A incrível banda que Ritchie Blackmore bancou e Steve Harris adora, mas poucos conhecem
Por Bruce William
Postado em 15 de abril de 2025
Nos anos 1970, o rock britânico vivia um de seus momentos mais criativos. Era a era do glam, do prog e do hard rock forjado por nomes como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Foi nesse cenário que surgiu o Wishbone Ash, uma banda que contava com guitarras gêmeas, um som enraizado no folk britânico e um talento que encantou ninguém menos que Ritchie Blackmore.
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O Deep Purple chegou a levar o Wishbone Ash como banda de abertura, e o próprio Blackmore ajudou os caras a garantirem um adiantamento de 250 mil dólares com a MCA Records, relembra a Far Out. Foi o pontapé para que eles iniciassem uma sequência de discos muito respeitada por quem garimpa o rock mais a fundo. Mas, apesar do talento e dos elogios da crítica, o Wishbone Ash nunca chegou a atingir o estrelato nos Estados Unidos - e, por consequência, também é pouco conhecido no Brasil. Só os roqueiros mais curiosos e pesquisadores costumam se deparar com a banda.
O terceiro álbum do grupo, "Argus", é considerado sua obra-prima. Com uma estética medieval e ares épicos, ele uniu folk, hard rock e psicodelia de um jeito muito próprio. A arte da capa foi assinada pela equipe da Hipgnosis, a mesma que depois faria a capa de "Houses of the Holy", do Led Zeppelin. O disco chegou ao terceiro lugar nas paradas britânicas, foi eleito o melhor álbum do ano pelas revistas Sounds e Melody Maker e marcou o auge criativo da banda.
Nos Estados Unidos, no entanto, a situação era diferente. Quando estavam em turnê em 1972, os equipamentos da banda foram roubados após um show em St. Louis, o que prejudicou a sequência de apresentações. Apesar disso, o show de Memphis - gravado pela rádio WMC-FM - foi ao ar com bastante frequência e virou um cult nos EUA, mesmo sem lançamento oficial.
Steve Harris, baixista e fundador do Iron Maiden, nunca escondeu sua admiração pela banda. Em entrevista à Guitar World, ele foi direto: "Se alguém quiser entender o começo do Maiden, especialmente as guitarras harmonizadas, é só ouvir o álbum 'Argus', do Wishbone Ash."
Mesmo com tantas trocas de formação, o grupo se manteve ativo por décadas. Após a saída do vocalista e baixista Martin Turner em 1980, o guitarrista Andy Powell assumiu os vocais. O Wishbone Ash continuou gravando, lançando mais de 15 discos até "Coat of Arms", de 2020.
Até hoje, o Wishbone Ash é um daqueles nomes que aparecem em listas de "bandas subestimadas" e "tesouros escondidos do rock". Não se tornaram um fenômeno global como seus contemporâneos, mas quem mergulha na discografia deles descobre uma banda com identidade forte, técnica refinada e composições que atravessaram o tempo.
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