Classic Rock in Rio: "old school é a palavra de ordem"
Por Cássio Leal moraes
Fonte: Blog do Moral
Postado em 02 de outubro de 2011
Em meio ao frissom midiático da quarta edição do Rock in Rio, um discurso se faz onipresente para todos aqueles minimamente envolvidos com o Rock e seus rebentos, sejam headbangers, indies, etc.
"Tá comercial demais esse negócio, pasteurizado"
"IVETE SANGALO? CLÁUDIA LEITE? E ainda têm a cara de pau de chamar de Rock in Rio?"
E dessas mesmas bocas, saem alguns comentários que, ao meu ver, são apenas a outra face da moeda acima citada.
"MOTÖRHEAD deu uma aula de Rock, sem enrolação, sem frufru".
De um lado, o bussiness. O dinheiro tem que vir, e, para isso, pavimentou-se todas as possibilidades de público para o festival, fazendo-se misturas muitas vezes duvidosas entre artistas que compartilham o palco, com duetos e infinitas participações especiais, chamando nomes da música com público sólido, mas que guardam grande discrepância com, digamos, o próprio nome do festival.

Do outro lado, o clássico, o unânime, principalmente no que se refere às bandas de heavy metal. SEPULTURA, ANGRA, METALLICA, RED HOT, os caras que estão tocando o Rock com R maiúsculo, oriundos de outras cenas, outros tempos. Mesmo o SLIPKNOT, mais recente, cai nessa categoria (por sinal, para mim, o melhor concerto de todos até agora).
O que é novo está morno, salvo uma ou outra excessão. O GLORIA, por exemplo, é uma boa banda, mas mingua ao dividir espaço com aqueles que originalmente fazem o som que eles fazem. O MATANZA, outra banda muito competente, viu as bandas glorificadas oferecerem ao público tudo aquilo que eles têm para oferecer em sua forma original, à excessão da língua. Olha que esses são os melhores, pois acho que nem preciso mais gastar palavras para caracterizar o movimento indie e neo-regionalista. Ao menos, no segundo caso, a matriz original estava lá, o NAÇÃO ZUMBI, mesmo que numa parceria ao meu ver bastante inoportuna.

O público ficou em chamas, a grandiosidade da audiência espantava cada um dos músicos que subia no tablado. Público este sedento por Rock, não resta a menor sombra de dúvida. Então, o que está acontecendo? Se o Rock realmente estivesse morrendo, estas pessoas não estariam fazendo o que fazem, este público não estaria agindo com tem agido. Mesmo que os quarentões, cinquentões e até os 64 anos de LEMMY KILMISTER tenham sido as atrações principais (de rock, naturalmente), o público jovem expressou com toda sua força a sede de rolar na pedra.
Alex Ross, em seu mais novo livro, faz uma interessante comparação entre as fases da música erudita/clássica e o jazz, como que insinuando o destino de todos os estilos que marcaram uma era e ensinaram uma geração a se perder na música. Basicamente, uma dialética artística, onde a revolução inicial se transforma em solenidade, esta se tornando esnobe e sendo combatida por uma contra-cultura, esta contra-cultura sendo combatida por um resgate ao estado originário, por sua vez seguido de uma limitação criativa. Limitação esta não relativa à criatividade individual do músico, mas às possibilidades de originalidade dentro do estilo. Em suma, seu argumento é: "Ao fim, toda música se torna clássica".
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Ainda há milhões de corações e ouvidos junto ao Rock’n Roll, mas há pouco a se fazer por sua evolução. Ele não está morrendo, de forma alguma. Está apenas se tornando clássico.
Rock In Rio 2011
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