A banda que poderia ter unido John Lennon e George Harrison de novo nos anos 1980
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de abril de 2025
Quando os Beatles se separaram, os laços entre os quatro continuaram — ainda que permeados por ressentimentos, silêncios e colaborações pontuais. Era inevitável: mesmo longe do estúdio da Abbey Road, George Harrison, John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr continuaram orbitando uns aos outros, cruzando caminhos em gravações e participações especiais. Mas quando Harrison formou os Traveling Wilburys, parecia finalmente ter traçado um projeto só seu. Só dele.
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Criado quase por acaso em 1988, o supergrupo nasceu de uma jam entre amigos. Harrison e Jeff Lynne estavam trabalhando juntos, precisaram pegar um equipamento emprestado no estúdio de Bob Dylan, esbarraram com Tom Petty, chamaram Roy Orbison — e assim nasceu uma banda espontânea, leve e despretensiosa. "Acho que as pessoas se prenderam demais à ideia do que é a indústria fonográfica, disse Harrison. Com os Wilburys, tudo era muito mais brincadeira. Era tipo: a gente não dá a mínima." A entrevista foi resgatada pela Far Out.
Apesar da independência artística, os Beatles não saíam completamente de cena. Segundo Tom Petty, o assunto surgia com frequência nas conversas do grupo. "Ele dizia: ‘Os Beatles? Nem eram isso tudo [risos]’. Mas ele amava os Beatles. Às vezes reclamava de algum que o irritava, mas eu sabia que ele amava todos eles de verdade."
E entre todos, um nome surgia com um brilho diferente nos olhos de George. Petty lembra com clareza: "Ele admirava muito o John. Disse: ‘Ah, o John seria um Wilbury em um segundo’." O problema é que, em 1988, Lennon já havia sido assassinado há oito anos.
A frase é reveladora. Mostra não apenas o carinho persistente de Harrison por Lennon, mas também um tipo de saudade disfarçada. Talvez George, mesmo buscando autonomia artística, ainda desejasse aquela parceria — ou, ao menos, a sensação de uma nova irmandade musical. Os Wilburys eram, afinal, uma nova banda de irmãos, criada numa fase em que Harrison precisava lidar com o luto, a fama antiga e o desejo de recomeço.
Embora McCartney e Ringo nunca tenham sido convidados a integrar o projeto, a ausência pode ter sido intencional. Ao manter distância dos outros Beatles, Harrison criava espaço para algo que fosse livre das camadas de conflitos e pressões do passado. Ainda assim, John seguia ali, na memória, como o único que — se pudesse — teria entrado "em um segundo".
Quem foi a banda Traveling Wilburys?
O Traveling Wilburys surgiu por acaso, em 1988. George Harrison precisava gravar um lado B para o single "This Is Love", do álbum "Cloud Nine". Junto de Jeff Lynne, Bob Dylan, Tom Petty e Roy Orbison — todos reunidos casualmente no estúdio de Dylan — gravaram a faixa "Handle With Care".
A canção ficou boa demais para ser apenas um lado B. Os executivos da Warner sugeriram um álbum completo. Assim nasceu o grupo, com todos usando pseudônimos e deixando os egos de lado. O nome "Wilbury" veio de uma brincadeira de estúdio entre George e Jeff. Inicialmente, seriam os Trembling Wilburys, mas "Traveling" soava melhor.
George criou o ambiente ideal para uma colaboração entre gigantes do rock, que escreveram, cantaram e produziram juntos, sem competição. O sucesso foi imediato: Volume 1 vendeu mais de 5 milhões de cópias. O segundo disco, lançado após a morte de Orbison, se chamou, com humor típico de Harrison, Volume 3. Nas palavras do produtor Mo Ostin: "Eles já eram Wilburys antes mesmo de saberem o sobrenome."
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