O dia em que Anthony Kiedis, do Red Hot Chili Peppers, conheceu o Dalai Lama
Por João Pedro Torres Pieroni
Postado em 21 de maio de 2026
Em 1997, o Red Hot Chili Peppers viveu o ano "em que nada aconteceu", nomeado pelo baixista Flea. A banda fez um único show naquele ano, apresentação que foi prejudicada por um ciclone que passava em Yamanashi, no Japão. Na sua biografia, lançada em 2004, Anthony Kiedis deixa claro que o ano só foi parado para o RHCP, já para ele, foi repleto de "aventuras e desventuras", entre elas, o encontro com o Dalai Lama em pessoa, na Índia.
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Kiedis estava na Nova Zelândia quando decidiu tirar férias para explorar a Índia e, principalmente, fazer a trilha até Dharamsala, cidade do norte do país, onde mora o Dalai Lama. Quando chegou ao local, o vocalista se deparou com inúmeros monges vestidos com robes cor de açafrão.
No livro, Anthony diz que chegou ao escritório do mais importante dos monges tibetanos, e como se fosse o mais conhecido e até amigo pessoal do Lama, se aproximou dos homens que lá trabalhavam e disse: "Por favor, poderia informar o Dalai Lama de que Anthony Kiedis está aqui? Sei que ele deve estar ocupado, mas gostaria de cumprimentá-lo". O que veio a seguir foram risadas histéricas de todas as pessoas que estavam no escritório, seguidas da informação de que a agenda do monge estava lotada pelos próximos três anos.
Anthony descreve que aceitou a informação mas, mesmo assim, insistiu para deixarem um recado ao Lama, de que ele esteve lá e que queria estabelecer contato. O pessoal do escritório prometeu que repassaria a mensagem e voltou a cair em gargalhadas.
De volta ao hotel, o desanimado Kiedis já tinha perdido as esperanças de encontrar o "Mágico de Oz", quando a recepcionista, animada, disse que o escritório do Lama deixou um recado, para o músico estar lá no dia seguinte às oito da manhã.
No outro dia, chegando ao local sagrado novamente, os monges que lá trabalhavam explicaram que Kiedis passaria pelo detector de metais e também deixaria seus pertences com eles. Medidas de segurança que foram tomadas devido às ameaças de morte vindas da China. O vocalista conta que foi encaminhado a um pátio, onde passaria o Dalai Lama, com seus seguranças, e que, talvez, ele acenasse para Kiedis.
No canto escolhido, Kiedis conta como foi o encontro: "Assumi o posto designado no canto do pátio e vi o Dalai Lama se aproximar com seu esquadrão de segurança. Ele me viu, seus olhos brilharam e um grande sorriso iluminou seu rosto. Ele mudou de direção e veio diretamente até mim. Eu estava chocado".
Quando chegou até o vocalista, o Lama pegou em sua mão e perguntou o porquê da viagem até a Índia, comentou sobre os incríveis cheiros e cores por todo o lado e pediu que, juntos, tirassem uma foto. Kiedis comenta que, ao contar que não o deixaram entrar com seus pertences, o Lama pediu que um assistente fosse buscar a câmera e assim fizeram a foto.
O resto do encontro foi de sorrisos e toques, que Kiedis descreve como se estivesse recebendo a essência do monge. O Lama também lhe entregou seu último livro autografado, algumas moedas tibetanas e uma echarpe branca de seda. Ao fim da conversa, Dalai Lama convidou Anthony para assistir a um curso avançado de tantrismo, que segundo o próprio monge, ele não entenderia nada, mas o faria bem.
Um dos ajudantes se espantou com o convite e comentou com Kiedis que, para estar presente nesse curso, era necessário estudar 50 anos. Fato que mostra o quanto o vocalista e Dalai Lama se deram bem, mesmo se conhecendo e estando juntos por pouquíssimo tempo.
O músico termina o relato descrevendo a reação dos amigos ao vê-lo se drogar novamente. Eles pensavam que, depois do encontro com o monge, as drogas deixariam de fazer parte de sua vida conturbada: "Isso não tinha nada a ver com drogas. Eu não precisava ir até a Índia para a iluminação espiritual. O caminho da espiritualidade diária estava exatamente na minha frente, estava em todos os cantos se eu quisesse encontrá-lo, mas decidi ignorá-lo".
FONTE:
Livro biográfico de Anthony Kiedis, "Scar Tissue".
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