O dia em que Flea parou de zoar o hair metal por causa de uma banda muito foda
Por Bruce William
Postado em 28 de maio de 2026
Flea e Anthony Kiedis cresceram musicalmente em uma Los Angeles tomada pelo rock de visual exagerado, cabelo armado, calças apertadas e guitarras prontas para vender disco, camiseta e fantasia de rebeldia. Para o Red Hot Chili Peppers do começo, aquilo parecia exatamente o tipo de coisa contra a qual eles queriam se posicionar. A banda vinha de outro canto da cidade, com funk, punk, maluquice, humor físico e uma vontade clara de não soar como mais um grupo tentando seguir a fórmula da Sunset Strip.
Red Hot Chili Peppers - + Novidades
Em entrevista à Classic Rock (via Far Out), Flea lembrou que a rejeição era forte, em um tipo de frase que combina com a arrogância juvenil de uma banda que ainda estava formando sua própria identidade e precisava enxergar o mundo em blocos bem separados: nós de um lado, eles do outro. "Nós éramos definitivamente contra a cena hair metal. A gente dizia: 'Foda-se eles. Nós somos os caras underground, art-rock, esquisitos do East Side; esses caras só estão requentando Aerosmith e Kiss'."
O curioso é que o próprio Red Hot Chili Peppers não nasceu de uma amizade imediata entre Flea e Kiedis. Flea contou à Mojo que os dois se conheceram aos 15 anos, no começo do ensino médio, e que Anthony parecia uma figura intimidadora. Aos poucos, a ligação veio pela música, pela convivência e por uma energia parecida diante do que os dois queriam fazer. O Chili Peppers surgiria daí, com uma mistura que não tinha muito a ver com o hard rock dominante na cidade.
Naquela época, desprezar o hair metal era quase uma forma de autopreservação estética. Para Flea, muitas bandas da cena pareciam repetir um manual já bem-sucedido, mais preocupadas em visual, contrato e festa do que em uma voz própria. Havia também uma questão territorial: Los Angeles era grande o bastante para abrigar cenas diferentes, mas pequena o bastante para todo mundo se esbarrar, se comparar e se provocar.
Com o tempo, porém, a lembrança ficou menos rígida. Flea reconheceu que aquela visão era exagerada e que, no meio de muita coisa descartável, havia bandas fortes. "Olhando em retrospecto, era tudo bem besteira. Muitas daquelas bandas eram ótimas pra caramba. Guns N' Roses era uma grande banda."
O Guns N' Roses, aliás, sempre foi um caso meio deslocado dentro dessa conversa. A banda surgiu na mesma Los Angeles de cabelo armado e indústria farejando o próximo contrato, mas "Appetite for Destruction" tinha outra sujeira. Era mais Stones, Aerosmith, punk, rua, droga, bar barato e ameaça real do que fantasia glam para videoclipe. Não por acaso, Slash também rejeitava a ideia de ser apenas parte daquele universo.
O guitarrista já disse que odiava aquela cena e que o Guns N' Roses vinha como uma espécie de antítese daquilo. Para Slash, muita gente em Los Angeles estava se adaptando ao padrão da indústria para conseguir contrato e garotas, enquanto sua banda vinha de outro lugar. A ironia é boa: Flea olhava de fora e via o Guns inicialmente dentro de uma cena que desprezava; Slash, por dentro, também achava que estava tentando matar aquela mesma cena.
Essa distância entre rótulo e realidade talvez explique por que o reconhecimento de Flea faz sentido. O Guns N' Roses podia dividir espaço, roupas, bares e público com o hair metal, mas não soava como uma cópia dócil do modelo. Havia violência, descontrole e uma crueza que separavam a banda de muitos colegas mais plastificados. Para quem vinha do underground e desconfiava de tudo que parecia fabricado, talvez fosse preciso tempo para admitir isso.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Kiko Loureiro respeita muito Tony Iommi, mas acha que guitarrista do Black Sabbath é "quadrado"
Curitiba ganha "Cidade do Rock" e recebe festival com gigantes do rock nacional anos 1980
O álbum em que Geddy Lee acredita que o Rush finalmente encontrou seu equilíbrio
A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
Shows que vão agitar São Paulo no segundo semestre de 2026.
James Hetfield revela sua maior influência como guitarrista de metal: "É o mestre dos riffs"
O futuro rockstar que Peter Frampton queria que abrisse os shows do Humble Pie
A canção dos anos sessenta que fez Iggy Pop se livrar do blues e virar um "monstro"
O grande clássico do Metallica em que Kirk Hammett não tocou uma única nota
Em 1994, Bruce Dickinson esculachou videoclipe do Aerosmith
Como John Petrucci tenta manter a rotina de treinos durante as turnês do Dream Theater
A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
Pearl Jam sobe ao palco pela primeira vez com Abe Laboriel Jr. na bateria
A música que fracassou em inglês e virou um hit nacional dos anos 1960
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide

O melhor álbum de hard rock de cada ano dos anos 2000, segundo a Loudwire
O dia em que músicos do Red Hot Chili Peppers entraram nus no show dos Ramones
Os 10 melhores álbuns dos anos 1980, segundo Regis Tadeu
13 bandas que sobreviveram por mais de 40 anos sem separar, segundo a Loudwire
A música que Flea escolheu como a melhor definição do Red Hot Chili Peppers
João Gordo relembra rolê histórico com Kurt Cobain e Flea em bar paulista
A música que melhor encapsula o Red Hot Chili Peppers, segundo Flea


