Em 17/01/2005 | Anthrax - John Bush comenta a vinda ao Brasil e muito mais

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Anthrax - John Bush comenta a vinda ao Brasil e muito mais


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Por Thiago Pinto Corrêa Sarkis

A segunda metade dos anos noventa não foi boa para o Anthrax e seus fãs. A banda, considerada uma das maiores do metal oitentista, passou por péssimos momentos enquanto o grunge e o alternativo tomavam conta de toda a cena principal. Álbuns como “Stomp 442” (1995) e “Volume 8 – The Threat Is Real” (1999) foram praticamente negligenciados pela grande mídia, além de não serem bem recebidos pelos próprios admiradores do conjunto.

Depois de uma pausa, eles retornaram com força total em 2003, lançando o espetacular “We’ve Come For You All”. Desde então, o grupo voltou ao seu posto original, entre os mais importantes e influentes representantes da história do metal.

A autoridade do Anthrax, porém, supera os limites de um único estilo. Scott Ian e Charlie Benante, os dois líderes dessa “música de destruição em massa”, abriram um novo horizonte ao gravarem “Bring The Noise” com o Public Enemy, num dos mais prolíficos encontros entre o rap e rock, mantendo-os no topo, ao lado de Aerosmith e Run DMC com “Walk This Way”.

Acompanhando o aclamado álbum de retorno da banda veio o vídeo clip para a música de trabalho, “Safe Home”, estrelado por ninguém menos que Keanu Reeves (Matrix, Advogado do Diabo, etc). Na seqüência, disco e DVD ao vivo e, agora, “The Greater Of Two Evils” (2004), um lançamento com John Bush cantando os principais clássicos do Anthrax dos tempos de Neil Turbin e, posteriormente, Joey Belladonna.

A empolgação dos integrantes com os bons resultados de seus trabalhos e o incrível momento que vivem fica bem clara em segundos de conversa. Quanto mais num longo bate-papo, como o que tivemos com John Bush, um dos caras mais simpáticos e engraçados da cena, que nos revelou todos os detalhes do álbum mais recente, além de comentar a resposta dos fãs a “We’ve Come For You All”, a chance que ele teve de entrar no Metallica, a morte de Dimebag Darrell e, entre tantas outras coisas, é óbvio, os preparativos para a turnê sul-americana, que passa pelo Brasil nos dias 25 e 26 de Fevereiro, em São Paulo (Credicard Hall) e Rio de Janeiro (Claro Hall) respectivamente.



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Whiplash! – Como foi gravar “The Greater Of Two Evils” com os grandes clássicos compostos pelo Anthrax antes de sua entrada como vocalista? Quem teve a idéia de preparar esse material especial para os fãs?

John Bush / Não sei exatamente quem teve a idéia, acho que foi algo que coletivamente pensamos em fazer. Originalmente planejamos uma gravação ao vivo comigo cantando várias destas músicas antigas. Porém, desistimos disso e decidimos oferecer um trabalho distinto em relação aos já tradicionais discos “ao vivo”. Fomos para o estúdio e lá gravamos tudo. Mesmo assim, durante as sessões, o clima foi praticamente de ensaio. Nos divertimos bastante, e é ótimo ver que conseguimos concentrar o foco em cada um de nós tocando e fazendo o seu melhor nessas músicas. Estou feliz com o resultado.

Whiplash! – Às vezes o título me suscita uma noção de rivalidade entre o passado e o presente da banda. Há algum significado especial no nome “The Greater Of Two Evils”?

John Bush / Não, de maneira alguma. Você está indo muito a fundo (risos). Na verdade, houve problemas com a primeira idéia que tivemos de título para o álbum, que seria “Metallum Maximum Aeternum”. Percebemos que era muito difícil para as pessoas pronunciarem aquele nome. Ficou confuso para os que dominam o inglês, e até mesmo para aqueles que falam latim (risos). Por essa razão mudamos o título. A nova idéia surgiu numa conversa entre Scott Ian e o nosso webmaster sobre o debate que aconteceria entre John Kerry e George W. Bush. Scott veio com algo como: “eles sempre falam sobre o menor dos males, mas ninguém fala sobre o maior dos males.” Nosso webmaster disse então: “este é um ótimo título. Vocês deveriam usá-lo ao invés de “Metallum Maximum Aeternum” (N. do E.: o título referido é obviamente “The Greater Of Two Evils”. Em português, algo como: “dos males o maior” ou o “maior dos males” ou “o maior de dois males”. O provérbio “the lesser of two evils” se correlaciona a “dos males o menor” de nossa língua). Não tínhamos o objetivo de trazer qualquer significado especial no título e, sendo assim, não há muito o que interpretar. Veio naturalmente.

Whiplash! – Você teve uma sensação especial gravando alguma música específica?

John Bush / Eu gostei de gravar todas as músicas.Como disse antes, me diverti fazendo aquilo. Apesar disso, é provável que eu tenha ficado um pouco mais empolgado ao cantar as músicas que não tocamos freqüentemente ao vivo. Digo, “Caught In A Mosh” e “I’m The Law” são duas canções que viemos tocando por anos e anos. Canto ambas todas as noites, desde a minha entrada no Anthrax. Já “Panic”, “Deathrider” e “Gung-Ho”, são músicas que não tocamos ao vivo geralmente. Por essa razão, acho que foi um pouco mais divertido gravá-las.

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Whiplash! – Qual a sua opinião sobre o Anthrax com Joey Belladonna?

John Bush / Eles gravaram ótimos álbuns. Não consigo ver pontos negativos em quaisquer dos discos. “Among The Living” é um álbum clássico do heavy metal. “Persistance Of Time” e “Spreading The Disease” também são excelentes discos. Quero deixar claro para as pessoas que com “The Greater Of Two Evils” não temos o objetivo de arrumar algo que achamos estar atrapalhado ou errado. De jeito nenhum. O que tentamos fazer é simplesmente dar versões diferentes para essas músicas, comigo nos vocais, e também considerando que elas estão sendo tocadas em 2004, e é claro que soam diferentemente das gravações originais que ocorreram há mais de quinze anos. Há um outro sentimento envolvido, e um momento de muita excitação por parte de todos nós. Gostaríamos de incluir isso também nessas músicas.

Whiplash! – Você gosta dos vocais de Belladonna?

John Bush / Sim, Joey é um ótimo vocalista. Ele fez coisas incríveis com o Anthrax e tem uma voz muito única. Ele é uma parte essencial na história do Anthrax.

Whiplash! – “The Greater Of Two Evils” conta também com músicas de “Fistful Of Metal” (1984), álbum que contou com o vocalista original do Anthrax, Neil Turbin. O que você pensa desse material e dos vocais de Turbin?

John Bush / Esse é também um grande álbum. Não tocamos as músicas dessa fase com tanta freqüência como as do período com Joey Belladonna, e isso deu um contorno especial a elas. Além do mais, todas as músicas de “Fistful Of Metal” são muito calcadas na antiga escola do metal. Elas soam muito dessa maneira e eu simplesmente me senti vivendo aquilo. Foi diferente. Acho que todos os álbuns do Anthrax são excelentes, inclusive aqueles comigo nos vocais (risos).

Whiplash! – Fiquei bastante impressionado vendo você cantar “Bring The Noise” no DVD “Music Of Mass Destruction” (2004). Você parecia estar totalmente tomado pela música. Pensei que ela também apareceria em “The Greater Of Two Evils”. Por que isso não aconteceu?

John Bush / Bom, nós não queríamos incluir qualquer música cover em “The Greater Of Two Evils”. É por isso que “Antisocial”, “Got The Time” e “Bring The Noise” ficaram de fora. Queríamos o álbum da maneira como lançamos, apenas com músicas compostas pela banda. De qualquer maneira, eu realmente amo “Bring The Noise” e fico feliz com os elogios. A única vez que o Anthrax tocou essa música antes da minha entrada foi quando excursionou com o Public Enemy e o Chuck D subia ao palco para cantar a música ao vivo. Quando entrei na banda, eles falaram comigo: “nós vamos tocar ‘Bring The Noise’, e queremos que você cante”. Eu disse: “Ok, nunca cantei rap antes, mas deixe me ver o que posso fazer”. Durante os anos, fui aprimorando minha maneira de cantar essa música e acho que finalmente cheguei perto daquilo que sempre objetivei. É maravilhosa ao vivo, e super explosiva. Há uma sensação especial que aparece toda vez que tocamos “Bring The Noise”. Talvez não só por ser uma grande composição, mas também pela importância que ela tem. Foi uma das primeiras músicas de rap rock já compostas, e apontou o caminho para aquilo que muitas bandas fariam posteriormente. Se não fosse por “Bring The Noise”, provavelmente não haveria um Rage Against The Machine. (N. do E.: “Bring The Noise” é cover da música originalmente gravada apenas pelo Public Enemy em seu clássico álbum “It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back” de 1988; “Antisocial” é uma verão para a composição da banda francesa de hard rock Trust, que teve algum sucesso nos anos oitenta, e que lançou a música em questão no álbum “Repression” de 1980; “Got The Time”, por sua vez, foi composta por Joe Jackson para o disco “Look Sharp”, de 1979.)

Whiplash! – Desde que você entrou na banda, já teve alguma oportunidade de ser acompanhado por um rapper nessa música?

John Bush / Já, algumas vezes. Há não muito tempo fizemos um show em Nova Iorque e Chuck D veio ao palco e cantou a música conosco. Jamais vou esquecer aquilo. Acho que somente o Public Enemy e o Anthrax podem tocar “Bring The Noise”. Nenhum outro grupo deveria tocá-la, apesar de que acho que alguma banda já o fez.

Whiplash! – De material gravado, que eu saiba, há sim uma versão, numa parceria de Limp Bizkit e Staind...

John Bush / Mesmo? Tudo bem então. Todavia, como falei, não acho que qualquer outra banda deveria fazê-lo. É uma coisa única de Anthrax e Public Enemy, e leva características muito fortes das duas bandas. É apenas minha opinião, claro.

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Whiplash! – Voltando um pouco ao Anthrax... você foi comparado a Belladonna durante um bom tempo de sua carreira e obviamente isso, às vezes, ainda acontece. Contudo, em proporções bem menores na atualidade, não? Como você lidou com aquilo no passado?

John Bush / Respondendo à primeira pergunta, sim, certamente hoje as comparações chegam a ser até raras. Mas bem, eu entendo quando há mudança de vocalistas num grupo. Também sou fã e sei como é duro encarar as idas e vindas de suas bandas favoritas. Eu amava o Van Halen quando o David Lee Roth saiu, e levei um tempo até me acostumar com Sammy Hagar. Quando Ozzy saiu do Black Sabbath e o Dio foi contratado, lembro-me de ouvir os discos e pensar: “nossa, está muito diferente”. O mesmo quando Bon Scott morreu. Nem por isso deixei de admirar os cantores que substituíram meus ídolos e, por exemplo, no caso do AC / DC, sou apaixonado por “Back In Black”. Eu sabia que teria que passar por aquela aprovação e alguns momentos difíceis quando aceitei o cargo de vocalista do Anthrax. Compreendo e empatizo com os fãs que ficaram assustados, e estranharam as diferenças que meu vocal trouxe em relação àquilo que eles tinham anteriormente. Porém, no dia em que entrei no Anthrax, quando me tornei o vocalista daquela banda, tudo o que fiz foi olhar adiante e aguardar que a poeira baixasse. Eu não queria me preocupar muito com o que as pessoas estavam dizendo. Aquilo me deixaria inseguro sobre o meu trabalho e não é bom se sentir assim. Afastei-me um pouco do que havia sido feito antes de mim e apenas pensei que eu era o novo vocalista, que deveria fazer o melhor que pudesse e, confiando em mim, conquistaria o público. Essa é a minha atitude ainda hoje. É o meu jeito de ser. No palco, coloco tudo o que posso de dentro de mim mesmo, e espero que as pessoas sintam a sinceridade que tenho como cantor. Me sinto bem por todos os anos que passei com essa banda. Trabalhei verdadeiramente duro e acredito que os fãs sabem e sentem isso. Se você faz algo com honestidade as pessoas verão isso e, conseqüentemente, estarão mais próximas de você.

Whiplash! – De certo. Mas você vê uma conexão em seu firmamento como vocalista absoluto do Anthrax e o sucesso de “We’ve Come For You All”?

John Bush / Claro, é a conseqüência de gravar um grande álbum. “We’ve Come For You All” é um disco maravilhoso, e os fãs ficaram felizes com o que oferecemos a eles. Ninguém está pensando mais sobre quem é o vocalista cantando nesta banda. O resultado é o que importa. Veio com muito trabalho; nos esforçamos e tiramos o melhor que podíamos de cada um de nós. Conseguimos lançar este álbum fantástico, que é provavelmente um dos melhores de toda a carreira do Anthrax. Nós não chegaríamos até ele se ainda estivéssemos preocupados com o que as pessoas estão falando, ou se elas ainda estão me comparando ao antigo vocalista.

Whiplash! – Depois do álbum finalizado, vocês perceberam que tinham algo especial em mãos?

John Bush / Estávamos muito confiantes com o trabalho que havíamos feito. Mas existem algumas coisas que precisam ficar claras. Nossa sensação não foi diferente depois que gravamos “Volume 8” ou mesmo “Stomp 442”. Também pensamos que estes são ótimos álbuns. No entanto, muito do que faz um lançamento ser bem-sucedido é decorrente do relacionamento estabelecido com a gravadora e do que ela faz para promover o disco. Você pode ter o melhor CD do mundo em suas mãos, mas se a responsável pela divulgação não deixar ninguém saber disso, é provável que você não receba comentários positivos da imprensa e tampouco venda uma boa quantidade de discos. Essa é a realidade. No caso de “We’ve Come For You All”, nós sabíamos que a Nuclear Blast na Europa faria o melhor, pois eles estavam realmente empolgados com a possibilidade de trabalhar com o Anthrax, e sabiam como colocar-nos de volta no mundo do heavy metal. Não é uma gravadora grande trabalhando com diferentes estilos de música. Eles se concentram no metal e é isso o que fazem, e muito bem. Não foi à-toa que tivemos tanto sucesso na Europa. Nos Estados Unidos as coisas vêm sendo um pouco mais complicadas para nós, e temos a sensação de que a nossa gravadora não fez tudo o que podia. Te digo isso com muita segurança. Para você ter uma idéia, antes de “We’ve Come For You All”, estávamos num declínio ainda maior na Europa que nos Estados Unidos, e agora nós somos muito maiores lá do que aqui. Se não há dedicação por parte da sua própria gravadora, digamos que sua conexão com o público é bastante fraca, e está fadada ao desastre. No final das contas, nós não podemos ajudar muito nessa relação, pois não deixaremos que um contrato nos influencie ou mude nossa música. Você simplesmente tem que fazer a melhor música que já imaginou e então, quando finaliza o seu trabalho, poderá somente passá-lo à equipe responsável e dizer a eles que agora façam o melhor que podem. Esse é o trabalho deles. Nada mais resta que torcer para que os fãs gostem e que tenhamos sucesso com eles. De toda maneira, não ligo tanto assim para isso. É obviamente importante, mas se um álbum vendeu um milhão, ou uma cópia, já não ligo mais. Não é isso que vai me dizer o quão bom é o trabalho que fiz.

Whiplash! – Você sente alguma pressão para o lançamento do próximo álbum de estúdio apenas com músicas inéditas? Não é difícil responder a tantas expectativas após um álbum como “We’ve Come For You All”?

John Bush / É, e sentimos essa pressão. Mas fomos nós que a procuramos. Definimos um nível alto para nós mesmos e é claro que isso cria uma série de expectativas, e a pressão cai sobre nós. Não há problema algum nisso. Pelo contrário, é muito melhor se sentir assim do que pensar que seu último álbum foi uma merda e que você deveria conseguir fazer algo muito melhor (risos). É ótimo ver que o trabalho deu resultados e que teremos que nos esforçar muito para o próximo álbum ser ainda melhor que “We’ve Come For You All”. Isso nos faz trabalhar mais duro e é o melhor para nós mesmos e provavelmente será o melhor para os fãs.

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Whiplash! – Vocês já começaram a compor para o próximo álbum?

John Bush / Ainda não, mas precisamos começar. Tradicionalmente tendemos a ser um pouco lentos quando chegamos no processo de composição de um álbum. Sinto que estamos mudando e precisamos acelerar um pouco. Estamos felizes com esta fase maravilhosa de nossa carreira e há um clima excelente para compormos. O Anthrax está rodeado pela empolgação proveniente do sucesso de “We’ve Come For You All” e queremos manter isso.

Whiplash! – Bandas como Exodus, Kreator, e Anthrax voltaram com muita força e trazem consigo bastante do espírito do metal nos anos 80. É até importante pra toda uma geração que perguntava se nu metal era realmente metal. Vocês são uma boa resposta a isso. Como você vê estes grandes retornos e a cena do metal hoje em dia?

John Bush / Você está certo, há definitivamente uma diferença (risos). Acho ótimo que estes grupos antigos estejam voltando e apresentando grandes trabalhos. É excelente para os fãs e obviamente para nós mesmos. Devemos nos lembrar, porém, que Exodus, Kreator e Anthrax, já têm carreiras de vinte anos. Neste meio tempo, tivemos uma geração nascendo e crescendo, e para eles, há toda uma nova geração de bandas também. Precisamos de sangue novo e é isso que a nova geração de bandas dá à cena. Vejo o heavy metal como uma gigante árvore genealógica. No topo, você tem Black Sabbath. Dali você vai descendo e encontra Judas Priest, e aí Iron Maiden, Motörhead, Metallica, Slayer, Anthrax, AC / DC, e toda a cena. Se você prosseguir nessa árvore, pode dar de cara com Lamb Of God, Killswitch Engange, HammerFall, etc. Se você gostar de quaisquer dessas bandas, há uma boa chance de que goste de outras que integram esta árvore. Nenhum fã de Britney Spears vai ter a repentina vontade de colocar um disco do Black Sabbath pra tocar. Então há o que valorizar nesses novos talentos e grupos aparecendo por aí, mesmo que não seja exatamente aquilo que gostaríamos de ouvir.

Whiplash! – E você acha que um fã de Limp Bizkit ou, não sei, Linkin Park, vai ter este desejo repentino?

John Bush / É difícil dizer. Talvez haja uma relação, e... nossa, não sei, é provável. Sei, por exemplo, que Wes Borland é um grande fã de Anthrax e ele é o guitarrista que compôs a maioria das músicas do Limp Bizkit. Provavelmente há algum paralelo aí. Quando penso nos grupos que você mencionou, realmente não vejo o exemplo de banda que curto. Elas não fazem meu estilo. Todavia, respeito o que eles vêm fazendo e, às vezes, há até alguns riffs legais. É uma questão difícil. O Limp Bizkit é uma banda enorme em todo canto do mundo, e bem, isso nos diz alguma coisa.

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Whiplash! – Gostaria de saber sobre a questão que envolveu o nome “Anthrax”. Vocês chegaram realmente a ter problemas com isso após o onze de setembro?

John Bush / Depois do onze de setembro, cinco ou seis pessoas morreram porque alguém estava mandando antraz pelo correio. Foi muito estranho estar nesta banda, e ter este nome naquela época. Se você chegasse para alguém antes daquilo e falasse “Anthrax”, 90% das pessoas concluiriam que você estava falando da banda Anthrax. Depois do que aconteceu e especialmente naqueles terríveis dias, as pessoas automaticamente diriam que você fazia menção à doença. Nosso nome estava assustando as pessoas. Foi frustrante estar associado àquilo de alguma maneira, porque obviamente nós não queríamos que nada daquilo acontecesse, e tampouco sabíamos que um dia pessoas seriam assassinadas pelo envio de antraz por carta, embalagens, o que for. A imprensa também fez a sua parte espalhando o pânico pela sociedade e fazendo com que aquilo parecesse a próxima arma para assassinatos e mortes diversas. Nos assustamos e decidimos esperar para ver. Tirando o fato daquelas mortes, que lamentamos muito, tivemos a sorte destes ataques e dos comentários sobre o antraz terem desaparecido. A atenção da mídia se focou em outras coisas e finalmente pudemos seguir em frente. Porém, quando você está avisado de que milhares de pessoas vão morrer por causa do antraz, fica difícil para a banda Anthrax sair em turnê e fazer shows. Imagine algo como: “hoje ao vivo... ANTHRAX” e as pessoas saindo correndo e gritando “AHHHHHHHHHHH” (risos gerais). Aconteceria o mesmo com uma banda chamada Peste Bubônica na Idade Média. Estou tentando ser bem humorado aqui, porque precisamos ser assim, mas foi um período muito difícil. Um tempo depois participamos de um show beneficente para os policiais e bombeiros que perderam suas vidas no onze de setembro, e foi algo mágico, um momento muito especial. Muitos profissionais daquelas áreas compareceram e o apoio deles fez com que nos sentíssemos muito bem; era tudo o que queríamos. Há uma foto desse show que você já deve ter visto no “We’ve Come For You All”. É aquela em que estamos vestidos com uma roupa dizendo “We’re not changing our name” (N. do E.: “Nós não estamos mudando nosso nome” ou “Nós não vamos mudar o nosso nome”. Como bem falado por um amigo, interprete como quiser, e odeie o “gerundismo”).

Whiplash! – Durante o DVD “Music Of Mass Destruction”, vi você expressando seus sentimentos e idéias em relação à guerra no Afeganistão, dizendo que você apoiava as tropas americanas lá instaladas. Como você vê a guerra no Iraque e também a reeleição de George W. Bush?

John Bush / Só quero esclarecer uma coisa: quando eu digo que apoio nossas tropas, estou enfatizando que as pessoas de nosso serviço militar que estão no Afeganistão ou no Iraque, são aqueles que estão arriscando suas vidas, lutando. Independentemente de eu acreditar ou não na guerra, são eles que estão lá e eu gostaria de mostrar meu apoio a essas pessoas. Talvez não fossem eles exatamente as pessoas que deviam estar lá. Também, mesmo não sendo um admirador de George W. Bush, e não tendo votado nele, encaro a realidade de que ele é o presidente do meu país novamente e para os próximos quatro anos. Não foi isso que escolhi, mas a maioria quis assim e, desta maneira, só me resta ter pensamentos positivos e a esperança de que as coisas melhorem. Eu gostaria especialmente que as relações entre os Estados Unidos e os outros países melhorassem. Essa é uma das coisas mais tristes pra mim. Geralmente, há dez, onze anos atrás, quando você falava dos Estados Unidos, encontrava pessoas que gostavam do país. Contudo, nos últimos cinco anos, especialmente após o onze de setembro, e num curto período de tempo, todos estavam odiando os Estados Unidos. Como aquilo poderia ter acontecido? Por quê as pessoas nos odeiam? Digo, eu sei porque elas nos odeiam, mas como cidadão desse país, fico triste e frustrado. Não há como sentir algo diferente, mesmo havendo razão para esse ódio todo, e sei que há. Espero que as relações melhorem entre os Estados Unidos e países como o Brasil, França, Iraque, Japão, e todos os outros. Estou torcendo por isso e tentando ser otimista.

Whiplash! – Obrigado por responder a pergunta dessa maneira. Acho que é raro encontrar um músico tão consciente e que explicite sua opinião tão bem. Você pegou a idéia realmente. Fiquei me questionando sobre o quê ou o por quê de você apoiar a guerra no Afeganistão e me parece bem claro agora que não foi exatamente isso que aconteceu.

John Bush / Obrigado... eu sei que minhas declarações causaram incômodo em muita gente, mas só quero realmente que as coisas melhorem. Não gosto de guerra, na verdade, acho horrível. Fico muito triste com tudo isso. Vamos morrer um dia, disso não há dúvida, mas que morramos aos noventa anos, dormindo, e não de maneiras tão terríveis e impiedosas.

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Whiplash! – Falamos de Dimebag Darrell aqui...?

John Bush / Com certeza... penso nisso quando falo dessas tragédias todas.

Whiplash! – Como você recebeu a notícia da morte de Dimebag e como reagiu a ela?

John Bush / Charlie Benante me ligou quase de madrugada e me contou o que havia acontecido. Eu não conseguia acreditar. É uma insanidade muito grande. Dimebag era uma pessoa incrível, feliz, que gostava de beber, se divertir, e passar alegria às outras pessoas. A morte dele já seria triste por qualquer razão ou forma, mesmo que aos noventa anos dormindo. Agora, morrer daquela maneira? O que se pode dizer? É uma mancha horrível deixada em nossa história. Só consigo me sentir melhor porque sei o guitarrista e música fantástico que ele foi, e que a música dele não morrerá nunca. É isso o que temos dele agora, e é eterno. O Anthrax teve momentos maravilhosos proporcionados por ele, que tocou nos nossos últimos três álbuns, sempre muito disponível e divertindo a todos. Me sinto honrado de saber que a guitarra dele está gravada em nossos discos. Há um monte de babacas no heavy metal, mas acredite no que as pessoas estão falando, Dimebag definitivamente não era um destes. Foi sempre atencioso e cuidadoso com os fãs. Sinto-me muito mal por Vinnie Paul, e pela sua esposa, Rita. Não consigo imaginar o quão difíceis vêm sendo esses dias para eles.

Whiplash! – Bom... e o Armored Saint? Você ainda tem planos para a banda? Deve estar faltando tempo, não?

John Bush / No momento vem sendo difícil pensar em qualquer outra coisa senão no Anthrax. Mas eu amo trabalhar com o Armored Saint. A reunião do grupo me ajudou muito em 1998, 1999, quando compusemos “Revelation”. Na época o Anthrax havia dado um tempo, e realmente precisávamos daquele distanciamento pela frustração imensa de todos com o que estava acontecendo com a banda. O Jeff Duncan tinha uma proposta da Metal Blade para outro disco do Armored Saint e achei uma ótima idéia. Gosto bastante de “Revelation”. O melhor que tiramos daquilo tudo é que, como uma banda nos anos oitenta, tínhamos muitas expectativas, mas nunca alcançamos o sucesso que desejávamos. Então, depois de muito tempo, gravar um álbum foi extremamente tranqüilo e divertido, sem sofrer grande pressão. Se nos reunirmos de novo, quero que seja no mesmo espírito. Fazer por gosto, e não porque temos que fazer. Eu amo trabalhar com Joey Vera. Além de ser um grande baixista, é meu melhor amigo. Agora ele está conosco no Anthrax e vem sendo sensacional. Vamos aguardar pra ver o que vai acontecer. Não sei o que o futuro nos guarda.

Whiplash! – O que você me diria sobre sua recusa ao convite para entrar no Metallica? Por quê você não aceitou e qual a verdadeira história por trás disso tudo?

John Bush / A verdade é que o Metallica me convidou para entrar na banda antes de ter gravado o “Kill ‘Em All”. O que explico a todos é que o Armored Saint estava começando a tocar e ter repercussão na época. Eu e todos os membros do grupo crescemos juntos. Tínhamos uma história de vida enorme, e fortes laços de amizade. Nos conhecemos desde nossos oito, nove anos. Ou seja, estávamos nos sentindo muito bem com aquilo que vínhamos apresentando e com a banda no geral. Largar aquele projeto, que era o nosso desafio de ser a melhor banda do mundo, para entrar no Metallica, com um monte de pessoas que eu sequer conhecia, era, no mínimo, insensato. Já é a segunda entrevista seguida que me falam sobre isso. Acho que há alguns livros lançados comentando sobre o que aconteceu, ou algo semelhante, mas enfim, o fato é que hoje todos sabem que eu fui convidado para entrar no Metallica e não aceitei. E é óbvio que por todas as razões que já sabemos, isso é algo que nunca vou poder esquecer, não é? (risos). Pelo visto vou ter que falar sobre disso pro resto da minha vida (risos).

Whiplash! – Penso que sim (risos). Você há de concordar que não é fácil compreender como alguém diz “não” ao Metallica. É o sonho de 99,9% dos músicos de rock ‘n’ roll e metal...

John Bush / Eu sei, tudo bem (risos). Sinceramente acho que não foi errado ter continuado no Armored Saint e deixado a oportunidade de entrar no Metallica. Foi simplesmente o meu destino, e tento pensar sobre isso de maneira positiva. Recusar entrar no Anthrax em 1992 seria realmente um erro, muito mais do que abdicar de estar no Metallica antes mesmo deles gravarem o “Kill ‘Em All”. E se eu estivesse no Metallica, as coisas seriam muito diferentes para todos nós. Isso poderia ter mudado a face do heavy metal. Ninguém sabe o que o Metallica faria comigo nos vocais. Eu seria mais um músico, com outras idéias, e talvez o Metallica nem viria a se tornar a maior banda do planeta, como aconteceu. Minha presença teria mudado muita coisa e, honestamente, não consigo imaginar o Metallica sem os vocais de James Hetfield. Não era pra ser!

Whiplash! – Qual a sua opinião sobre o Metallica hoje em dia, sendo tão criticado, álbum após álbum?

John Bush / Cara... é o Metallica. O que mais você pode dizer ?É simplesmente a maior banda de heavy metal do mundo. Eles fizeram mais do que quaisquer outros para o heavy metal. As pessoas querem falar mal do Metallica, mas, se pedirem meu apoio nisso, não terão, nunca. Mesmo quando eles lançam “Load”, “Reload”, e com todas as mudanças que sabemos que ocorreram. Se era isso que eles queriam fazer, se estava no coração deles, então ótimo. É uma banda imensa, e não precisava se tornar comercial para aparecer e ganhar mais espaço. Eles já eram grandes o bastante. O “Black Album” vendeu mais que qualquer outro disco deles, incluindo os últimos, que vêm sendo tão criticados. Milhões e milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Não penso que eles tenham feito isso por qualquer outra razão se não pelo simples fato de que aquilo era o que eles queriam fazer. Você está fazendo a coisa certa, desde que siga seu coração, e traga algo de sua alma. Nem sempre as pessoas concordam, muitos podem ficar desapontados, mas é assim que funciona. Pelo menos eles estão sendo honestos. O problema seria se eles estivessem fazendo isso por dinheiro, fama, ou quem sabe, para pegar mais mulheres. Seria superficial. Mas repito, não foi isso que o Metallica fez. Eles já eram maiores do que qualquer outra banda poderia ser.

Whiplash! – O que podemos esperar da turnê sul-americana? Em termos de set list, vocês estão trazendo algo similar ao que temos em “Music Of Mass Destruction”?

John Bush / Não sei exatamente o que vamos tocar na América do Sul. O que sei é que já se foram doze anos desde que tocamos no Brasil e na Argentina, e oito desde o último show no Chile. Já passou da hora de voltarmos. Então é óbvio que vamos cobrir esse espaço vazio e recuperar, em cima do palco, esse tempo perdido. Tentaremos tocar o maior número de músicas possíveis, e acho que vamos ter vários set lists diferentes. Sempre cobrindo os melhores momentos da carreira do Anthrax. Será fantástico e estamos loucos para tocar por toda a América do Sul. Posso garantir que vocês ficarão satisfeitos com os shows, e nós também.

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