Guitarrista da banda que deu origem ao RPM conta como era relação com Paulo Ricardo
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de janeiro de 2026
Em entrevista ao canal A História de uma Revolução, o guitarrista Edu Coelho relembrou a convivência intensa com Paulo Ricardo nos anos 1970, muito antes da explosão do RPM. Segundo ele, a relação começou ainda na adolescência e foi decisiva para a formação musical e conceitual do futuro vocalista.
Edu conta que conheceu Paulo Ricardo ainda em Brasília, quando ambos eram estudantes. "Ele apareceu lá em casa para pegar matéria do colégio e acabou ficando. Era falante, curioso, simpático. Se encantou com os discos, com Hendrix, com tudo o que tinha no quarto da minha irmã. A partir dali, além de estudar, a gente virou muito amigo", relembrou. A casa virou um ponto de encontro musical, com longas sessões de audição e jams improvisadas.

A amizade se fortaleceu quando Edu se mudou para São Paulo para integrar o Aura, banda de rock progressivo que funcionava como um verdadeiro laboratório sonoro. "O Paulo vivia com a gente. A gente conversava horas sobre música, sobre futuro, sobre o que poderia ser uma banda autoral no Brasil. Aquilo era nosso laboratório", afirmou o guitarrista. Segundo ele, não havia uma hierarquia clara, mas sim um ambiente de troca constante - e também de conflitos criativos.
Edu explicou que o Aura nunca foi pensado como um projeto comercial. "A gente tocava o que gostava. Rock progressivo, música brasileira, baião, samba, jazz, música erudita. Não pensávamos em sucesso, pensávamos em identidade", disse. Essa abordagem, segundo ele, acabou influenciando diretamente o que Paulo Ricardo faria mais tarde. "Quando eu ouvi Revoluções por Minuto, percebi que eles tinham ido para um rock mais direto, mais popular. Mas tem uma música que é totalmente Aura para mim: 'Estação no Inferno'."
O guitarrista detalhou que a faixa carrega elementos típicos do período em que tocavam juntos. "Tem progressivo ali, tem compasso em 7/4, depois vira um baião. Era exatamente o tipo de coisa que a gente tentava fazer no Aura", afirmou. Ao mesmo tempo, ele reconhece que o RPM fez escolhas diferentes. "A bateria ficou mais reta, mais simples. No Aura, isso jamais aconteceria. A gente pensava a bateria de forma percussiva, brasileira."
Edu também contextualizou a mudança de linguagem musical. "Com a chegada do punk, aquele rock cheio de complexidade começou a soar ultrapassado. Veio o 'faça você mesmo', a simplicidade. O RPM entendeu esse momento e acertou em cheio", analisou, deixando claro que vê a trajetória de Paulo Ricardo como uma evolução natural, não como ruptura.
Por fim, o guitarrista reforçou a importância pessoal e histórica dessa relação. "A gente era garoto, aprendendo, brigando, errando. Mas sem aquele período, sem o Aura, sem aquela convivência diária, muita coisa que veio depois talvez não tivesse existido. O Paulo seguiu o caminho dele, e eu respeito muito isso", concluiu.
Confira a entrevista completa abaixo.
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