecnicamente melhores que seus anteriores e que simplesmente amam o que fazem. Além do mais, apesar das várias escorregadas na voz - principalmente no final -, Axl Rose notavelmente deu o melhor de si e botou todo mundo pra pular. O show do GN'R teve a empolgação e a atitude de um show de Rock - coisa que muita banda do estilo ficou devendo. O repertório, recheado de clássicos e com algumas boas músicas do criticado "Chinese Democracy", ainda contou com Estranged, canção que não é tocada desde 1993 e voltou para o setlist graças a uma campanha feita pelos brasileiros na Internet.

2) Piores shows (em ordem de apresentação):

2.1) CLÁUDIA LEITTE

A cantora de Axé estava realmente deslocada no festival, mas tinha chances de conquistar o público presente, pois esteve no cast do dia com mais atrações Pop. Só que sua arrogância e prepotência impediu isto. Não é apenas uma questão de gosto musical: a mulher mandou mal ao achar que Rock In Rio é micareta e que todo mundo deveria ficar pulando durante o show, visto que gente de todo o país estava guardando lugar para performances posteriores. Ainda criticou as vaias, falando mal dos roqueiros, que nem estavam presentes na ocasião - o que estariam fazendo lá na mesma data dos shows de Rihanna e Katy Perry?

2.2) SNOW PATROL

Salvando-se uma ou outra música do quinteto escocês, faltaram travesseiros para o público durante a apresentação. O som alternativo do Snow Patrol é calmo e, em muitas horas, entediante. Acalmou quem estava agitado pela apresentação anterior do Capital Inicial e descansou aqueles que aguardavam pelo Red Hot Chili Peppers. Não sei se isso é bom ou ruim, mas o show dos caras foi, sem dúvidas, um dos piores do festival.

2.3) ANGRA + TARJA TURUNEN

Apesar da importância da banda para o metal brasileiro e da competência dos instrumentistas (alguns dos melhores do mundo em termos de Heavy Metal), a performance do Angra no Rock In Rio foi apática. A presença da carismática vocalista Tarja Turunen, ex-Nightwish, equilibrou o jogo. Mas os problemas estavam visíveis e a interação entre os membros da banda era mínima. Além disso, Edu Falaschi cantou muito mal - e ainda atribuiu suas falhas ao som do festival. Acreditei por um momento que o show espantaria rumores de dissolução da atual formação, até que o próprio cantor anunciou que estará afastado por tempo indeterminado para recuperar a saúde de sua voz (confira no link abaixo).

http://vansucks.blogspot.com/2011/09/edu-falaschi-parara-por...

2.3) LEGIAO URBANA + ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA

Não gosto de Legião Urbana, mas reconheço a fama e o legado que o grupo deixou enquanto o finado Renato Russo era integrante. A banda acabou com seu falecimento mas os membros remanescentes, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, insistem em viver de passado. Não vingaram desde o fim do conjunto e, no argumento de "homenagem", fizeram uma apresentação fraca e dispensável.

2.4) KE$HA

Pouco talentosa e muito extravagante, a cantora Pop tenta apostar desde sempre no visual para conquistar repercussão. Mas os mais atentos à sua música percebem que a estadunidense não manda bem. Até mesmo ao vivo sua voz está recheada de Auto-Tune (afinador automático) e sua performance é fraca. Mais uma artista pré-produzida, vou morrer sem entender o que Alice Cooper viu nela.

2.5) MARCELO D2

Não bastava ser chato, ainda teve que assassinar alguns hinos do Rock juntamente de Fernandinho Beat Box. Marcelo D2 deveria ter ficado no Planet Hemp, já que sua carreira solo não conta com músicas de impacto como as de sua antiga banda. Tenta misturar Samba, Rap e Mpb mas só faz bizarrice. Sua apresentação no Rock In Rio não foi diferente: bizarra.

2.6) COLDPLAY

Atração principal de um dia de atrações mornas como Maroon 5 e Maná, o Coldplay conseguiu se sair pior do que todo mundo. As músicas são sonolentas e o frontman Chris Martin dá vergonha alheia pela sua postura totalmente apática. Também não foi diferente no Rock In Rio. Pior show de headliner da história do festival e tenho dito.

3) Shows mais surpreendentes (em ordem de apresentação):

3.1) PARALAMAS DO SUCESSO + TITAS + ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA

Gosto das bandas em questão, mas não esperava uma performance tão energética e emocionante. O show abriu o festival em termos de Palco Mundo e todos os envolvidos mandaram muito bem. Canções eternamente populares em território brasileiro como Epitáfio, Alagados, Polícia e Meu Erro agitaram o público, que compareceu em massa para as atrações Pop que viriam em seguida.

3.2) GLORIA

A ovelha negra de todo o festival foi vaiada do início ao fim pelos metaleiros na plateia. Alguns se justificam dizendo que o Gloria é uma banda emo - nunca vi emo com gutural -, enquanto outros alegam que o grupo tomou o espaço do Palco Mundo de gente supostamente melhor, como o Angra e o Sepultura. Os motivos dos caras terem ocupado o palco principal devem estar relacionados à jabá de gravadora e a banda deve amadurecer na área das vozes e das composições, mas o instrumental é bom e eles surpreenderam por agarrarem a oportunidade e não deixarem a peteca cair em meio a rejeição dos presentes.

3.3) SLIPKNOT

Passada a febre comercial, o Slipknot ganhou maior respeito ao permanecerem unidos mesmo após o falecimento do baixista Paul Gray. A apresentação dos mascarados do nu-metal no Rock In Rio surpreende por ter cativado o público, até mesmo aqueles que não são chegados no som, com som pesado e presença de palco grandiosa.

3.4) JOSS STONE

Uma das grandes estrelas que encararam o Palco Sunset, Joss Stone conquistou o público com muito mais do que aparência agradável. A voz da mulher é poderosa e tem um grande alcance. Os músicos que a acompanharam também são incríveis. Pra quem esperava um show morno, como eu, Joss surpreendeu.

3.5) SKANK

O Skank nunca esteve entre minhas preferências no Rock nacional, apesar da fama. Nunca soaram como uma banda de Rock pra mim, na verdade. Mas os caras, definitivamente, fizeram o show da vida deles no Rock In Rio. Visivelmente satisfeito e empolgado, o frontman Samuel Rosa conduziu a plateia com maestria e a banda o seguiu com competência. Talvez nunca mais façam um show bom como o que fizeram naquele dia.




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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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