A canção dos Beatles tão ruim que Paul McCartney acha que "nunca deveria ser ouvida"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de abril de 2025
Nem todo grande compositor está disposto a mostrar cada rascunho ao público. E mesmo artistas com uma discografia lendária sabem que nem tudo o que gravam está à altura da própria história. Foi o que Paul McCartney admitiu ao relembrar alguns dos momentos menos inspirados da fase inicial dos Beatles — músicas que, segundo ele, "nunca deveriam ter sido ouvidas".
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"Normalmente eu enterraria essas músicas e não lançaria. Mas havia tanta pressão... As pessoas perguntavam: ‘Você tem algo aí?’ E eu dizia: ‘Tenho, mas vocês realmente não querem ouvir’", revelou o ex-Beatle em entrevista resgatada pelo Far Out Magazine.
Entre as canções citadas, McCartney mencionou "That Means a Lot", escrita durante as sessões do álbum "Help!" (1965). Mesmo sendo uma típica composição de McCartney — melódica, com traços de power pop — a música foi descartada pelo grupo e entregue ao cantor PJ Proby, que acabou lançando a faixa e obtendo sucesso moderado.
Apesar de aparecer anos depois na coletânea "Anthology", Paul reconhece que essa e outras músicas da época eram apenas "trabalho por demanda", criadas sob forte pressão para preencher álbuns em ritmo acelerado.
"Naquele ritmo de dois discos por ano, era natural que surgissem faixas menos inspiradas", comentou. "O cansaço se nota, por exemplo, em Beatles for Sale, que tem várias covers para completar o repertório."
Beatles e "That Means a Lot"
Gravada durante as sessões do álbum "Help!" em 1965, a música "That Means A Lot" é uma das raras composições de Lennon e McCartney que os próprios Beatles decidiram não lançar na época. Escrita majoritariamente por Paul McCartney, a canção foi considerada promissora, com ecos de "Ticket to Ride" no ritmo e uma produção carregada de eco e vibrato, mas acabou sendo arquivada após múltiplas tentativas frustradas em estúdio. As informações são do Beatles Bible.
"A gente escreveu para o filme, mas não conseguimos cantar. Fizemos uma bagunça e achamos melhor entregar para alguém que conseguisse fazer direito", explicou John Lennon à New Musical Express, em 1965.
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